"Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento." Carlos Bernardo González Pecotche

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sábado, 28 de julho de 2012

Guerra Sem Cortes

Por meio do plano-sequência, diretores de cinema aproximam o espectador de grandes dramas históricos.

     A obra de arte tem muitas vezes a capacidade de transportar as pessoas numa autêntica viagem que parece suspender o tempo e cancelar o espaço ao seu redor. Se isto é verdade para a leitura de uma obra literária ou a audição de um concerto de música, confirma-se com mais vigor ainda quando assistimos a um filme. A câmera substitui o nosso olhar e nos faz encontrar pessoas, percorrer lugares, viver situações. Nós vemos e vivemos o que a câmera vê e filma. A edição recorta e cola sequências, produzindo o efeito final da sucessão das cenas. O espectador parece viver dentro da tela.
     O efeito, contudo, é impressionante quando o cinema se serve de uma técnica que assemelha ainda mais a arte à vida: o plano-sequência, isto é, a filmagem direta e sem cortes de uma sequência de cenas. Uma das mais recentes produções cinematográficas que recorrem a esta técnica é o espetacular "Arca Russa", do diretor Alexandr Sokurov, uma verdadeira viagem pelos salões do museu Hermitage de São Petersburgo, que corresponde também a uma viagem pela história russa, através de três séculos: tudo em um único plano-sequência, de cerca de 90 minutos.
     Entre muitos filmes que lançam mão do plano-sequência, há dois que o fazem para retratar o drama da guerra e o desastre que ela provoca, mesmo quando a batalha foi vitoriosa. O primeiro é um filme de 2007, "Desejoe Reparação" ("Atonement", na versão original), dirigido pelo britânico Joe Wright. Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme dramático em 2008, o longa é uma adaptação do livro homônimo do também britânico Ian Mc Ewan, que discute sentimentos de amor, culpa e arrependimento, tendo como pano de fundo a sociedade inglesa da primeira metade do século XX.
     O ponto alto da película é um impressionante plano-sequência de cerca de quatro minutos, que mostra o protagonista, Robbie, e dois companheiros de armas na praia francesa de Dunquerque, em 1940, durante a retirada das tropas inglesas que foram para o continente lutar contra o avanço nazista sobre Paris, no começo da Segunda Guerra Mundial. A sequência se refere a um momento daquela que foi chamada de Operação Dínamo, e que consistiu na evacuação do porto de Dunquerque, e das praias ao redor da cidade, de milhares de soldados da Força Expedicionária britânica e de países aliados (entre final de maio e início de junho, sob intenso bombardeio inimigo, foram evacuados mais de 300 mil homens). A ofensiva alemã não dava mais chances de luta às tropas aliadas, que, encurraladas em poucos quilômetros de litoral, só podiam ser resgatadas pelo mar.
     O filme, no plano-sequência em questão, mostra Robbie em sua peregrinação pela praia, em busca de uma saída, e assim somos apresentados ao drama de milhares de soldados acuados naquele pequeno espaço vital, como ele. A câmera acompanha o protagonista e seus companheiros esbarrando com esta situação, aparentemente sem salvação. Há quem chore, quem brigue, quem beba e quem tente eliminar todas as potenciais presas dos nazistas, como cavalos e veículos. Um grupo de soldados, num coreto, entoa um hino religioso, talvez numa tentativa de transmitir força e esperança ao resto das tropas. Ao redor, somente máquinas de guerra inservíveis, areia, fumaça e até uma espectral roda gigante, paradoxal símbolo de uma diversão agora impossível. O resultado é um sugestivo exercício cinematográfico, aliado a mais uma exposição do que é o homem diante de uma condição extremada como a guerra.
     Ainda restando no âmbito da cinematografia britânica, outro plano-sequência memorável sobre um evento bélico se encontra quase no final do filme "Henrique V", dirigido por Kenneth Branagh. Realizado em 1989, é uma adaptação para o cinema da homônima peça de Shakespeare. O longa reconstrói a jornada do rei inglês, interpretado pelo próprio Branagh, em sua luta contra os franceses, durante a Guerra dos Cem Anos. A sequência se refere aos momentos sucessivos à batalha de Azincourt, no norte da França, travada em 25 de outubro de 1415, dia de São Crispim, entre o exército inglês (15 mil homens) e as muito mais numerosas tropas francesas (cerca de 50 mil). Shakespeare (Branagh também) põe na boca de Henrique V um breve discurso na véspera da batalha: "Aquele que sobreviver esse dia e chegar à velhice, a cada ano, na véspera desta festa, convidará os amigos e lhes dirá: "Amanhã é São Crispim". E então, arregaçando as mangas, ao mostrar-lhes as cicatrizes, dirá: "Recebi estas feridas no dia de São Crispim." O confronto se deu num terreno transformado em atoleiro pelas fortes chuvas, mas onde a habilidade dos arqueiros britânicos se sobressaiu, permitindo a derrota do exército inimigo, que sofreu perdas enormes.
     A vitória inglesa é celebrada através de um canto religioso, o “Non Nobis, Domine” ("Não a nós, Senhor"), que atribui somente a Deus a glória pelos sucessos humanos, nesta circunstância o triunfo em batalha. Entoada por um único soldado no começo da sequência, a música é cantada por cada vez mais vozes, transformando-se num crescendo ao longo do plano-sequência, durante o qual o espectador acompanha Henrique V. O rei, embora esgotado pela luta, ainda encontra forças para carregar nos ombros um jovem soldado morto e atravessar todo o campo de batalha, em meio a lama, sangue, feridos e cadáveres, lanças e flechas, até conseguir depor o corpo perto da bandeira inglesa. Como um triste cortejo, soldados exaustos acompanham os passos do rei, numa mistura de sentimentos, onde ao orgulho pela vitória se sobrepõe a consciência de que se tratou de um verdadeiro milagre divino e que mesmo assim custou demasiadas vidas humanas. Aqui o espectador também é transformado em mais um soldado do exército inglês, participando dos momentos finais daquela histórica batalha.
 Arca Russa (Russian Ark 2002)
Um museu como um ser vivo, uma entidade que respira e tem personalidade própria. Sokúrov empresta alma ao colossal palacete do Hermitage, em São Petersburgo, um dos maiores museus do mundo. Arca Russa foi filmado em um único plano-sequência, sem cortes, que dura 97 minutos e atravessa 35 salas do museu, transformando a tela de cinema em um quadro vivo por onde desfilam personagens importantes da história da Rússia: Pedro, o Grande; Catarina, a Grande; Catarina II, Nicolau e Alexandra.
Simbiose perfeita de cinema, história e artes plásticas, Arca Russa é uma experiência visual única e inesquecível.
Direção: Aleksandr Sokurov
Ano: 2002
Áudio: Russo/legendado
Duração: 95 min
Tamanho: 292 MB
Henrique V (Henry V 1989)
Esta é uma das melhores transposições para o cinema de uma das obras-primas do maior escritor de língua inglesa de todos os tempos, William Shakespeare, realizada por um especialista no assunto, o diretor e ator Kenneth Branagh. Trata-se da história de Henrique V (Branagh), da Inglaterra que entra em guerra contra a França, comandando um exército com menor número de soldados. Indicado ao Oscar de Melhor Diretor e Ator e vencedor do Oscar® de Melhor Figurino.
Direção: Kenneth Branagh
Ano: 1989
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 132 min
Tamanho: 392 MB




