"Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento." Carlos Bernardo González Pecotche

Mostrando postagens com marcador Artistas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artistas. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

+Brasileiros – Série Completa

Composta de 26 episódios com duração de 26 minutos cada, a série apresenta de maneira leve e informativa a vida e a obra de importantes personalidades brasileiras.
Através de imagens do biografado, bem como de depoimentos de historiadores e familiares, a série oferece a oportunidade de conhecer um pouco mais da vida pessoal e pública desses personagens que marcaram a história do país.

Direção: Thadeu Vivas / Marco Chagas
Ano: 2014
Áudio: Português
Duração: 26 min. cada episódio
Primeira Temporada

Ep. 01 - Getúlio Vargas
Getúlio Vargas é um importante personagem histórico brasileiro. Chegou ao poder com a “Revolução de 30”, que depôs o último paulista a ser eleito presidente através do voto. Vamos conhecer o homem que foi presidente pelo período mais longo da história do país. Como passou de centralizador e autoritário a realizador de importantes reformas trabalhistas.

Episódio 02 - Dom Pedro I
Dom Pedro I, apesar do sangue português, com certeza possuía alma brasileira. Talvez tenha sido o primeiro herói nacional e com certeza o primeiro após a Declaração da independência. Por este ato foi eternizado na memória do povo e sua célebre frase Independência ou Morte!”, até hoje ecoa pelo Brasil.

Episódio 03 - Machado de Assis
Machado de Assis foi e é o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Filho de um pintor de paredes e criado no morro do Livramento. Não teve educação escolar e ainda assim conseguiu chegar ao panteão dos escritores. Não frequentou grandes colégios muito menos uma universidade e se tornou jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo.

Episódio 04 - Oswaldo Cruz
Oswaldo Cruz foi tão importante para política de saúde pública brasileira, que até hoje suas ações estão em vigor no país. Doutor em medicina, com passagem pelo prestigioso Instituto Pasteur, foi quem iniciou a luta pela erradicação da peste Bubônica, da febre amarela e da Varíola, no Brasil. Implementou a vacina obrigatória e por este motivo enfrentou a Revolta da Vacina.

Episódio 05 - Rui Barbosa
Rui Barbosa pode ser considerado a prova viva de que uma boa educação e o gosto pelas palavras podem mudar um país. Dotado de grande poder na arte da oratória, Rui Barbosa, lutou pela abolição da escravidão, pela justiça e por direitos eleitorais para todos os brasileiros.

Episódio 06 - Marechal Deodoro da Fonseca
Em 1891 Marechal Deodoro da Fonseca foi eleito o primeiro presidente do Brasil. Esse momento marcou a história nacional pois o país deixava de ser uma Monarquia e passava a ser uma República. Conhecido por ter recebido a maior patente já concedida a um militar brasileiro, “Generalíssimo de Terra e Mar”, Marechal Deodoro da Fonseca marcou o início do período conhecido como Primeira República.

Episódio 07 - Santos Dumont
O pai da aviação brasileira, Santos Dumont, teve sua vida marcada pela vontade de voar. Inventor e aviador, Ele entrou para história mundial da aviação em 1906, com o 14 BIS. Sua vida confunde-se com a realização do sonho de voar do homem. Jamais pensou que o avião pudesse ser utilizado em guerras. Até sua morte expressou seu desejo de ver o avião como ferramenta de união dos povos.

Episódio 08 - José de Anchieta
Com a missão de catequizar os índios, que habitavam a recém descoberta colônia de Portugal, o Padre José de Anchieta chegou ao Brasil em 1553. Repleto de natureza e índios, que nada sabiam sobre a cultura e a religião Europeia, Anchieta fez deste povo o berço desta nação que se tornou o nosso querido Brasil.

Episódio 09 - José do Patrocínio
Nesse programa vamos conhecer a trajetória de José do Patrocínio, filho de um padre e de uma escrava, que travou uma verdadeira batalha pela abolição da escravatura no Brasil. Influenciado pela realidade do país, em 1853, onde mal tratos e castigos aos escravos eram parte da rotina, ele se torna o “Tigre da Abolição” e o primeiro jornalista militante do Brasil.

Episódio 10 - José de Alencar
Considerado o “Patriarca da literatura Brasileira”, José de Alencar formou-se em direito. Posteriormente tornou-se advogado, jornalista, político, orador, romancista e teatrólogo. Foi também o primeiro a propor o rompimento com a tradição portuguesa e a influência europeia. Buscava uma literatura verdadeiramente brasileira.

Episódio 11 - Joaquim Nabuco
O abolicionista Joaquim Nabuco, foi mais do que tudo, um pensador a sociedade brasileira. Além de exímio diplomata, com importante carreira internacional, foi também jornalista, orador, poeta e romancista. Escreveu importantes contribuições para literatura brasileira e inaugurou, junto com Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras.

Episódio 12 - Barão do Rio Branco
Barão do Rio Branco foi diplomata, advogado, geógrafo e historiador brasileiro. Foi Ministro das Relações Exteriores durante os mandatos dos presidentes Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca. Foi promotor público em Nova Friburgo e deputado por Mato Grosso, ainda na época do Império. Foi Consul Geral do Brasil em Liverpool.

Episódio 13 - Dom Pedro II
Dom Pedro II foi o segundo e último monarca do Império do Brasil, tendo reinado o país durante um período de 58 anos. Nascido no Rio de Janeiro, foi o filho mais novo do Imperador Dom Pedro I do Brasil e da Imperatriz Dona Maria Leopoldina. A abrupta abdicação do pai e sua viagem para a Europa tornaram Pedro imperador com apenas cinco anos.


