"Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento." Carlos Bernardo González Pecotche

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quinta-feira, 23 de junho de 2016

Era Vargas: 1930 - 1935

O período mais determinante da história brasileira no século XX é o assunto da coleção Era Vargas. Partindo da tomada do poder daquela que foi a personalidade brasileira mais marcante do século passado, o cineasta Eduardo Escorel aborda causas e consequências da transformação política que conduziu Getúlio Vargas à presidência, contextualizando os momentos marcantes do período, como o Tenentismo, a Revolta dos 18 do Forte, a chegada ao poder em 1930 e a Revolução Constitucionalista de 1932. Utilizando filmes inéditos e entrevistas atuais, a obra esclarece quais os fatores que facilitaram a ascensão de Vargas e como ele habilmente consolidou o seu poder, deixando um legado que definiu os rumos políticos e econômicos do Brasil pelas décadas seguintes. Era Vargas – De 30 a 35 é um documento definitivo para quem quer entender Brasil.
Para finalizar os documentários que vão de 1930 a 35, Escorel levou duas décadas. O diretor explica: “nesse tempo todo tudo muda, principalmente a concepção das coisas. E eu gosto de dizer que um trabalho como esse não é feito sozinho. Teve muita gente envolvida, muita pesquisa histórica. Ou seja, levamos 20 anos para contar cinco anos da história do Brasil”.

Direção: Eduardo Escorel
Ano: 1992
Áudio: Português
Duração: 196 minutos/Total
Parte 1 - 1930 - Tempo de Revolução / 48 minutos
Parte 2 - 1932 - A Guerra Civil / 48 minutos
Parte 3 - 1935 - O Assalto ao Poder / 98 minutos