Desejo e Reparação (Atonement 2007) 
Em 1935, no dia mais quente do ano na Inglaterra, Briony Talles (Romola Garai) e sua família se reúnem num fim de semana na mansão familiar. O momento político é de tensão, por conta da 2ª Guerra Mundial. Em meio ao calor opressivo emergem antigos ressentimentos familiares. Cinco anos antes, Briony, então aos 13 anos, usa sua imaginação de escritora principiante para acusar Robbie Turner (James McAvoy), o filho do caseiro e amante da sua irmã mais velha Cecília (Keira Knightley), de um crime que ele não cometeu. A acusação na época destruiu o amor da irmã e alterou de forma dramática várias vidas.
Direção: Joe Wright
Ano: 2007
Áudio: Português
Duração: 123 min
Tamanho: 432 MB

quarta-feira, 11 de julho de 2012

II Guerra Mundial (1939-1945)

Aprendendo com o inimigo
Lendas e mitos sobre a Força Expedicionária Brasileira ofuscaram a compreensão das dificuldades da campanha.

     O distintivo da Cobra Fumando costuma ser exibido com orgulho pelos veteranos da Força Expedicionária Brasileira. Nas fotografias feitas logo após a Segunda Guerra Mundial, os combatentes mostram uma postura altiva e marcial. Mas o aspecto bem-sucedido dos soldados brasileiros oculta uma série de imprevistos e improvisos que fizeram parte da trajetória da FEB na guerra.
     Antes de entrar em ação, a capacidade de combate foi duramente questionada. Até mesmo o general Mascarenhas de Moraes (1883-1968), comandante da FEB, reconheceu problemas de organização e treinamento do contingente. Mas o despreparo inicial foi compensado pelo bem executado processo de indução dos soldados ao Exército, sob uma liderança capaz.
     A instrução dos brasileiros foi realizada em várias etapas, desde a incorporação dos recrutas e voluntários no Brasil – quando recebiam treinamento nos quartéis do pré-guerra – até estágios emergenciais de treinamento na Itália, antes do batismo de fogo. No dia 8 de novembro de 1944, uma nota da Infantaria fornecia orientações para o treinamento dos pelotões de fuzileiros no ataque, juntamente com técnicas de lançamento de granadas de mão e esgrima com baionetas. Na véspera do engajamento no front, o comando da FEB se esforçava para incutir noções básicas de conduta em combate a fim de melhorar as condições de sua tropa. Mas esse esforço não foi suficiente: após os primeiros combates em Monte Castello, no final de 1944, o comando da divisão expedicionária emitiu uma nota de instrução, em 15 de janeiro de 1945, resignando-se e reconhecendo a urgência de métodos para renovar as habilidades táticas dos pelotões da Infantaria brasileira.
     Nos primeiros meses de 1945, a Infantaria Expedicionária passou a treinar táticas de infiltração, que foram empregadas no ataque final contra Monte Castello, realizado no dia 21 de fevereiro daquele ano. Um conhecido aforismo militar apregoa que o melhor instrutor é o próprio inimigo, e os brasileiros se beneficiaram tanto da instrução intensiva ministrada no front quanto da prática em combate.
     Mesmo com o treinamento preliminar e o aprendizado nas montanhas italianas, era imprescindível manter a prática de exercícios de campo meses depois da estreia em combate. No início de abril de 1945, os veteranos passaram a realizar programas semanais de educação física, aulas sobre patrulhas noturnas e sobre como proceder no caso de alguém cair prisioneiro. Os exercícios eram conduzidos em dois turnos, na vizinhança das trincheiras, permitindo que um se mantivesse nas posições enquanto o outro recebia a instrução. Isto era necessário para adequar a tropa à realidade dos combates.
     O sucesso da FEB, portanto, é explicado pelo profissionalismo militar. A rápida assimilação de conhecimentos e habilidades capacitou toda a tropa, que pôde planejar e executar as operações – inclusive o aparato tecnológico –, reagindo ao imprevisto causado pelo inimigo.
     Outro motivo da saída vitoriosa da FEB é a qualidade de seus soldados. Apesar de os instrutores americanos terem avaliado negativamente a preparação preliminar dos brasileiros, esses mesmos instrutores os consideraram inteligentes e motivados. Além de oficiais de carreira, a divisão brasileira contou com muitos tenentes de Infantaria provenientes dos Centros de Preparação dos Oficiais da Reserva (CPOR). Eles eram mais numerosos do que os oficiais da ativa em várias das unidades de Infantaria.
     Sargentos, cabos e soldados eram majoritariamente de origem urbana, alfabetizados, e apresentavam robustez e resistência física, a ponto de a FEB precisar confeccionar uniformes maiores que ao do fardamento normal do Exército. Do total de praças, 80,7% eram originários das regiões Sul e Sudeste do país. Os convocados oriundos do Nordeste, escolhidos por suas ótimas condições de saúde e grau de instrução, eram, na maioria, estudantes que serviram como cabos e sargentos, incorporados para suprir a deficiência de graduados experientes. No total, cerca de 25.500 brasileiros compuseram a FEB.