Segunda Temporada

Episódio 01 - Portinari
Desde cedo, Portinari apresentou seus dons para a pintura. Nascido em Brodowski, São Paulo, veio para o Rio de Janeiro estudar artes e logo se destacou, ganhando um prêmio dentro de sua escola, que lhe rendeu uma viagem a Europa. Através de sua pintura moderna, arrojada e única, apresentava a triste realidade e os problemas sociais do nosso país.

Episódio 02 - Bezerra de Menezes
“O médico dos pobres”, assim era conhecido o Doutor Bezerra de Menezes. Saiu de sua cidade, no interior do Ceará, e veio para o Rio de Janeiro estudar medicina, sua grande paixão. O que o diferenciava dos outros médicos? Uma enorme compaixão e espírito de caridade. Fez carreira na política e, ao ser apresentado ao espiritismo, assumiu publicamente a sua posição, causando muita polêmica.

Episódio 03 - Tiradentes
Tiradentes foi o mártir da Inconfidência Mineira, conflito ocorrido no século XVIII no estado de Minas Gerais. O + Brasileiros apresenta a sua história e a de seus companheiros; as causas que defendiam, a luta e as traições sofridas. Tiradentes era um homem simples, mas letrado. Envolveu-se no movimento pela independência de sua capitania e acabou assumindo sozinho a responsabilidade.

Episódio 04 - Luiz Carlos Prestes
Prestes foi um homem raro. Determinado, crente na justiça e em seus valores. Nunca desistiu, e dedicou sua vida a defender o que acreditava. Foi um dos líderes do movimento Tenentista e da Coluna Prestes, o que lhe rendeu o nobre apelido de “Cavaleiro da Esperança”. Quando conheceu o Marxismo, se encantou com a doutrina e, a partir daí, tornou-se comunista. Foi preso, torturado e exilado.

Episódio 05 - Princesa Isabel
Princesa Isabel poderia ter sido só mais uma princesa. Entretanto, um gesto nobre, que rendeu a perda da coroa de sua família, a diferenciou. No dia 13 de maio de 1888, ela assinou a Lei Áurea, e libertou todos os escravos do Brasil. Pouco tempo depois, o país virava república, e ela e sua família foram expulsas do Brasil. Uma mulher corajosa e nobre, em todos os sentidos, que mudou a história.

Episódio 06 - Chiquinha Gonzaga
Chiquinha Gonzaga definitivamente foi uma mulher à frente de seu tempo. Ela se separou de seu marido controlador, o que na época foi um escândalo enorme e resultou no afastamento de sua família, e foi viver de sua música. Pioneira no ramo, escandalizou a sociedade. Compôs inúmeras canções, conhecidas até hoje, foi maestrina, termo criado para ela, pois foi a primeira a assumir a posição.

Episódio 07 - Humberto Mauro
Humberto Mauro foi nosso primeiro grande cineasta, para muitos, é considerado como o Pai do Cinema Brasileiro. Através de seus filmes bucólicos, recheados com imagens rurais, trazia beleza e grandes cenas para a tela. Ele dominava a técnica, mas também contava com seu olhar único e sensível para dar personalidade e imortalizar suas histórias, dando origem a história do nosso cinema.

Episódio 08 - Betinho
Herbert José de Souza, mais conhecido como Betinho, foi uma das grandes personalidades que o nosso país já teve. Suas causas sociais e projetos beneficentes lhe renderam uma indicação ao Prêmio Nobel da Paz. Um homem que enfrentou uma doença por toda a sua vida, e que por causa dela, tinha pressa de viver e ver suas ideias concretizadas.

Episódio 09 - Nise da Silveira
Nise da Silveira foi uma psiquiatra do início do século XX que revolucionou a maneira de cuidar de seus pacientes. A doutora Nise se recusava a tratar seus pacientes com eletrochoques e outros procedimentos que considerava agressivos e foi em busca de terapias ocupacionais, descobrindo na arte uma forma de acessar o inconsciente.

Episódio 10 - Rachel de Queiroz
Rachel de Queiroz foi uma das nossas maiores autoras. Ela foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras, se destacando ao escrever belissimamente as histórias do lugar onde nasceu: o nordeste brasileiro. Reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho, essa nordestina, sempre humilde e simples, ajudou a trilhar os caminhos da literatura no país.

Episódio 11 - Zélia Gattai
O +Brasileiros traz até vocês a história de Zélia Gattai, a paulista mais baiana que o Brasil já conheceu. Ela começou a escrever tarde, mas nem por isso seu trabalho passou despercebido, muito pelo contrário, escreveu belíssimas obras que lhe renderam uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. O eterno amor de Jorge Amado encantou a ele e a todos nós com sua voz doce e sua maneira singular.

Episódio 12 - Aleijadinho
Mito ou verdade? Até hoje não se sabe se o mestre do barroco e do rococó, um homem desfigurado, mas que produzia obras lindas, existiu mesmo, ou é fruto de um conto mineiro. Nesse programa aprofundamos o tema, e tentamos descobrir as pistas para chegarmos até a verdadeira identidade do homem que adornou inúmeras igrejas e construiu verdadeiros templos, como a igreja de São Francisco de Assis.