Saiba Mais – Link

domingo, 28 de junho de 2015

E a selva venceu o capital

Fordlândia, a cidade da borracha inventada por um dos maiores empresários do mundo, fracassou na imensidão amazônica.
     Henry Ford tinha 40 anos quando, contando com 11 sócios e investimento inicial de US$ 28 mil, fundou a Ford Motor Company. O ano era 1903, e começava ali a trajetória de um dos empresários que ajudariam a elevar os Estados Unidos à posição de potência mundial. Seu nome ficou para sempre associado a uma revolução do capitalismo, mas o sucesso não o acompanhou quando tentou aventurar-se em uma audaciosa empreitada tropical. Na Amazônia, Henry Ford fracassou. 
     Uma das táticas bem-sucedidas do empresário consistia em tomar para si a produção dos insumos usados em suas fábricas, para depender o mínimo possível de fornecedores externos. Obter borracha natural era um problema: o monopólio dos britânicos sobre a oferta mundial do produto incomodava-o profundamente. Sob a influência de um de seus poucos amigos, Harvey Firestone (que se tornaria o líder dos pneus nos Estados Unidos por mais de oito décadas), Henry Ford passou a considerar ter a sua própria plantação de seringueiras. Mas onde plantar seringueiras? Que tal na região de onde as sementes das plantações britânicas no Sudeste asiático haviam sido furtadas? Foi assim que o homem mais rico do mundo decidiu possuir a maior plantação de seringueiras do mundo, na região do rio Tapajós, no Pará. 
     Os governos federal e estadual receberam com incontida satisfação a notícia dos investimentos, facilitando a instalação dos norte-americanos na Amazônia. A Companhia Ford Industrial do Brasil teve a sua escritura pública aprovada em 10 de outubro de 1927. Dois navios foram enviados para Santarém levando em seus porões tudo o que se imaginava necessário para a construção de uma cidade: tratores, geradores, enxadas, machados, britadeiras, equipamentos hospitalares, concreto, uma fábrica de gelo.  Curiosamente, não havia nenhum arquiteto, urbanista ou engenheiro sanitário na expedição inicial.
     Todo o planejamento foi feito pelos norte-americanos em Michigan, e o resultado foi uma sequência de erros. Os primeiros gestores sentiram na pele os efeitos de não terem estudado a realidade local: em um acampamento sem higiene, proliferavam as moscas nos refeitórios e os mosquitos nos dormitórios. O recrutamento de mão de obra era um entrave. Não havia na região homens em quantidade e com formação profissional suficiente para operar e realizar a manutenção de máquinas, como tratores, serras elétricas e caldeiras. Entre os contratados, o clima dócil logo evaporou. Diante da qualidade ruim da comida servida (diferente da que recebiam os norte-americanos) e do tratamento cada vez mais insultuoso (à base de gritos e humilhações), acendeu-se o estopim para a primeira revolta: os trabalhadores ameaçaram os norte-americanos com facões e machados. Não houve feridos, mas o trauma nunca seria superado pelos estrangeiros. Fez-se ali a primeira mudança no corpo diretivo da Companhia. Entre 1928 e 1930, viriam outras três.
     Não bastassem os problemas locais, houve os impactos da crise global de 1929. Nos Estados Unidos, a Ford Motor Company amargou uma queda de quase 50% na produção de automóveis. Mesmo diante dessa nova realidade, Henry Ford garantiu recursos para que o projeto seguisse adiante. Ao final de 1930 surgia Fordlândia, um projeto de plantação de seringueiras em uma pequena cidade de aparência norte-americana, com seus hidrantes vermelhos nas calçadas, em plena selva amazônica. Mas as riquezas imaginadas por Henry Ford estavam longe de se concretizar: as seringueiras não produziam borracha (inicialmente por serem jovens demais, depois, por conta de ataques de fungos e de insetos), os minérios e as pedras preciosas não foram encontrados, e a madeira, único produto rentável, era agora taxada pelo governo paraense.