      Apesar dessas constatações, as narrativas sobre a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial permanecem imbuídas de uma variedade de anedotas e mitologias. O episódio foi responsável por suscitar crenças nas supostas qualidades de uma excepcionalidade brasileira pretensamente capaz de dominar as mais duras adversidades a partir de “saberes inerentes”.
     Estariam os brasileiros, portanto, dispensados de aprender de acordo com as regras dos gringos sem jogo de cintura, sendo capazes de vencer as durezas da guerra unicamente com as soluções de arremedo inventadas no calor do momento. Nada de manual de campanha e instrução convencional! Pelo menos é o que dizem várias das narrativas ufanistas. Uma das mais conhecidas se refere à artimanha brasileira para conter o problema do “pé de trincheira”, o congelamento dos pés: em vez de limpeza constante e troca das meias, os soldados da FEB teriam sido capazes de erradicar a moléstia inserindo palha nas galochas de inverno fornecidas pelo Exército americano. Entretanto, os próprios registros médicos da FEB revelam que a quantidade de pé de trincheira entre os brasileiros foi ligeiramente maior que a das demais divisões do Exército americano ao qual o contingente brasileiro foi incorporado. Ainda assim, a lenda sobre a palha ainda é repetidamente alardeada.
     Outra das anedotas mais reproduzidas diz respeito ao suposto “medo” que os combatentes alemães sentiam das armas brancas empregadas pelos brasileiros, embora fossem raríssimas as oportunidades de se aproximarem do inimigo durante o combate para que houvesse a chance de se utilizar a baioneta ou a faca de trincheira – havia outros recursos mais eficazes prontamente disponíveis, como os fuzis e as metralhadoras. Por exemplo, José de Oliveira Ramos, oficial médico da FEB, aponta que, dos 1.862 ferimentos que contabilizou entre brasileiros, apenas três foram causados em combate corpo a corpo.
     É certo que as narrativas dos correspondentes de guerra, que raramente tiveram a oportunidade de ir à linha de frente, contribuíram para a profusão de anedotas. O jornalista Joel Silveira escreveu sobre um sargento brasileiro que teria conseguido se livrar de um cerco dos alemães “de ‘lambedeira’ na mão e dando berros de insano”. Já o veterano Leonercio Soares, que realmente teve a chance de combater contra os alemães, tinha outro ponto de vista: “destros em esgrima a baioneta, não seria uma insignificante faca que os iria intimidar”.
     É natural que tenha surgido uma série de fábulas como essas. Toda unidade militar precisa reforçar seu moral para o combate e instigar o espírito de corpo, e as bravatas são uma parte importante neste processo. Mas é interessante perceber como as narrativas mais exacerbadas da FEB na Itália remetem a elementos da cultura nacional sem relação com a Segunda Guerra e se aproximam da celebração do “jeitinho” brasileiro de resolver problemas. A criatividade seria o recurso empregado para que pudessem ser superadas as dificuldades de origem. A bugiganga tecnológica americana inventada para os rigores do inverno teria sido superada pela gambiarra com palha. O combativo militar alemão teria sido vencido pela “malandragem” de carregar peixeiras.
     O ímpeto do avanço brasileiro sobre o vilarejo de Montese foi preocupante para os alemães, gerando a maior concentração de artilharia na jornada de combates do dia 14 de abril de 1945. As baixas neuropsiquiátricas da FEB foram semelhantes às das divisões americanas na Itália – cerca de 350 de um grupo de 15.000 homens em oito meses de combate – o que mostra que os soldados brasileiros estiveram tão expostos aos rigores do front quanto seus companheiros de armas das divisões americanas.
     A FEB concluiu a campanha como um importante elemento no avanço Aliado pelo norte da Itália. Nos combates que antecederam a rendição de Fornovo, quando 14.779 alemães e italianos se tornaram prisioneiros em dois campos instalados pelos brasileiros, a taxa de baixas fatais entre o inimigo foi cinco vezes maior do que as perdas do Brasil.
     Mas, mesmo com as recentes pesquisas feitas a partir da documentação de campanha – estudos de campo e narrativas e diários de combatentes –, a ideia do “jeitinho de fazer a guerra” continua em voga. Tanto o triunfalismo quanto o provincianismo dos combatentes brasileiros ainda contribuem para consolidar uma imagem pueril da experiência de guerra vivida pela FEB, ao darem a impressão de que o improviso bastou para derrotar um inimigo calejado e senhor do terreno.