Episódio 13 - Glauber Rocha
Glauber Rocha foi um dos integrantes mais importantes do Cinema Novo, movimento iniciado no começo dos anos 1960. Com o princípio de "uma câmera na mão e uma ideia na cabeça", deu uma identidade nova ao cinema brasileiro, criando clássicos consagrados, como Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. Um homem intenso e cheio de ideias.

domingo, 22 de novembro de 2015

A História Do Rock'n Roll

Um documentário sem precedente montado a partir de 10 mil horas de imagens de arquivos e shows. Recheado com 204 entrevistas com as maiores estrelas do Rock e 1807 clipes; explodindo com mais de 250 músicas inesquecíveis de 260 vinhetas ao vivo. ELVIS PRESLEY, CHUCK BERRY, BEATLES, ROLLING STONES, JIMI HENDRIX, THE WHO, LED ZEPPELIN, BRUCE SPRINGSTEEN e Cia.
Direção: Andrew Solt
Ano: 1995
Áudio: Inglês
Legendado: Português
Duração: +- 60 min. cada episódio
Tamanho: +- 200 MB cada episódio
Episódio 01 – “O Rock'n Roll Explode”
É um caleidoscópio de memórias musicais. Em entrevistas com algumas das mais brilhantes estrelas do rock, de Little Richards a Mick Jagger, Bruce Springsteen a Bono (do U2), são lembradas canções e sons que mudaram suas vidas. E uma coletânea de clipes revela as primeiras estrelas do rock: Muddy Waters, Chuck Berry e Little Richards. Tina Turner recorda dias de trabalho duro nos campos de algodão e nas noites embaladas pelo sonho de sua carreira musical. E Michael Jackson tempos depois, interpretando Billie Jean.

Episódio 02 – “Rock da Pesada Esta Noite”
Reconta os dias de glória da Era de Ouro do rock: Elvis Presley, Buddy Holly, Little Richards e Jerry Lee Lewis. Dick Clark fala das origens do programa de TV American Bandstand e Fabian divide seus dias de fama precoce. Vale lembrar que o rock era dominado pelos ídolos adolescentes com estilos agitados de dança como o Twist. Mas como revelam os clipes de Ben E. King e dos Ronettes de Phil Spector, havia ainda muito mais coisa reservado para o rock do que apenas um bando de garotos tentando ser o próximo Elvis.

Episódio 03 – “Os Britânicos Invadem, os Americanos Resistem”
O Renascimento do rock entre os anos 1964 a 1966: imagens inéditas mostram os Beatles em 1963, os Rolling Stones em 1965, os Kinks em sua primeira apresentação e o The Who ovacionado por seu público, brilhando com I CAN´T EXPLAIN. Os Beach Boys explicam como as bandas britânicas estimularam a criatividade deles. Supremes e Lovin Spoonful recriam uma era quando o rock'n roll ainda era jovem e cheio de alegria, própria das novas descobertas musicais.

Episódio 04 – “O Som do Soul”
Arraigado no gospel, desenvolvido sob a influência da música popular com uma forte dose de sentimento rhytm-and blues, os primeiros frutos do soul só floriram no final dos anos 50. Seus pioneiros incluem : Sam Cooke, Ray Charles, Jackie Wilson e "mais esforçado operário do show business" James Brown. Três gerações de cantores de soul reunidos no Teatro Apollo no Harlem, para discutir o significado do soul. Smokey Robinson remonta as origens da canção OOO BABY BABY.

Episódio 05 – “Ligando-se na Tomada”
Quando Bob Dylan plugou sua guitarra e começou a tocar rock'n roll no Festival Folk de Newport, em 1965 ele quase causou um alvoroço. O rock se reinventou na metade dos anos 60. Com imagens históricas de The Byrds, The Mamas and The Papas criando um novo som com California Dreamin'. Brian Wilson, membro do The Beach Boys fala da pressão que sentiu ao competir com os Beatles. The Who e Jimi Hendrix agitam o Festival Pop de Monterey. Pete Townshend lembra a passagem.

Episódio 06 – “Minha Geração”
Relembra o renascer vertiginoso e a angustiante queda do rock da contracultura dos anos 60. Em raríssimas imagens, vemos bandas de ponta e seus empresários, responsáveis por trazer à vida o 'Verão do Amor' em Bay Area, depois do que atingiram o estrelato internacional. The Grateful Dead, Santana e Jefferson Airplane tocam juntos, enquanto Janes Joplin aparece ao lado de Big Brother e The Holind Company com uma versão inflamada de Ball and Chain e ainda performances clássicas de Woodstock.

Episódio 07 – “Heróis da Guitarra”
Está focado nos tempos pioneiros, de Chuck Berry à Jimmy Page do Led Zeppelin e também alguns heróis como o virtuoso James Burton. Pete Townshend do The Who descreve como seus movimentos (sua marca registrada que lembrava um moinho de vento) sem que soubesse o aproximava de Keith Richards. Dire Streets, Eddie Van Hely, Slash e Kimi Hendrix juntos mostram como desvendar aquilo que Pete Townshend chama de "poesia física" da guitarra elétrica.

Episódio 08 – “Os Anos 70”
Recaptura os pontos altos artísticos e debochada decadência dos anos de glamour de Rock. Jimmy Page e Robert Plant recuperam as origens de Led Zeppelin. Steely Dan aparece em um show realizado no começo dos anos 70. David Gilmour, do Pink Floyd, lembra como foi feito o álbum Dark Side of the Moon. Lindsey Buckingham, do Fleetwood Mac, executa versão improvisada de Go Your Own Way e explica o significado pessoal da música. Acompanhe famosas cenas do show de David Bowie em seu clássico traje de Ziggy Stardust.

Episódio 09 – “Punk”
Documenta como esse gênero musical usou canções curtas e simples para "reivindicar o rock'n'roll". Descobrimos que as raízes do punk estão nas ruas e na boemia de Velvet Underground, na feiura deliberada de Iggy Pop e no amadorismo campy (pouco usual) do New York Dolls. Observamos o cenário punk surgindo em New York, no Club CBGB - lar dos Ramones - Richards Hell, do Talking Heads e Patti Smith. Seguimos a rápida ascensão e meteórica queda na Inglaterra, através de uma das primeiras apresentações do Clash.