     Tantas insatisfações se refletiram na relação dos patrões com os funcionários. Os estrangeiros achavam os brasileiros preguiçosos e passaram a chamá-los com apelidos relacionados à cor da pele e à baixa estatura – foi comum o uso do termo “demente”. Enquanto isso, o Departamento Sociológico tentava “civilizar” os trabalhadores, impondo-lhes restrições ao modo de vida. Visitavam as residências para verificar condições de higiene, preparação da comida, lavagem e secagem das roupas, se as vacinas estavam em dia. Chegavam a ponto de indagar sobre a vida sexual do casal. Outra questão que irritava os brasileiros era a obrigatoriedade de comer apenas comida genuinamente norte-americana. O peixe e a farinha não se encontravam disponíveis nos refeitórios, mas derivados de soja (leite, doces, margarinas) vindos dos Estados Unidos eram frequentes nos cardápios.
     Em dezembro de 1930 irrompeu a segunda revolta dos brasileiros. Os norte-americanos foram ameaçados por trabalhadores portando porretes, facões e machados. De novo, sem feridos. Mas nas instalações de Fordlândia a destruição foi enorme: tratores e caminhões jogados no rio Tapajós, vidros das instalações industriais quebrados, louças do refeitório pisoteadas. A Polícia Militar do Pará foi chamada para debelar a revolta, mas chegou três dias depois, com a situação já calma.
     O que fazer então? Insistir em Fordlândia ou abandoná-la? A decisão de Henry Ford foi pela reconstrução completa da cidade. Outro dirigente foi enviado de Michigan para a missão. Archibald Johnston fez um belo trabalho, instalando um hospital que se tornaria referência nacional, sistema de captação, filtragem e cloração da água, saneamento e iluminação da cidade, chegando à construção de um clube social com quadras de tênis e um campo de golfe com 18 buracos. O clube era exclusivo para os estrangeiros, mas várias atividades de lazer passaram a ser oferecidas aos brasileiros: bailes com músicas norte-americanas, cursos de jardinagem, filmes sobre a aerodinâmica dos novos modelos produzidos pela Ford Motor Company. Como bem observou um padre em visita a Fordlândia naquele período, os dirigentes não sabiam em qual país estavam.
     Em 1932, havia 4 mil hectares de seringueiras em Fordlândia quando o fungo Microcyclus ulei atacou e causou o chamado “mal das folhas”, destruindo praticamente toda a plantação. As folhas secaram e as árvores definharam. Ao final, percevejos e lagartas liquidaram o pouco que havia sobrado. Archibald Johnston solicitou a presença de um botânico – incrivelmente, o primeiro enviado pela Ford Motor Company desde o início da plantação das seringueiras! Era tarde demais para Fordlândia: a recomendação foi pelo abandono da plantação. O local seguiria apenas abrigando pesquisas com sementes e mudas. Uma nova cidade deveria ser construída e uma nova plantação de seringueiras iniciada. Henry Ford não desistiu: garantiu que recursos financeiros não faltariam.
     A nova plantação foi iniciada aproximadamente a 100 quilômetros descendo o rio Tapajós, onde hoje se localiza a cidade de Belterra. O golpe final veio em 1942, quando uma severa infestação reduziu os seringais à metade. O desânimo ficou patente nos norte-americanos. O país havia entrado na Segunda Guerra Mundial, Henry Ford estava cada vez mais senil e no ano seguinte faleceria seu único filho, Edsel Ford. Em 1945, quando Henry Ford II, filho de Edsel, assumiu o comando da Ford Motor Company, um de seus primeiros atos foi vender Fordlândia e Belterra. O governo brasileiro pagou US$ 250 mil pelas instalações que, segundo os norte-americanos, valiam trinta vezes mais.
     Hoje, Fordlândia é um distrito do município de Aveiro. Para chegar até lá, o viajante pode tomar um dos barcos que ligam diariamente Santarém, Aveiro e Itaituba. A viagem de barco-motor entre Santarém e Fordlândia leva cerca de 12 horas. Fora do período de chuvas, é possível hoje utilizar um carro 4x4 e, segundo locais, percorrer o trecho em até oito horas. Fordlândia conta com menos de mil habitantes e vive das pensões pagas pelos governos e das lembranças do passado. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ainda não conseguiu proteger as construções na região, quase todas em franca deterioração pelas chuvas e a umidade e sofrendo com furtos. Em 2012, desabou o antigo hospital construído pelos norte-americanos.
     Estima-se que a Ford Motor Company tenha investido, em valores atuais, cerca de US$ 1 bilhão em Fordlândia e Belterra. Como retorno, conseguiu produzir e enviar para os Estados Unidos menos de mil toneladas de borracha natural. Henry Ford recusou todos os convites posteriores de governantes e empresários brasileiros para que visitasse o Brasil – em particular, seus fracassados investimentos no Pará.