Cesar Campiani Maximiano é autor de Barbudos, Sujos e Fatigados. São Paulo: Grua Livros, 2010.
Saiba Mais - Bibliografia
FERRAZ, F.C. Os Brasileiros e a Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
MASCARENHAS DE MORAES, J.B. A FEB pelo seu Comandante. Rio de Janeiro: Bibliex, 2003.   
MAXIMIANO,C.C.; Bonalume Neto, R. Brazilian Expeditionary Force in WWII. Londres: Osprey Publishing, 2011.
OLIVEIRA, D. Os Soldados Alemães de Vargas. Curitiba: Juruá, 2008.

Apocalipse - Redescobrindo A Segunda Guerra Mundial
A série narra a história da Segunda Guerra Mundial utilizando imagens feitas por cinegrafistas amadores; cenas ultrassecretas, mas já liberadas; e jornais cinematográficos que não foram exibidos naquela época.
As imagens redescobertas foram colorizadas para dar aos telespectadores a sensação de como foi vivenciar a guerra. A força da série consiste na tentativa de contar a história da Segunda Guerra Mundial de uma maneira nova, utilizando imagens singulares de uma forma que o público nunca viu antes. A série relata esse conflito terrível por meio do trágico destino de quem foi à guerra (soldados), de quem sofreu suas consequências (civis) e de quem a comandou (chefes militares e políticos). A guerra matou 50 milhões de homens e mulheres no mundo todo – e foi a primeira da história com tantas vítimas civis quanto baixas militares.