Episódio 10 – “Do Under-Ground à fama”
Do Under-ground à fama mostra como o rock se inventou nos anos 80: com chegada da MTV. Membros do Devo e do Eurythmics explicam como eles produziram seus próprios vídeos musicais. Antigos clipes mostram apresentações de rappers pioneiros como Kurtis Blow e Grandmaster. O vídeo Bille Jean de Micahel Jackson que quebrou as barreiras raciais. E o clipe Justify My Love, de Madonna, que foi banido da MTV. E sentimos a ira dos rappers hard-core, como Public Enemy e N.W.A. 

domingo, 1 de novembro de 2015

Última curva do mestre

Oscar Niemeyer fundou uma imagem do Brasil e elevou ao máximo a expressão de sua arte.
     O nome dispensa maiores apresentações. Basta ouvir falar e logo já se faz alusão às grandes obras do mestre. Ele fundou uma imagem do Brasil e elevou ao máximo a expressão de sua arte. Tão ao máximo que, com ela, ajudou a fazer surgir do meio do nada a capital do país. Oscar Niemeyer se foi, (no) dia 5 de dezembro de 2012, aos 104 anos, após deixar para o Brasil um grande legado.
Nascido em 1907, o arquiteto se envolveu com os princípios do movimento modernista desde cedo.  Aos 29 anos, já participava do projeto de construção do prédio do MEC, na antiga capital brasileira, Rio de Janeiro. A obra ainda refletia, segundo o professor de arquitetura da PUC-Rio João Masao Kamita, um Modernismo mais ligado ao que se fazia fora do país. Um indício disso seria a consultoria prestada pelo arquiteto franco-suíço, Le Corbusier.
     O Modernismo nasceu em um contexto de industrialização e racionalidade. O movimento reivindicava uma racionalização da arquitetura. A forma deveria ser criada priorizando a funcionalidade, de maneira direta, sem enfeites ou ornamentação. A noção de design e de formas limpas, trazida especialmente pela escola alemã Bauhaus, foi um dos motores da ação dos artistas.
     Com o tempo, Oscar Niemeyer tentou incorporar os preceitos a outros elementos, desta vez, nacionais, para a construção de um Modernismo brasileiro. Nessa busca, foi imprimindo formas tão próprias, tão peculiares, que se tornaram sua marca registrada. “O traço dele é muito individual. Ninguém consegue extrair dali algum exemplo para fazer parecido, porque fica com cara de imitação”, afirma Kamita.
     Niemeyer teve dois grandes marcos na carreira. O primeiro deles, que o lançou para o mundo e mostrou que o Brasil tinha uma produção diferenciada na arquitetura, foi o Complexo da Pampulha, em Belo Horizonte, de 1942. Foram quatro construções - a Igreja de São Francisco de Assis, o Cassino, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube - que guardam até hoje grande valor artístico e histórico, com azulejos de Cândido Portinari e jardins de Roberto Burle Marx. Ambos foram parceiros dele em outros projetos.
     “A Pampulha foi a grande surpresa. Niemeyer mostrou como dominar a ideia de espaço, a forma moderna e produzir boa arquitetura”, comenta o professor. “Ele não só entendeu o que era a arquitetura moderna, como fez algo diferente. Foi um recado: ‘O Brasil consegue ser moderno sem imitar ninguém’. Esse foi o grande fenômeno”, observa Kamita.
     O segundo grande divisor de águas na carreira de Niemeyer foi a maior de suas obras: os edifícios que compõem Brasília. A capital do país destaca-se pela singularidade de ser a utopia máxima da arquitetura e do urbanismo. Uma cidade erguida no meio do nada e partir do nada com liberdade total de implementação de um modelo técnico e artístico.

Não é unanimidade
     O professor da PUC-Rio afirma que, por mais que o arquiteto tenha sido, de fato, um gênio, não pode ser uma unanimidade. “Ele foi tão importante e tão marcante, que precisa ser objeto de estudos críticos, e não de aceitação passiva. Tem que ser discutido, debatido e questionado”. “Ninguém nega sua importância, mas isso não quer dizer que ele tenha sido perfeito. Foi um grande arquiteto, sim, mas não pode mistificar demais”, conclui o pesquisador.
     Gustavo Rocha-Peixoto, professor de Arquitetura da UFRJ, indica que Brasília é a imagem do país. “Niemeyer conseguiu juntar toda sua habilidade para inventar uma imagem do Brasil que se estabeleceu definitivamente. Um Brasil poderoso, otimista, pujante, ousado. É a própria imagem da República brasileira. É a imagem quase natural para se falar das grandes instituições, do Brasil republicano e capaz de inventar sozinho”, exalta o pesquisador.
     Para Rocha-Peixoto, o arquiteto foi mais que um inventor de formas. “Ele contribuiu para a invenção desse conceito da arquitetura moderna brasileira, não como um dado natural, mas criado. E ele é um dos criadores importantes dessa arquitetura. Teve habilidade, e as formas tiveram a virtude de serem aceitas como uma expressão do Brasil”, avalia o professor, que prefere não tentar definir quem foi Niemeyer. “Defini-lo é tarefa difícil, é o oposto de Niemeyer. Ele está fora das definições, além dos fins. Ele forçou os limites. Defini-lo seria como colocá-lo dentro de uma caixa. E o que ele fez a vida inteira foi mostrar que a arquitetura é mais do que caixas”, conclui.
     Comunista que era, Oscar Niemeyer teve uma fase na vida em que chegou a recusar diversos projetos para a iniciativa privada. Preferia trabalhar com governos, projetando prédios públicos, de uso democrático. E exemplos de museus, teatros, monumentos, praças e igrejas feitos pelo arquiteto não faltam no país. Entre suas obras mais importantes no mundo estão a sede da ONU, em Nova York, a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, e a Universidade Mentouri de Constantine, em Argel.