Antonio Marcos Duarte Jr. é professor do Ibmec/RJ e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Saiba Mais - Bibliografia
CRULS, Gastão. “Impressões de uma Visita à Companhia Ford Industrial do Brasil”. Revista Brasileira de Geografia, nº 1, p. 3-22, 1939.
GALEY, John. “Industrialist in the Wilderness: Henry Ford's Amazon Venture”. Journal of Interamerican Studies and World Affairs, nº 21 (2), p. 261-289, 1979.
RUSSELL, Joseph A. “Fordlândia and Belterra: Rubber Plantations on the Tapajós River”. Economic Geography, nº 18 (2), p. 125-145, 1942.
WEINSTEIN, Barbara. The Amazon Rubber Boom – 1850-1920. Redwood City, California: Stanford University Press, 1983.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Guerras Mundiais (The World Wars)

Minissérie em 6 episódios, que traz a história de uma geração de homens que lutaram como soldados nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, e que se tornaram líderes na Segunda Guerra Mundial. Adolf Hitler, Franklin Delano Roosevelt, Benito Mussolini, Winston Churchill, Charles de Gaulle, George Patton, fizeram parte das duas guerras sangrentas que abalaram a humanidade por 30 anos. Antes de serem os protagonistas da Segunda Guerra Mundial, eles foram soldados de infantaria durante a Primeira Guerra Mundial, a "guerra para acabar com todas as guerras”. Alguns se tornaram heróis; outros despontaram como vilões. Reconstituir as guerras mundiais dessa forma é contá-la através desses homens em uma abordagem única e inédita: a Primeira Guerra os mudou e na Segunda Guerra, eles mudaram o mundo.
Direção: John Ealer
Ano: 2014
Áudio: Português
Duração: 50 minutos
Tamanho:  400 MB (cada)
Qualidade: HDTV - 720p  


Episódio 1 e 2 : 
Uma bala assassina em Sarayevo desata um conflito global que rapidamente se transforma na guerra mais cruel que a humanidade já havia visto até então: a Primeira Guerra Mundial. Em meio ao caos, surge uma nova geração de soldados, que incluía um grupo de homens que, mais tarde, se tornariam os líderes mais conhecidos do século 20. Com a vitória dos países aliados, uma paz duradoura é negociada. Mas o tratado que assinam cria um monstro, deixando o Japão humilhado e enfurecido. Por outro lado, com a Alemanha mergulhada em uma vertiginosa crise econômica, Adolf Hitler e Benito Mussolini se aproveitam do momento em seu próprio benefício. A tão esperada paz é superficial e está longe de ser definitiva.

Episódio 3 e 4: 
A primeira guerra cessou, mas as tensões em todo o mundo continuam a borbulhar por baixo da superfície. Quase sem perceber, já tinham sido semeadas as sementes do próximo grande conflito mundial. Com a queda na bolsa dos Estados Unidos, surge uma grande depressão econômica. Franklin Roosevelt tenta consolidar o país, mas se prepara em silêncio. As diferenças políticas na Alemanha, Itália, União Soviética e Japão dão lugar a novos líderes que lutam por seus países. Adolf Hitler consolida seu partido nazista. Benito Mussolini unifica o povo italiano e fortalece o país. Joseph Stalin revoluciona a União Soviética e faz uma aliança com Hitler para ganhar mais poder. Hideki Tojo também une o Japão a Hitler contra os Aliados. Com esta aliança e o controle de boa parte da Europa, Tojo ordena o famoso ataque do Japão contra os Estados Unidos em Pearl Harbor, dando início à Segunda Guerra Mundial.