Direção: Daniel Costelle e Isabelle Clarke
Ano: 2009
Áudio: Português
Duração: 47 min./cada episódio
Episódio I -A Agressão Nazista
Após tomar o poder e estabelecer o regime nazista na Alemanha, Hitler volta seus olhos para a Europa. Inesperadamente, o "Fuhrer" forma uma aliança com Stalin antes de invadir a Polônia. A França e a Grã-Bretanha não têm outra escolha e declaram guerra contra a Alemanha, o que não impede os alemães e soviéticos de calmamente dilacerar a Polônia.
Começa a perseguição aos judeus e ciganos. Mais ao Ocidente, a "guerra falsa" começa - um período de espera, incerteza e também de esperança. Lembrando o sofrimento pelo qual passaram durante a Primeira Guerra Mundial, os franceses ainda esperam evitar a guerra.
Episódio II- A Guerra Relâmpago
Em 10 de maio de 1940, tem início a "Blitzkrieg" (guerra-relâmpago). O exército alemão movimenta-se rapidamente pela Bélgica, Holanda e França. Após alguns ataques violentos, as tropas britânicas entram em pânico e o exército francês é derrotado. Aos civis cabe fugir, criando um verdadeiro êxodo.
A França fica sem forças diante do poderoso inimigo e seu povo tem de escolher entre colaborar com Petain ou resistir de acordo com o ideal de Churchill. Apesar dos fortes bombardeios em cidades britânicas, Hitler finalmente percebe que não pode dominar o Reino Unido e então resolve se voltar contra a União Soviética, sua "aliada".
Episódio III- Pesadelo Alemão
Paris é ocupada, bem como a maioria das capitais europeias. A exceção é Londres, que resiste aos submarinos e bombardeios alemães. Churchill se recusa a ceder. Muito preocupado com o rearmamento americano, Hitler resolve atacar a União Soviética para completar seu domínio na Europa antes que os Estados Unidos possam intervir no continente europeu. Trata-se de um novo jogo para ele. Porém, empolgado com suas vitórias, o "Fuhrer" é convencido que pode conquistar a Rússia de Stalin em três meses.
Passando pelos países bálticos e pela Ucrânia, onde os alemães inicialmente são recebidos como libertadores, a "Wehrmacht" (Forças Armadas alemãs) executa uma verdadeira guerra de extermínio contra os judeus-bolchevistas. Inesperadamente, e com a ajuda do mau tempo, os soviéticos se defendem heroicamente.
É o começo de um longo pesadelo para os soldados alemães. A "Wehrmacht", que chegou perto de Moscou, fica paralisada, tal com na África, onde o general Rommel, que tinha ído ajudar os italianos, é seriamente desafiado pelos aliados. Com o ataque surpresa dos japoneses em Pearl Harbor, a guerra se torna mundial.
Episódio IV- Momentos Decisivos
Após o ataque surpresa em Pearl Harbor, Roosevelt declara guerra contra o Japão. A guerra se torna mundial. Apesar de sua brava resistência, as forças aliadas não são capazes de diminuir o avanço tempestuoso do Exército japonês no sudeste da Ásia. Até mesmo a Índia e a Austrália correm perigo.
A derrota japonesa em Midway, seguida pelo desembarque americano em Guadalcanal, são os primeiros sinais de esperança, mas também o começo de longas e sangrentas batalhas no "inferno verde" da floresta. Enquanto isso, a resistência começa a se organizar na Europa e no norte da África.
Seus ataques aumentam e os bombardeiros britânicos começam a espalhar o terror pela Alemanha. Ainda assim, nada parece ser capaz de deter as tropas de Hitler. Rommel está na fronteira do Egito e a suástica voa sobre a cidade de Stalingrado. A "Solução Final" leva ao extermínio dos judeus.
Episódio V -O Dia D
The Great Landings (1944) O Dia D na Normandia e em Saipan, no Pacífico, praticamente no mesmo dia.
Episódio VI -O Apocalipse
1944: os aliados desembarcam na Itália, mas seu avanço é detido pela Wehrmacht (Forças Armadas alemãs), protegida atrás da "Gustav Line" (Monte Cassino). Na Normandia e em Siapan, no Pacífico, os aliados organizam simultaneamente o maior desembarque da história.
Nesta dura batalha entre os aliados e as forças do Eixo, civis dos dois lados do planeta pagam o maior preço. Em 20 de julho, Hitler milagrosamente escapa de um atentado. A repressão é cruel e a SS assume o total controle da Alemanha. Em Ardennes, o último contra-ataque iniciado por Hitler para repelir os aliados falha, em partes graças ao comportamento heroico dos soldados.
No leste, o Exército Vermelho continua avançando e chega em Berlim. Nada mais pode salvar a Alemanha, nem mesmo suas armas secretas, o V1 e V2. Hitler comete suicídio. No Pacífico, os kamikazes atacam a frota americana e o Exército japonês, fanático como nunca, luta até o seu último homem.
Para acabar definitivamente com o Império do Sol Nascente, mas evitar um desembarque no Japão, que seria incrivelmente sangrento, os americanos lançam a bomba atômica. É o apocalipse.