Saiba Mais - Link

domingo, 16 de março de 2014

Coletânea E-Book + de 1300 Livros em ePub, Mobi e PDF

Formato do Arquivo: ePub e PDF
Gênero: Vários
Idioma: Português – BR
Tamanho: 1.52GB
Lista dos livros anexada ao arquivo

terça-feira, 2 de julho de 2013

Piada Sem Graça

Conteúdos preconceituosos são transmitidos para milhões de telespectadores por comediantes da TV, que alegam suposta "neutralidade" nos programas humorísticos.
     "Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho. Tá reclamando do quê? Deveria dar graças a Deus. Isso pra você não foi um crime, e sim uma oportunidade. Homem que fez isso [estupro] não merece cadeia, merece um abraço".
     Essa e tantas outras piadas do comediante Rafinha Bastos, ex-integrante do programa CQC, da Rede Bandeirantes, renderam-lhe uma série de críticas e denúncias, principalmente por parte de grupos feministas, como a Marcha das Vadias em São Paulo, que, no ano passado, pendurou cartazes com dizeres como "machismo não leva a nada, estupro não é piada" em frente a um teatro na rua Augusta, onde o ex-apresentador fazia seu show de stand-up comedy.
     Há algum tempo atrás, seu ex-colega de CQC, que hoje apresenta o programa Agora É Tarde, na mesma emissora, também chegou a ser denunciado por ter feito a já antiga analogia racista entre negros e macacos, quando disse em tom humorístico: "King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?".
     "É preciso saber de que lado você está da piada", diz o ator e palhaço Hugo Possolo, no documentário O Riso dos Outros, dirigido por Pedro Arantes. A reflexão é bem colocada em um momento em que, comediantes e emissoras da TV brasileira, referenciam-se na linguagem do humor, para, muita vezes, fugir dos debates de conteúdos conservadores contidos em seus discursos humorísticos.
     A defesa, muitas vezes, é de que, no humor, tudo não passa de uma brincadeira. De que ele não pode ser confundido com "opinião". E qualquer posicionamento contra o mesmo, seria uma tentativa de patrulhamento ideológico do "politicamente correto". Isso vem levantando algumas reflexões em torno do género. Se ele deve ter limites, responsabilidades, e se, o que vem sendo produzido, trata-se realmente de humor, já que, muitas vezes, este foi definido como uma linguagem questionadora do poder, que deve subverter e transformar realidades.

"Humor De Insulto"
     O comediante e ator Bemvindo Sequeira define esse tipo de humor como "humor de Insulto",e também analisa que se trata de uma espécie de sensacionalismo do género, assim como o existente no jornalismo, com relação à violência e à intolerância. "O máximo que o 'humor de insulto' consegue fazer é ofender pessoas. Mas não questionam nem o sistema, nem as instituições", comenta.
     Na sua concepção, a piada para ser válida precisa ter graça e a ofensa não é engraçada. Isso seria um limite da linguagem. Para explicar isso, faz uma diferença entre a "graça" e a "desgraça". Para ele, a graça se dá em momentos de "elevação humana" e a "desgraça" "em situações infernais, destruindo o ego das pessoas".
     O que se produz, por uma parte da nova geração de humoristas do Stand-up Comedy, carrega, na opinião de Bemvindo, características do humor estadunidense, marcado por uma violência doentia própria de sua sociedade.
     O stand-up, que não é novo no Brasil, foi introduzido em 1949, pelo humorista José Vasconcellos, que foi adaptando o género de acordo com as características do humor latino, criando caricaturas tipicamente brasileiras. "Em toda a sua carreira, fez humor sem ofender ninguém", conta o ator, que faz uma ressalva de que nem todos os humoristas atuais do Stand-up Comedy se enquadram no que considera "humor de insulto".
     O cartunista e jornalista Gilberto Maringoni comenta que um outro limite do humor é aquele que esbarra no poder económico, no poder de quem paga a piada. "Isso ficou claro quando Rafinha Bastos fez a piada com a Wanessa Camargo. Ele não foi processado por ser machista, mas por ter mexido com quem anuncia no CQC, por quem coloca limites", diz. E complementa: "O CQC, sempre faz piadas com políticos no Congresso Nacional, alguns merecem. Mas nunca vi fazer piada sobre os péssimos serviços de telefonia ou sobre as filas nos bancos. Porque não vai atacar o grande empresariado que é anunciante do programa dele".