Episódio 5 e 6: 
Quando a guerra inevitavelmente estoura de novo, a nova geração de líderes mundiais entra em ação. Eles usam suas experiências passadas para lutar no novo conflito, enfrentando o maior desafio pelo qual a humanidade já passou. O ataque a Pearl Harbour obriga Franklin Roosevelt a declarar guerra ao Japão. Adolf Hitler e Benito Mussolini não perdem tempo e também declaram guerra aos Estados Unidos e, pela segunda vez em 30 anos, o mundo entra em guerra. As batalhas se generalizam e os Aliados atacam. Douglas MacArthur, George Patton e Winston Churchill, usam seus conhecimentos em estratégia de batalha adquiridos na Primeira Guerra e fecham o cerco por todos os lados. Com Hitler vencido, a vitória é declarada na Europa, mas o conflito continua no Pacífico; Hideki Tojo havia transformado o exército imperial japonês em uma potência. É então, que as bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos sobre Hiroshima e Nagasaki levam a guerra a um final de grande impacto.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Presidentes da 1ª República - Arthur Bernardes - Washington Luís

O homem forte do Catete
Governando em período de grande instabilidade política, Arthur Bernardes conduziu o país sob estado de sítio.
Fabiano Vilaça dos Santos
     Ele era "alto, esguio, de nariz aquilino, testa larga". Seus "olhos castanhos, pequenos e irrequie­tos lhe boiavam no rosto com­prido", segundo a descrição de um contemporâneo. Mineiro, percorreu firme e paciente o ca­minho para a Presidência da Re­pública. Mas chegou em mo­mento político extremamente agitado. Era a década de 1920, tempo do movimento tenentista, da Revolução Libertadora no Rio Grande do Sul (1923) e da Revolução Paulista de 1924. E de medidas drásticas. Não foi à toa que o país permaneceu em esta­do de sítio - suspensão de garan­tias constitucionais em nome da ordem pública - durante quase todo o mandato presidencial (1922-1926).
     Arthur da Silva Bernardes nas­ceu em Viçosa, na Zona da Mata mineira, em 8 de agosto de 1875. Quarto dos oito filhos do portu­guês Antônio da Silva Bernardes, advogado provisionado (sem di­ploma), e de Maria Aniceta Pinto Bernardes, teve uma infância mo­desta. Em 1887, foi matriculado no tradicional Colégio Caraça, de onde saiu dois anos depois por falta de recursos. Com 14 anos, foi trabalhar na firma Pena & Graça, que negociava café e, mais tarde, na Casa Adriano Telles & Cia., co­mo guarda-livros (contador).
     Voltou a estudar no Externato do Ginásio Mineiro, em Ouro Preto, colaborando no jornal Aca­demia. Em 1896, matriculou-se como ouvinte na Faculdade Livre de Direito de Minas Gerais, fun­dada em 1892. No quarto ano do curso, Bernardes se transferiu pa­ra a Faculdade de Direito de São Paulo. Para se manter, trabalhou como revisor no jornal Correio Paulistano, estafeta (mensageiro a cavalo) dos Correios e professor de português e latim.
     Formado em 1900, voltou para Viçosa e abriu um escritório. Foi quando uma situação insólita se instalou em sua casa. Nessa épo­ca, seu pai já era promotor da co­marca e toda vez que Bernardes atuava como advogado de defesa os dois ficavam em lados opostos. Para acabar com o impasse, Antô­nio Bernardes se exonerou e pas­sou a trabalhar com o filho.
     Em 15 de julho de 1903, casou-se com Clélia Vaz de Melo, com quem teve oito filhos. O enlace foi a porta de entrada de Bernardes na política. Seu sogro, o senador Carlos Vaz de Melo (1842-1904), era homem influente em Viçosa. E, ao contrário do que se poderia pensar, logo após sua morte a car­reira do genro deu um salto. Eleito presidente da Câmara Municipal, em 1905, recusou o cargo prefe­rindo trabalhar como advogado, mas o assumiu no ano seguinte. Deputado estadual em 1907 e fe­deral em 1909, pelo Partido Republicano Mineiro (PRM), seu prestígio político se consolidou ao se aproximar das principais oligarquias do país que apoiavam a candidatura do marechal Hermes da Fonseca à Presidência.
     Depois de ocupar a Secretaria de Finanças de Minas e de exercer mais um mandato de deputado estadual, Arthur Bernardes deu um importante passo na carreira: chegou à presidência de seu esta­do (1918-1922). Em um banque­te, fez um discurso defendendo que "a nenhum estado deve ser lí­cito sonhar com a hegemonia po­lítica na Federação", e o café, "termômetro de nossa situação eco­nômica". Uma de suas principais realizações foi a criação, em 1922, da Escola Superior de Agricultura e Veterinária, embrião da Univer­sidade Federal de Viçosa. Nessa época, deu provas do forte nacio­nalismo que marcaria sua futura gestão no Catete, ao recusar um contrato com a empresa Itabira Iron para exportar ferro do vale do rio Doce.
     Os anos de 1921 e 1922 foram de acirrada disputa pela sucessão de Epitácio Pessoa (1919-1922). Inicialmente, o paraibano foi con­tra a ideia de Minas eleger mais um presidente, pois desejava que seu sucessor viesse de algum esta­do do Norte. Para obter o apoio desta região à candidatura de Arthur Bernardes, segundo a his­toriadora Cláudia Viscardi, as oli­garquias mineiras se comprome­teram com a continuidade das obras iniciadas pelo "Pitaço" e es­peraram o apoio dos gaúchos e do Rio de Janeiro. Mas a corrida pre­sidencial exigiria fôlego. Enquan­to Epitácio e os paulistas aderiram ao nome de Bernardes, Rio Gran­de do Sul, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro apostaram em Nilo Peçanha, que encabeçou a chapa da "Reação Republicana". Para in­crementar a disputa, entrou em campo um terceiro concorrente: Hermes da Fonseca. Eleito presi­dente do Clube Militar, o mare­chal foi apontado como mentor de um estratagema para minar a indicação do mineiro: o episódio das "cartas falsas", publicadas no jornal Correio da Manhã - pró-Nilo -, em 1921.
     Uma das cinco missivas "assi­nadas" por Arthur Bernardes e enviada a Raul Soares (1877-1922), então presidente de Mi­nas, dizia: "estou informado do ridículo e acintoso banquete da­do pelo Hermes, esse sargentão sem compostura, aos seus apaniguados (...) Espero que use com toda energia, de acordo com as minhas últimas instruções, pois essa canalha precisa de uma re­primenda para entrar na discipli­na..." O objetivo das "cartas fal­sas" era indispor os militares com Bernardes. O clima entre a oficia­lidade, em plena agitação tenentista, favorecia o plano. Além dis­so, o próprio Hermes da Fonseca buscava apoio entre alguns setores da política mineira para sua candidatura, o que reforçou as suspeitas da autoria das cartas.