Rompendo o Silêncio (Broken Silence)
Série de cinco documentários de média-metragem sobre o Holocausto, dirigidos por cinco grandes cineastas: Luis Puenzo, Pavel Chukhraj, János Szász, Vojtech Jasny e Andrzej Wajda. Produzidos por Steven Spielberg e baseados em documentos pertencentes à instituição "Survivors of the Shoah Visual History Foundation", também de Spielberg, "Rompendo o Silêncio" é um emocionante painel que retrata os horrores do Holocausto na Segunda Grande Guerra, sob o ponto de vista de quem o vivenciou de perto... e sobreviveu para alertar o mundo. Cada filme traz impressionantes imagens dos arquivos da época (algumas raras, em cores), que nos levam a reavaliar os valores de toda uma civilização. Um autêntico documento histórico.
Ano: 2002
Áudio: legendado
Duração: 55 min./cada documentário
 I-"Olhos do Holocausto"
O diretor húngaro János Szász (Woyzeck) enfatiza, em Olhos do Holocausto, a experiência do horror a partir da leitura de verbetes de uma enciclopédia, destacando palavras como "antissemitismo", "deportação" e "crematório", sempre enfatizando a experiência de sobreviventes que eram crianças à época. Esta obra de valor insuspeito é imprescindível para qualquer espectador que queira entender melhor a história recente.
II-"Alguns que Viveram"
O diretor argentino Luis Puenzo (A História Oficial) realizou Alguns que Viveram, que mostra como a Argentina, sob o governo simpatizante de Juan Perón, abriu suas portas para criminosos de guerra, deixando claro que "o Holocausto pode acontecer de novo em qualquer lugar", como reafirma o historiador Haim Avni, que assessorou Puenzo.
III-"Crianças do Abismo"
O russo Pavel Chukhraj (O Ladrão), em Crianças do Abismo, sentiu-se pleno ao relatar o drama de crianças e adolescentes que presenciaram a morte de seus pais e foram obrigados a sobreviver sozinhos. Os sobreviventes do Holocausto, detalham suas experiências de resistência, traição, resgate e o desejo de vingança.
IV-"Eu Me Lembro"
Já o polonês e veterano Andrzej Wajda (As 200 Crianças do Dr. Korczak), com Eu me Lembro, registra, em preto-e-branco e sem narração, o depoimento contundente de quatro sobreviventes que foram ajudados ou traídos por seus vizinhos poloneses. Destaque para as imagens do papa João Paulo 2° diante do Muro das Lamentações, em Jerusalém.
V-"Inferno na Terra"
O tcheco Vojtech Jasny escolheu Inferno na Terra como título de seu segmento, "um filme de horror", pois aquele "foi um período em que os demônios da mente humana escureceram o mundo"; Jasny dirigiu esta impressionante visão sobre Theresienstadt, o gueto "modelo", montado pelos nazistas para enganar o mundo sobre as condições de tratamento dos judeus. Depois que seu pai foi morto no campo de Auschwitz, trabalhou como espião para os aliados.

sábado, 30 de junho de 2012

Especial - Akira Kurosawa

A poderosa sombra do símbolo
Por meio de imagens belíssimas, 'Kagemusha, a sombra do samurai' narra a disputa pelo poder entre três clãs durante a guerra civil japonesa, no século XVI.
"É preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão". A frase é de outro filme – O Leopardo, de Luchino Visconti -, mas pode ser usada para descrever o ambiente que Akira Kurosawa brilhantemente dirige em “Kagemusha, a sombra do samurai”. Na película, Kurosawa narra o conturbado período de guerra civil japonesa nos anos de 1573 a 1575, devido à disputa entre três clãs (Nobunaga, Tokugawa e Takeda) pelo poder. O desejo dos grupos era dominar Kioto: a conquista da cidade significava a liderança por todo o território nipônico.  O filme - que contou com o apoio financeiro de Francis Ford Coppola e George Lucas – estreou em 1980, virou sucesso mundial em pouco tempo. Além de grande bilheteria, conquistou diversos prêmios, entre eles a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
     Parte das suas referências é real. Desde o século X aconteciam disputas sangrentas pela região. Em 1542, houve transformações que mudaram o caráter desses conflitos: a chegada dos mercadores portugueses com novas tecnologias de guerra. As primeiras armas de fogo foram introduzidas no combate, assim como uma nova religião com os jesuítas, mas nem todos os clãs incorporaram essas modificações. O clã Nobunaga aparece como aquele que se modernizou. Há uma cena que descreve bem essa apropriação do ocidente, em que o chefe e suas tropas saem dos seus domínios e há um padre rezando por eles. O senhor de guerra acena e responde com a palavra “Amém”.
     Partindo desse rico contexto, Kurosawa escolhe dar especial atenção ao clã Takeda. Após Shingen (Tatsuya Nakadai), chefe desse clã, ficar gravemente ferido, ele ordena aos seus conselheiros que, caso ele morra, a morte seja ocultada por pelo menos três anos. Exige ainda que não haja deslocamento na guerra, para que se preserve seus domínios. Com o seu falecimento, seus desejos são realizados. Para isso, eles se utilizam de um sósia, um ladrão que ia ser morto, mas que por sua semelhança com o falecido, termina sendo salvo e posto nesse lugar de extrema responsabilidade. O segredo deve ser mantido diante dos inimigos e do exército e membros de Takeda.
     A partir desse ponto, várias são as metáforas para indicar a imobilidade do clã. Kagemusha no Japão significa sombra. A palavra é bem curiosa. Diante desse mundo já descrito de intensas transformações, a sombra do líder permanece ali na figura do sósia. Todo um mundo mítico que já estava desaparecendo tenta ser recuperado pelos personagens, que querem preservá-lo mesmo que as mudanças sejam avalassadoras. O lema do clã - “Veloz como o vento, silencioso como a floresta, feroz como o fogo e imóvel como a montanha” - é bastante revelador, nesse sentido. As três primeiras qualidades se referem ao exército, mas a última é do chefe, que permanece imóvel olhando pelos seus amos. Embora Shingen seja realmente a figura mais poderosa do clã, ele é usado como um símbolo em torno do qual toda a velha ordem gira.
O sósia – que nunca nos é revelado o seu verdadeiro nome – deve permanecer projetando a figura da montanha. O ladrão é empurrado para viver esse papel, guiado pelo irmão do líder, Nobukado Takeda (Tsutomu Yamazaki) e um pequeno grupo de empregados. Apenas viver à sombra de seu líder é a orientação, agir como tal, enfrentar suas rotinas, imitar seus gestos, enganar amos como ele - e em alguns pontos do filme, é possível vê-lo se enganando. Os seus passos estão todos definidos. Para ele não resta nenhuma possibilidade de ação. É a total supressão de sua identidade a favor do clã que precisa ser preservado no nome da figura de Shingen. Devagar, no entanto, o kagemusha percebe que há uma enorme responsabilidade na sua figura, mas nada em suas mãos. A sombra nunca realmente entende o seu papel.
Kagemusha” chama atenção por sua fotografia belíssima. Legado de uma carreira artística do diretor que, antes de entrar no mundo do cinema, era um pintor muito talentoso. Algumas das cenas do filme foram inspiradas em suas pinturas: as cores das batalhas e os detalhes da cenografia de guerra refletem o tom e o traço dos pincéis. É uma história de guerra repleta de aventura, símbolos, ritos e tradições. É também um filme sobre um clã em decadência devido a sua resistência diante de um mundo em transformação. É uma obra-prima que discute muitos temas por meio de um período fascinante do Japão.
Ano: 1980
http://ul.to/p69uwv8uÁudio: Japonês/legendado
Duração: 180 minutos