Deboche
     Os temas relacionados aos negros, mulheres, homossexuais, deficientes, entre outros, sempre foram os preferenciais do humor. Para Bemvindo, isso é natural, pois o humor trabalha com exceções, e não com a regra. "Se você não fala dos anões, eles deixam de existir, se você não fala de gay, eles vão para o gueto. E é possível fazer isso sem a destruição do ego, sem transformá-los em anti-humano e antissocial. O humor pode destruir, mas pode abraçar as pessoas", comenta.
     O tratamento dado pelo humor brasileiro a esses grupos, muitas vezes, não os aproxima de sua humanidade. Na TV, por exemplo, o deboche em cima de estereótipos se dá, em grande parte, reforçando preconceitos.
     Uma das personagens mais recentes neste sentido, e que causou também polémica, é a Adelaide, interpretada pelo ator Rodrigo Sanfanna, no programa humorístico Zorra Total, exibido aos sábados pela Rede Globo.
     Adelaide entra em cena como mendiga para pedir esmola dentro do metro. Para representá-la, o ator pinta a cara de preto, coloca dentes estragados e separados e exibe um nariz exageradamente alargado. Adelaide concentra em sua figura características historicamente utilizadas pelo humor para se referir aos negros como forma de inferiorização: é desdentada, pobre, inculta e feia.
     Em um dos episódios veiculados em 2012, Adelaide comentou, por exemplo, que, durante uma enchente, quando foi resgatar sua palha de aço viu que, na verdade, eram os cabelos da sua filha, repetindo a piada de que cabelo crespo é um cabelo "ruim". Durante sua performance e diálogo com outros personagens, outros atributos relacionados aos negros são inferiorizados. Para a psicóloga Sandra Sposito, se as mulheres negras aparecem nas novelas sempre como subalternas ou erotizadas, no humor, assumem sempre o papel do grotesco. Suas características físicas são sempre ridicularizadas, e o seu lugar na sociedade, naturalizado.
     Para o humorista Bemvindo Sequeira, a apresentação de Adelaide não chega a ser racista, mas, para ele, deprecia as mulheres negras. Além de achar um cliché velho, que passa uma imagem de humor da década de 1950.
     Diversas entidades denunciaram o quadro à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial. Não foi a primeira vez que o conteúdo do Zorra Total foi questionado. Em 2011, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo formalizou um pedido à rede Globo, para que a mesma retirasse do ar o quadro "Metro Zorra Total", por naturalizar a violência sexual contra as mulheres.
     Durante o quadro, a personagem de Thalita Carauta, Janete Balbuína, era sempre bolinada por algum homem no vagão do metro. Em um dos episódios, ao comentar para a sua amiga, a transexual Valéria Vasques, que um homem passava a mão em suas partes íntimas, esta respondia para Janete não reclamar, pois ela tinha que aproveitar por "ser feia demais". Em diversas vezes, as duas personagens riam da situação que, na realidade, é trágica para muitas mulheres. Para as que já passaram por essa humilhação, esse discurso humorístico não é engraçado.
     Assim como a piada de Rafinha Bastos, a cena humorística naturaliza a cultura do estupro da sociedade,
pois não se propõe a problematizá-lo. Se muitos acreditam que não é papel do humor denunciar problemas sociais, poderiam, pelo menos, deixar de construir discursos cómicos que tornam natural e risível uma violência que atinge milhares de mulheres brasileiras.
     Esses questionamentos são vistos, muitas vezes, como um exagero. Tanto os atores do Zorra Total, como Rafinha Bastos, deram declarações de que somente se tratava de "humor" e que, claro, não são a favor do estupro.
     As emissoras de televisão costumam ter a mesma postura. Frente ao episódio, a Globo respondeu: "O Zorra Total é um programa humorístico cujos quadros trazem situações fictícias dissociadas da realidade. O quadro em questão não incita qualquer comportamento, muito menos a violência contra a mulher. Seu objetivo é entreter o telespectador, no que, acreditamos, é bem-sucedido".

É Só Uma Piada
     A desculpa da suposta neutralidade e descompromisso do humor é recorrente. Danilo e Rafinha também em diversas ocasiões deram declarações de que não se pode confundir "piada" com "opinião
pessoal". E que o objetivo do humor é somente fazer as pessoas rirem.
     Sobre essa questão, o escritor Antonio Prata em Riso dos Outros, faz algumas observações: "O humor é sempre conteúdo disfarçado, então ele pode dizer que é só uma brincadeira. [Mas] As piadas não têm fundo de verdade, elas são a verdade com um nariz de palhaço". E completa: "Quando você faz uma piada, você joga ela no mercado de ideias, está ajudando a criar a massa de cultura." Por ser um discurso, o humor também é ideológico, expressa opiniões e visões sobre o mundo.
     Para Bemvindo, os comediantes, além de terem a função de divertir o público e de serem, "antes de mais nada, um pronto-socorro dos trabalhadores cansados", seu papel é realizar a critica política, da sociedade, de seus costumes, etc. "O humor trabalha com a negação. Tudo o que é proibido e rígido, deve ser desmontado e amaciado por ele", comenta.
     Através da citação de alguns momentos históricos, Bemvindo explica a relação do humor com a ideologia política. Conta que foi durante a Revolução Francesa, por exemplo, que os palhaços conquistaram o direito à palavra no circo. Antes, seus processos cómicos estavam ligados somente à mímica e pantomima, explica.
     "Ao se engajarem na Revolução, precisavam fazer discursos políticos no picadeiro e, com isso, conquistaram a fala em cena", diz, relembrando também a importância do humor produzido durante a ditadura militar, feito por humoristas como Millôr Fernandes, Henfd, Ziraldo, entre diversos outros, como forma de combate e resistência ao regime.
     O cartunista e jornalista Gilberto Maringoni ressalta que, mesmo que o humor seja sempre crítico, não é necessariamente libertário. "Ele, muitas vezes, compactua com o que que há de pior na sociedade, com preconceitos arraigados. Se a sociedade é preconceituosa, o que domina, tanto no humor televisivo, radiofónico, impresso, e mesmo no humor nas ruas, é a repetição de preconceitos", diz o cartunista.
A cumplicidade do público com o discurso humorístico é também um limite do humor. A "graça" da piada também ocorre quando há um compartilhamento de opiniões, ideias entre o telespectador e o humorista.
     Para Maringoni, o humor é também reversão de expectativas. E se utilizar de elementos da realidade
dada, criando uma outra percepção sobre ela que, de tão repentina, torna-se engraçada.
     No mesmo documentário, Antonio Prata comenta que, quando se faz uma piada racista, por exemplo, não se está fazendo nada de inovador. Ri-se que o mundo é desigual. A construção do discurso cómico que desconstrói a realidade dada, seria mais difícil. "Quando você ofende alguém que não pode ser ofendido pelo poder dessa pessoa (aquele que faz a piada), esse humor é grande. Se você passa a mão na bunda do guarda, isso é engraçado, porque você está se arriscando. Ele tem uma arma e um cassetete na não", comenta o escritor, que depois questiona qual seria a graça de passar a mão na bunda do mendigo?