     A imprensa não perdeu a oportunidade de satirizar a dispu­ta presidencial. Os partidários de Nilo Peçanha pularam o Carna­val de 1922 cantarolando a marchinha "Ai, Seu Mé!", de Freire Júnior (1881-1956) e Luiz Nunes Sampaio (1886-1952), o Careca. A letra fazia referência a dois apelidos de Bernardes, "Seu Mé" e "Rolinha": Ai Seu Mé/ Lá no Palácio das Águias, olé!/ Não hás de por o pé.../ O Zé Povo quer a goiabada campista./ Rolinha desista/ Abaixa esta crista.../Embora se faça uma bernarda a cacete,/ Não vais ao Catete! Não vais ao Catete!
     Mas, apesar de toda a oposi­ção, a adesão de São Paulo garan­tiu a vitória do "Seu Mé" por 466.877 votos. Para vice, foi esco­lhido o maranhense Urbano San­tos (1859-1922), que morreu dois meses depois de eleito, sendo substituído, em novo pleito, pelo pernambucano Estácio de Albu­querque Coimbra (1872-1937). Bernardes tomou posse em esta­do de sítio devido ao Levante dos Dezoito do Forte, no final do governo de Epitácio, e percebeu que para conter as oposições e manter a or­dem teria que ser enérgico.  Seus métodos, considerados violentos e arbitrários pelos adversários, deram origem ao "bernardismo".  Exemplo disso foi o envio de políticos, líderes ope­rários, militares re­beldes e todos que conspiravam contra a ordem pública para a colónia agrícola de Clevelândia, criada em 1922 no Pará.
     Os momentos de turbulência não tardaram. Movimentos ex­plodiram pelo país expressando ora a cisão entre as oligarquias dos estados ora a per­da de apoio do governo federal. No primeiro caso está a disputa en­tre grupos políti­cos gaúchos - a Revolução Libertadora de 1923 -, em que o estancieiro Assis Brasil (1857-1938) se opôs ao governo estabelecido de Borges de Medeiros (1863-1961). O go­verno federal interveio e a con­tenda terminou em dezembro com a assinatura do Tratado de Pedras Altas.
     Quando os ânimos pareciam serenar, os paulistas deram voz à sua insatisfação. Presidente e cafeicultores - aliados na campanha - andavam às turras por causa dos rumos da política em relação ao café (o governo segurava as expor­tações para especular com o preço e deixava os pro­dutores sem capi­tal para reinvestir na lavoura). Por outro lado, a ma­nifestação do "ber­nardismo" fez com que militares de São Paulo articu­lassem um movi­mento armado que começou no dia 5 de julho de 1924. Sob o co­mando do general Isidoro Dias Lopes (1865-1949), a capital do estado foi tomada, le­vando o governo federal a decretar estado de sítio e ordenar o bom­bardeio, inclusive aéreo, da cidade. Os paulistas exigiam as reformas propostas pelo movimento tenentista: voto secreto, ampliação do ensino primário obrigatório e limitação do poder do Executivo, em clara oposição ao "bernardismo". O episódio de 1924 foi a cha­ve para outro importante movi­mento tenentista: a Coluna Pres­tes, que teve como principais líde­res Luiz Carlos Prestes (1898-1990) e Miguel Costa (1885-1959). De 1925 a 1927, a Coluna - formada por militares rebeldes - percorreu o país em aberta oposi­ção ao governo.
     Se no plano interno a ordem foi garantida por meio de medi­das repressivas, a política externa de Arthur Bernardes não foi me­nos incisiva. Em 1926, após a bem-sucedida missão de Afrânio de Melo Franco (1870-1943) na V Conferência Pan-Americana, no Chile, quando foi discutido um programa de desarmamento dos países da América do Sul, o presi­dente encarregou o conterrâneo de chefiar a delegação brasileira na Liga das Nações, da qual o país se retirou por não concordar com a entrada da Alemanha.
     Ao deixar o Catete em 1926, sob protestos e acusações de au­toritarismo, "Rolinha" assumiria um lugar no Senado no ano se­guinte. Mas preferiu bater asas rumo à Europa para respirar ares menos carregados e só tomou posse em 1929. Na volta, encon­trou o país em ebulição. O des­contentamento político reinava e um clima de revolução pairava sobre o governo de Washington Luís (1926-1930). Setores da po­lítica mineira estavam dispostos a aderir ao movimento que vinha do Sul, comandado por Getúlio Vargas (1882-1954). Bernardes o apoiou acreditando que o líder gaúcho garantiria a ordem públi­ca e conduziria o país à legalida­de convocando uma constituinte logo após chegar ao poder.
     Suas expectativas foram frus­tradas, mas o ex-presidente conti­nuou defendendo a legalidade aliando-se às forças mineiras na Revolução de 1932. Por causa dis­so, tornou-se uma pedra no sapa­to do novo governo que tentou afastá-lo do cenário político nomeando-o para uma embaixada. A oferta foi recusada e Bernardes passou a sofrer perseguições e ameaças de devassa nas contas de sua gestão. Acabou forçado a par­tir para o exílio, em Lisboa. No momento do embarque, seus ini­migos políticos ainda atentaram contra sua vida, mas o tiro atin­giu, sem gravidade, Arthur Ber­nardes Filho. O episódio nunca foi devidamente esclarecido.
     O afastamento durou até a abertura dos trabalhos para a ela­boração da Carta de 1934, quan­do foi eleito deputado consti­tuinte. Com o golpe que inaugu­rou o Estado Novo, em 1937, foi cassado e ficou fora da vida pú­blica até o fim da ditadura de Vargas, em 1945. No ano seguin­te, elegeu-se deputado constituinte. Ainda foi suplente no Parlamento em 1950, e, quatro anos depois, deputado federal.
     Na manhã do dia 23 de março de 1955, uma quarta-feira, Arthur Bernardes sofreu um infarto. Ti­nha 79 anos e estava em pleno exer­cício do mandato de deputado. Faleceu pouco antes das 15 horas e foi enterrado no Rio de Janeiro com honras de chefe de Estado. Em sua conturbada passagem pe­la Presidência, desmentiu a profe­cia de Epitácio Pessoa (citada pela historiadora Isabel Lustosa) lan­çada em maio de 1922: "ele não aguentará 24 horas no Catete".
Fabiano Vilaça dos Santos é doutorando em História Social na USP e pesquisador em Nossa História.
Fonte: Revista Nossa História - Ano III nº 36 – Outubro 2006