Rapsódia em Agosto
O filme possui no seu elenco Richard Gere, representando o parente norte-americano de uma família japonesa, cuja avó Kane (Schiko Murase), a mulher mais velha da família, viu a bomba explodir e sofreu os efeitos da radiação. Os quatro adolescentes da família vão morar com a avó durante as férias, em Nagasaki enquanto seus pais viajam para o Havaí visitar um tio-avô doente. Após ouvirem o relato da avó a respeito da bomba, os adolescentes recebem a visita de seu primo norte-americano (Gere) que conta o outro lado da história marcado pelo arrependimento. Um arrependimento que se limita aos norte-americanos (certamente não todos) e não aos EUA, como república (uma das cenas mostra os adolescentes percebendo que entre todas as esculturas criadas para homenagear as vítimas da bomba de vários países do mundo, não há uma sequer do tio Sam).
Toda a história passa pelo drama de se decodificar não apenas a fragilidade de laços familiares, mas a sua vulnerabilidade perante tragédias como as de Nagasaki e Hiroshima. Para nós, ocidentais e orientais, fica a imaginação e o conhecimento de que hoje possuímos poder para repetirmos aquela mesma destruição várias vezes e em escalas muito maiores. Rapsódia em Agosto narra a explosão atômica não através de efeitos especiais ou com imagens de arquivo. É a história recontada não através de fatos – estes de conhecimento geral – mas através do olhar de quem viu as bombas caírem. Da cor triste de um episódio que deve ser lembrado não apenas para sabermos o quão longe podemos chegar, mas o quão perdidos ainda podemos estar.
Direção: Akira Kurosawa
Ano: 1991
http://ul.to/3ywaao26Áudio: Japonês/legendado
Duração: 98 minutos

Sonhos (Akira Kurosawa)
São oito segmentos. No primeiro, “A Raposa”, uma criança é avisada pela mãe que não deveria ir à floresta quando há chuva e sol, pois é a época do acasalamento das raposas, que não gostam de serem observadas. Mas ele desobedece aos conselhos e observa as raposas, atrás de uma árvore. Ao retornar para casa sua mãe não o deixa entrar e lhe entrega um punhal, dizendo que como ele havia contrariado a raposa ele deveria se matar, mas ela sugere algo que pode remediar a situação. Na segunda, “O Jardim dos Pessegueiros”, o irmão mais novo de uma família, ao servir chá para as irmãs, depara com uma moça que foge. Indo ao seu encalço, nota que ela é uma boneca e depara com os pessegueiros da sua casa totalmente cortados, restando só tocos. Os espíritos dos pessegueiros surgem para ele e, em uma dança melancólica, dizem que as bonecas são colocadas para enfeitar e festejar a florada dos pessegueiros, mas como eles não mais existem naquela casa não fazia sentido a presença das bonecas. Na terceira, “A Nevasca”, o líder de uma expedição, junto com seu grupo, se vê em meio a uma nevasca. Eles sucumbem a nevasca, mas repentinamente surge uma linda mulher que envolve o líder com uma echarpe prata. Ele percebe que ela é a morte, que se transforma em uma horrenda figura, então ele vê que está próximo do acampamento e tenta acordar os companheiros, mas não consegue. Ouve então uma corneta, indicando que o acampamento está mais próximo do que imagina. No quarto, “O Túnel”, ao entrar em um túnel o capitão de um exército é surpreendido por um cão, que ladra para ele. Atravessa então o túnel em curtos passos. Na saída ouve alguém caminhar e depara com um dos seus soldados morto em combate, que pensa não estar morto. No quinto conto, “Corvos”, um jovem pintor, ao observar as pinturas de Van Gogh, entra dentro dos quadros e se encontra com o pintor, que indaga por qual razão ele não está pintando se a paisagem é incrível, pois isto o motiva a pintar de forma frenética. No sexto conto, “Monte Fuji em Vermelho”, o Fuji entra em erupção ao mesmo tempo ocorre um incêndio em uma usina nuclear, provocado por falha humana. É desprendida no ar uma nuvem de radiação. Um homem relata ser um dos responsáveis pela tragédia e diz preferir a morte rápida de um afogamento à lenta provocada pela radiação. No sétimo, “O Demônio Chorão”, ao caminhar um viajante encontra um demônio, que lamenta ter sido um homem ganancioso e, como muitos, transformou a terra em um lastimável depósito de resíduos venenosos. No último, “Povoado dos Moinhos”, um viajante chega à um lugarejo conhecido por muitos como Povoado dos Moinhos. Lá não há energia elétrica e tampouco urbanização. Um idoso, ao ser indagado, relata que os inventos tornam as pessoas infelizes e que o importante para se ter uma boa vida é ser puro e ter água limpa.
Diretor: Akira Kurosawa
Ano: 1990
http://ul.to/muools5kÁudio: Japonês/Legendado
Duração: 119 Min.