Politicamente (In) Correto
     As diversas denúncias e o questionamento em torno do humor preconceituoso é tido, atualmente, como um patrulhamento ideológico e uma tentativa de censura. Sobre isso, Maringoni opina: "O 'politicamente correto', que alguns denominam como uma tentativa de camisa de força é um dos nomes que se dá à reação social ao preconceito, inclusive a contida no humor. Nada tem a ver com o cerceamento da liberdade de expressão. O que não pode haver é a liberdade do exercício da bossalidade. A justiça não tem nada a ver com liberdade de expressão. Se eu sou agredido em qualquer situação, o canal democrático que eu tenho é entrar na justiça e processar o sujeito. Faz parte do regime democrático", opina o cartunista.
     Em entrevista ao Blog do Sakamoto, o diretor Pedro Arantes, dá um depoimento interessante sobre essa questão: "Com a organização desses grupos (de mulheres, negros, homossexuais, etc) e a conquista gradual de direitos, é cada vez menos aceitável que se faça piadas desse tipo, ridicularizando um negro por ser negro, uma mulher por ser mulher, um homossexual por ser homossexual. E menos aceitável não porque o mundo está mais chato ou careta, mas porque esses grupos historicamente ridicularizados, ao se organizarem, conquistaram direitos e voz para reagir. A partir do momento que esse humor passa a ser menos aceitável, existe uma reação daqueles que querem continuar fazendo essas velhas piadas. Essa reação, que se diz libertária, a medida em que combate a 'ditadura do politicamente correto', de fato está reagindo contra a perda de uma liberdade: a liberdade de um grupo historicamente dominante de oprimir, pela via do humor, os outros grupos sociais. A liberdade de alguns em limitar a liberdade e o direito dos outros. Uma liberdade que, no fim das contas, não passa de privilégio."
     Para a psicóloga Sandra Sposito, não deve haver um dispositivo legal que proíba as piadas de circularem. No entanto, a manifestação de grupos sociais deve ser legítima e encarada como natural, principalmente pelas grandes emissoras da TV brasileira que, por atuarem através de concessões públicas, deveriam abrir canais de discussão sobre produção de conteúdo.
     Para o jornalista e professor de comunicação social da PUC-SP, Silvio Mieli, além de grande parte do humor estar tomado por um neoconservadorismo, falta debate em torno de sua linguagem, que compromete sua inovação. "O fluxo de debate sobre a produção humorística foi enterrada pela indústria cultural", tanto na academia como dentro das produtoras, emissoras, opina o professor. "Você não encontra produções críticas sobre o humor que é feito no Brasil. Nós estamos infantilizados culturalmente, daí, as características desses programas de trabalharem nesse registro baixo", conclui.

Documentário “O Riso dos Outros” de Pedro Arantes.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Especial - Alejandro Gonzáles Iñárritu

     Mexicano nascido a 15 de agosto de 1963, na Cidade do México, apelidado de El Negro, faz parte do seleto grupo de diretores latino-americanos a atingir reconhecimento mundial nos últimos anos. Em 1984, porém, ele era apenas um DJ de uma rádio da Cidade do México. Nessa época, estudava teatro e cinema, o que o ajudou a se tornar, no final da década de 80, um produtor da Televisa, uma das maiores redes de televisão do continente. Com bons contatos e muito talento, ele conheceu o roteirista Guillermo Arriaga, com o qual assinou o script de Amores Brutos. Foi a sua primeira experiência ao dirigir um longa-metragem e se tornou também a primeira vez que ele apresentou um filme no Festival de Cannes. O filme foi também indicado ao Oscar, na categoria Melhor Filme Estrangeiro.
     Junto com Win Wenders, Sean Penn, Amos Gitai e outros grandes cineastas, dirigiu um dos onze episódios de 11´09´´01 - September 11, no qual 11 diretores faziam interpretações do atentado ao World Trade Center, em Nova York. Consagrado após apenas duas obras, ele conseguiu acesso a Hollywood e fez 21 Gramas, com o porto-riquenho Benicio Del Toro e Naomi Watts. O filme também foi aclamado. Em 2006, com Babel, o terceiro trabalho da dupla, ele venceu o Festival de Cannes.
PREMIOS:
·         Prêmio da Crítica no Festival de Cannes, por Amores perros (2000)
·         Prêmio da Crítica na Mostra Internacional de São Paulo, por Amores perros (2000)
·         Ganhou o BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro, por Amores perros (2000)
·         Palma de Ouro em Cannes como Melhor Diretor por Babel (2006)
Filmes:
Amores Brutos (Amores Perros)
Em plena Cidade do México, um terrível acidente automobilístico ocorre. A partir deste momento, três pessoas envolvidas no acidente se encontram e têm suas vidas mudadas para sempre. Um deles é o adolescente Octavio (Gael García Bernal), que decidiu fugir com a mulher de seu irmão, Susana (Vanessa Bauche), usando seu cachorro Cofi como veículo para conseguir o dinheiro para a fuga. Ao mesmo tempo, Daniel (Álvaro Guerrero) resolve abandonar sua esposa e filhas para ir viver com Valeria (Goya Toledo), uma bela modelo por quem está apaixonado. Também se envolve no acidente Chivo (Emilio Echevarría), um ex-guerrilheiro comunista que agora atua como matador de aluguel, após passar vários anos preso. Ali, em meio ao caos, ele encontra Cofi e vê a possibilidade de sua redenção.
Direção: Alejandro G. Iñárritu
Ano: 2000
Áudio: Espanhol/Legendado
Duração: 145 minutos