O paulista de Macaé
Legítimo representante da oligarquia paulista, o fluminense Washington Luís enfrentou a Revolução de 1930 e criou o lema "Governar é abrir estradas"
Nívia Pombo
     Sexta-feira, 24 de outubro de 1930. Washington Luís vivia suas últi­mas horas como presidente da República. Pelos belos salões do Palácio Guanabara, caminhava impaciente de um lado para outro, retrucando aos poucos amigos que lhe restara: "Eu não renuncio!... Só aos pedaços sairei daqui!...". Convencido de que teria o mesmo apoio popular, quando de sua elei­ção em 1926, nem imaginava que, do lado de fora, uma multidão in­dócil dava vivas à "revolução", aguardando ordens para bombar­dear a sede do governo. Seu man­dato estava sendo prematuramen­te interrompido, assinalando o fim da era "café com leite".
     Washington Luís Pereira de Souza nasceu em Macaé, cidade do litoral norte do Rio de Janeiro, em 26 de outubro de 1869. São escassos os registros sobre sua in­fância. Primogênito dos quatro filhos do tenente-coronel Joa­quim Luís Pereira de Souza e de Florinda Ludgera de Sá Pinto Ma­galhães, pertencia a uma família de proprietários de engenhos de açúcar que gozava de grande prestígio político no Império.
     Prestígio que não impediu que a família passasse por dificuldades financeiras. Antes da abolição da escravidão em maio de 1888, seu pai libertou todos os seus escravos. Apesar de prometerem a permanência até o fim da colheita, os al­forriados abandonaram a proprie­dade, deixando a família em ruína. A esta altura "Chinton", como era chamado pelos familiares, já havia passado pelos colégios Pe­dro II e Augusto, no Rio de Janei­ro. Em 1889, ingressou na Facul­dade de Direito de São Paulo, mas se transferiu para a Faculdade de Direito de Recife, com o intuito de terminar o curso em três anos. A falta de recursos da família preo­cupava Washington e seus irmãos, como mostra a carta de seu irmão Lafaiete, de 8 de outubro de 1888: "Papai disse que o Chico não estu­da mais, nem este ano, nem outro, porque não há meios".
     "Chinton" não foi um estudan­te exemplar. Boêmio, preferia os passeios pela capital pernambuca­na a dedicar-se às leituras que o curso exigia. Era perito em jogar bilboquê, brincadeira que pertur­bava a concentração de Otávio Costa, seu colega de quarto. Às vés­peras das provas, decorava a matéria de madrugada e, assim, conseguia boas notas. Em outubro de 1891, voltou a São Paulo para prestar os exames finais, bacharelando-se no mesmo ano. Com a ajuda de familiares, foi nomeado promotor de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, mas, insatisfeito com o salário, em 1893 se transferiu para Batatais, São Paulo, onde abriu um escritório de advocacia.
     Frequentava bailes carnavales­cos, teatro e tinha um gosto espe­cial por óperas, especialmente pelas composições do italiano Giuseppe Verdi (1813 -1901). Mas não só a música italiana acalenta­va o seu coração: desde jovem, mostrava fraqueza com as italia­nas. Segundo João Lima, autor de Como vivem os homens que gover­naram o Brasil, nos tempos de fa­culdade, "Chinton" teve "os senti­dos perturbados por uma atriz ita­liana, de nome Gisela, rapariga de rara sedução". Em maio de 1928, já no governo, um caso com uma marquesa italiana quase acabou em tragédia: após um jantar, a jo­vem, por ciúme, teria atirado em Washington, ferindo-o no ventre. A imprensa tentou abafar o caso, informando que o presidente ha­via sido internado às pressas para a retirada do apêndice. Mas os ru­mores aumentaram, quando, dias depois, a moça se suicidou.
     Fazia o tipo sportsman: partici­pava de ralis automobilísticos em Santos e no Vale do Paraíba e, em 1919, fez seu batismo aéreo, levan­tando voo num avião Sopwith, em Guarulhos. Nas horas de folga era historiador. Publi­cou dois estudos a partir de suas pes­quisas no Arquivo Público de São Paulo: Contribuições para a história da capitania de São Paulo. Gover­no Rodrigo César Meneses (1904) e Testamento de João Ramalho (1905). Jovem, já era tido como elegan­te e inteligente, só faltava mesmo o respeito no círculo político pau­lista. Isso ele conseguiu casando-­se, em 4 de março de 1900, com a filha dos barões de Piracicaba, So­fia Paes de Barros (1877-1934). A moça também apreciava música clássica e canto.  Tiveram quatro filhos: Florinda Maria (1901), Rafael Luís (1902), Caio Luís (1905) e Vítor Luís (1907).
     Membro do Partido Republi­cano Paulista, sua carreira políti­ca teve início em 1904, ao ser eleito deputado estadual. Dois anos depois, com a ajuda da so­gra, foi nomeado para a Secre­taria de Justiça com a missão de reformar as polícias civil e mili­tar. Entre outras medidas, estabe­leceu a obrigatoriedade do diploma de advogado para os delega­dos de polícia. Nesse período, ao colocar detentos para trabalhar na reconstrução da via São Paulo-Santos, cunhou o lema: "Governar é abrir estradas".
     Após deixar a Secretaria de Jus­tiça, em maio de 1912, foi eleito deputado estadual e, por dois man­datos consecutivos, prefeito de São Paulo. Em 1919, se candidatou ao governo do estado. Eleito, cum­priu as promessas de campanha: manteve a velha política de valori zação do café e construiu cerca de 1.326 quilómetros de estradas. Na área cultural, fundou o Museu Histórico Republicano de Itu (1923) e incentivou projetos histó­ricos sobre o passado paulista.