Dersu Uzala (Akira Kurosawa)
O filme conta a história de um explorador (líder de uma expedição de levantamento topográfico na Sibéria) do exército russo, que é resgatado na Sibéria por um caçador Goldi (Dersu Uzala) que passa a servir-lhe de guia, dando início a uma forte amizade. Quando o explorador decide levar o caçador para a cidade, seus costumes se confrontam de forma esmagadora com o modo de vida burocrático na cidade, fazendo-o questionar diversos padrões da sociedade.
Dersu é um exemplo de humildade e sabedoria, e o filme mostra de maneira poética e sensível as diferenças culturais entre ele e o pesquisador russo. O diretor de fotografia aproveitou ao máximo as imponentes paisagens naturais da Sibéria e as registrou em belas imagens.
Numa das cenas inesquecíveis do filme, Dersu e o explorador russo se encontram em local aberto, uma estepe, quando uma nevasca os atinge. No frio siberiano (que pode atingir até 60º negativos), o russo se abate, quase que como entregue à morte certa. Dersu o convence a recolher os arbustos da estepe. Mesmo sem entender direito o significado do ato, este, cambaleante, faz o que Dersu lhe pede, até o esgotamento. Dersu então continua recolhendo a vegetação rala, que mais tarde se transformará numa pequena cabana, cavada na terra. Uma cena digna das melhores do cinema com relação ao embate entre natureza e sobrevivência.
Direção: Akira Kurosawa
http://ul.to/s5puu5whAno: 1975
Áudio: Russo/Legendado
Duração: 144 min

RAN
No Japão do século XVI, o senhor feudal Hidetora, patriarca do clã Ichimonji, aos 70 anos, decide dividir o reino entre os três filhos: Taro, Jiro e Saburo. Tarô, o mais velho, seguindo a tradição do patriarcado japonês, torna-se o líder do clã e recebe o Primeiro Castelo, centro do poder. Jiro e Saburo recebem, respectivamente, o Segundo e o Terceiro Castelo. Hidetora retém para si o título de “Grande Senhor” para permanecer com os privilégios, sem se responsabilizar com os deveres do cargo. Nos planos de Hidetora, Jiro e Saburo dariam apoio a Taro e os três, unidos, manteriam as conquistas da família, utilizando como exemplo, a parábola da flecha, de Motonari Mori, senhor feudal japonês que viveu entre 1497 – 1571.
Saburo contraria a ideia do seu pai, critica seu plano, lembrando-o da maneira como conquistou seus domínios, chamando-o de “velho tolo” ao esperar que seus filhos mantenham a lealdade a ele. Hidetora bane Saburo, entendendo essa reação como traição e também Tango, servo fiel que tenta persuadi-lo do erro que está cometendo. Porém, Hidetora segue adiante em sua decisão e o que ele vivencia é a destruição de sua família, a derrocada do poder e a violência descontrolada que atinge a todos, bons e maus. Ao presenciar o massacre que provocou, Hidetora enlouquece e vaga pelas ruínas como um fantasma, acompanhado de Tango e Kiyoami, o Bobo. Manipulando os dois irmãos, está Kaede, esposa de Taro e depois de sua morte, amante de Jiro. Kaede é a vingança personificada, cuja família foi derrotada e destruída por Hidetora, legitimando a posse de seus territórios, casando-a com seu 5 filho mais velho. Da mesma maneira, Jiro é casado com Sue, cuja família foi destruída por Hidetora, seu castelo queimado e seu irmão, Tsurumaru, cegado. Diferente de Kaede, Sue dedica-se ao budismo e perdoa seu sogro das atrocidades cometidas, atitude que Hidetora não consegue entender. Saburo e Hidetora reconciliam-se em vida, mas ambos morrem quando faziam planos para desfrutar de uma convivência pacífica.
Direção: Akira Kurosawa
Ano: 1985
http://ul.to/vymv7vtz
Áudio: Japonês/Legendado
Duração: 160 min