21 Gramas
A exemplo do filme anterior de Arriaga e González Iñarritu, Amores brutos (2000), 21 Gramas entrelaça vários enredos, ao redor das consequências de um trágico acidente automobilístico. Penn interpreta um matemático acadêmico em estado crítico de saúde, Watts interpreta uma mãe ferida pelo luto, e del Toro interpreta um ex presidiário, convertido ao cristianismo, cuja fé é impiedosamente testada, com o resultado do acidente.
21 Gramas é apresentado em uma estrutura não-linear, onde as vidas dos personagens são retratadas antes e depois do acidente. Cada um dos três personagens principais tem 'passado', 'presente' e 'futuro', os quais são mostrados como fragmentos não-lineares que pontuam elementos da história como um todo, todos aproximando-se um dos outros e aderindo-se enquando a estória avança.
O título refere-se a uma teoria propagada na pesquisa de 1907 do físico dr. Duncan MacDougall, que se propunha a fornecer evidências científicas da existência da alma humana, através do registro de uma pequena perda de massa corpórea (representando a partida da alma) imediatamente após a morte. A pesquisa, mostrou grandes variações de resultados (21 gramas é uma quantia arbitrária; os verdadeiros resultados de MacDougall não apresentaram média confiável), e foram firmemente rejeitados pela comunidade científica, mesmo em sua época. O filme apresenta as descobertas de MacDougall como aceitas cientificamente em forma de licença poética.
Direção: Alejandro G. Iñárritu
Ano: 2003
Áudio: Dublado
Duração: 119 minutos

Babel
Um ônibus repleto de turistas atravessa uma região montanhosa do Marrocos. Entre os viajantes estão Richard (Brad Pitt) e Susan (Cate Blanchett), um casal de americanos. Ali perto os meninos Ahmed (Said Tarchani) e Youssef (Boubker At El Caid) manejam um rifle que seu pai lhes deu para proteger a pequena criação de cabras da família. Um tiro atinge o ônibus, ferindo Susan. A partir daí o filme mostra como este fato afeta a vida de pessoas em vários pontos diferentes do mundo: nos Estados Unidos, onde Richard e Susan deixaram seus filhos aos cuidados da babá mexicana; no Japão, onde um homem (Kôji Yakusho) tenta superar a morte trágica de sua mulher e ajudar a filha surda (Rinko Kinkuchi) a aceitar a perda; no México, para onde a babá (Adriana Barraza) acaba levando as crianças; e ali mesmo, no Marrocos, onde a polícia passa a procurar suspeitos de um ato terrorista.
Direção: Alejandro G. Iñárritu
Ano: 2006
Áudio: Inglês, Espanhol, árabe.../Legendado
Duração: 144 minutos

Biutiful
Catalunha. Uxbal (Javier Bardem) coordena vários negócios ilícitos, que incluem a venda de produtos nas ruas da cidade e a negociação do trabalho de um grupo de chineses, cujo custo é bem menor por não serem legalizados e viverem em condições precárias. Além disto, ele possui o dom de falar com os mortos e usa esta habilidade para cobrar das pessoas que desejam saber mais sobre seus entes que partiram há pouco tempo. Uxbal precisa conciliar sua agitada vida com o papel de pai de dois filhos, já que a mãe deles, Marambra (Maricel Álvarez), é instável. Até que, após sentir fortes dores por semanas, ele resolve ir ao hospital. Lá descobre que está com câncer e que tem poucos meses de vida.
Direção: Alejandro G. Iñárritu
Ano: 2011
Áudio: Dublado
Duração: 148 minutos

Documentário:
11 de Setembro (11’9″01 – September 11)
Após os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, o produtor artístico Alain Brigand pediu a 11 diretores que contribuíssem cada um com um curta-metragem para uma coletânea que seria exibida internacionalmente. Inspirados naquele dia, todos os realizadores tiveram liberdade artística para refletir sobre o atentado, obedecendo à duração de 11 minutos, 9 segundos e 1 frame - ou 11'09''01.
Onze curta-metragens abordando diversos aspectos dos ataques terroristas aos Estados Unidos, ocorridos em 11 de setembro de 2001. Danis Tanovic e Ken Loach relacionam a data do atentado a outros acontecimentos. Tanovic lembra-se do dia 11 de julho de 1995, quando ocorreu o massacre em Srebrnica e Loach rememora que Salvador Allende foi deposto do governo chileno em 11 de setembro de 1973. Idrissa Ouedraogo realizou uma comédia reflexiva sobre Burkina Faso. Samira Makhmalbaf mostra uma professora que tenta explicar o ataque a um grupo de crianças. Sean Penn evoca a vida de uma viúva que morava à sombra das duas torres desabadas. Claude Lelouch descreve as reações de vários surdos ao evento ou que testemunharam o evento. Shonei Imamura recorre às memórias japonesas da Segunda Guerra Mundial e Mira Nair mostra os problemas das minorias étnicas. Amos Gitai dá a sua interpretação sobre o papel da mídia em uma informação de significado internacional. Alejandro González Iñárritu apresenta 11 minutos de preces na escuridão, enquanto Youssef Chahine reflete a perspectiva do Oriente Médio.
Direção: Alejandro González Iñárritu, Youssef Chahine, Amos Gitai, Shohei Imamura, Claude Lelouch, Ken Loach, Samira Makhmalbaf, Mira Nair, Idrissa Ouedraogo, Sean Penn, Danis Tanovic
Ano: 2002
Áudio: espanhol, inglês, francês, árabe, hebraico, persa/Legendado
Duração: 128 minutos