     Sua indicação para a Presidên­cia da República resultou, mais uma vez, de um consenso entre Minas Gerais e São Paulo. No en­tanto, desde a eleição de Epitácio Pessoa, em 1919, representantes de outros estados exigiam uma maior democratização do processo, queixando-se da alternância "café com leite" na Presidência. À revelia dessas discussões e sem concorren­tes, foi eleito com 688.528 votos. Ao tomar posse em 15 de novem­bro de 1926, foi recebido calorosa­mente por uma multidão no Rio de Janeiro. No mesmo dia, mon­tou o novo ministério, escolhendo nomes que não ameaçassem o po­der presidencial. Ironia do destino, entre os indicados figurava Getúlio Vargas para a pasta da Fazenda.
     Uma das primeiras medidas do novo governo foi a aprovação da reforma monetária, proposta por Júlio Prestes de Albuquerque. A intenção era fixar a taxa de câmbio e proteger a indústria nacional. Previa-se até a implanta­ção de uma nova moeda, o cruzei­ro. Inicialmente, o governo de "Chinton" parecia ser um refrigé­rio para as almas brasileiras: as me­didas de exceção, implementadas por Arthur Bernardes, ao poucos eram suspensas. Libertou presos políticos, desativou presídios como o da Clevelândia, e, em janeiro de 1927, autorizou a legalização do Partido Comunista do Brasil (PCB).
     Mas a abertura tinha lá as suas limitações. Os pedidos de anistia, como aos envolvidos no movi­mento de 1922, no Forte Copaca­bana, foram negados. A polícia secreta acompanhava de perto a movimentação da Coluna Pres­tes, que neste momento se en­contrava exilada na Bolívia. Fo­cos de oposição foram silencia­dos com a "Lei Celerada", que res­tabeleceu a censura à imprensa e recolocou o PCB na ilegalidade. Em São Paulo, com o apoio dos tenentes, foi criado o Partido Democrático (PD), que defendia o voto secreto e a moralização do processo eleitoral.
     Instabilidade interna e externa. Em 1929, a crise econômica defla­grada com a quebra da Bolsa de Nova York provocou um forte abalo na economia brasilei­ra. Desesperados, os cafeicultores exigiram que o governo federal comprasse a produção excedente. Washington Luís negou, pois te­mia a desvalorização da moeda. Tudo que conseguiu foi angariar novos inimigos. Por intermédio do Instituto Paulista de Defesa do Café, os oligarcas ameaçaram: "O lema é a lavoura, hoje com o go­verno. Se não formos atendidos, amanhã será [...] a lavoura contra o governo". O crack da Bolsa im­pediu também a implementação do cruzeiro. A crise serviu de ins­piração para o compositor Eduardo, autor de "É sim sinhô": "Ele é paulista? É sim senhor. / Falsificado? É sim senhor. [...] / Ele é estradeiro? É sim senhor. [...] / Mas o cruzeiro? É sim se­nhor. / Ovo gorado? É sim senhor..."
     Por fim aconteceu uma crise política provocada pelas discor­dâncias na escolha do sucessor de Washington Luís. Contrariando os mineiros, que pretendiam in­dicar o vice-presidente Fernando de Mello Vianna, "Chinton" op­tou por apoiar o candidato pau­lista, Júlio Prestes de Albuquerque. Irritado, o presidente de Minas, Antônio Carlos Ribeiro, procurou alianças com Getúlio Vargas. Apesar dos apelos de Washington Luís para conven­cer os líderes gaúcho e mineiro a desistirem da empreitada, em se­tembro de 1929, a Aliança Liberal lançou a candidatura de Getúlio, tendo como vice o presidente da Paraíba, João Pessoa.
     Washington Luís jogou duro: ordenou a execução das dívidas de Minas e da Paraíba com o Banco do Brasil e impediu que os mineiros pedissem empréstimos no exterior. Foi acusado também de fomentar conflitos locais nos dois estados com o objetivo de enfraquecer os governos. O can­didato oficial acabou levando vantagem: Júlio Prestes recebeu 1.115.377 votos contra os 782.663 de Getúlio Vargas.
     Acusado pela oposição de fraudar as eleições, Washington Luís sofreria ainda outro golpe. No Uruguai, um desastre aéreo, em maio de 1929, revelou que dois brasileiros tinham ido à Ar­gentina pedir o apoio de Luiz Carlos Prestes para depor o presi­dente. Um deles, Antônio de Siqueira Campos, morreu no de­sastre. O clima de conspiração aumentou, quando João Pessoa, presidente da Paraíba e candida­to derrotado, foi assassinado em Recife, no dia 26 de julho. O epi­sódio fortaleceu a Aliança Liberal, que, além das denúncias de fraude eleitoral, passou a cul­par o presidente pelo crime.
     O país ficou em polvorosa. Forças militares se levantaram no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e na Paraíba. Na capital, o povo incendiou jornais favorá­veis ao governo. Tropas gaúchas lideradas por Vargas e pelo gene­ral Góes Monteiro marchavam para um confronto com os pau­listas. Em poucos dias foram derrubados os governos do Espírito Santo, Santa Catarina e Paraná. Nas regiões Norte e Nordeste, só escaparam o Pará e a Bahia. Infle­xível, Washington Luís não acre­ditava que Getúlio Vargas, seu amigo íntimo, o único que podia entrar fumando em seu gabinete, o estivesse traindo.
     Na manhã do dia 24 de outu­bro, uma esquadrilha sobrevoou a capital lançando panfletos infor­mando a queda do presidente. No final da tarde, após a visita do car­deal d. Sebastião Leme, ele aceitou se entregar como prisioneiro e não como renunciado. Conduzi­do ao Forte Copacabana, ficou preso até 21 de novembro, dia que embarcou com sua família rumo à Europa. O exílio durou até 1947, quando voltou ao Brasil. Fixou re­sidência em São Paulo, mas não se envolveu mais com a política, dedicando-se ao seu trabalho de his­toriador. Faleceu em 4 de agosto de 1957, vítima de complicações de uma gripe. Apesar do pedido de um funeral simples, sem hon­ras oficiais, uma multidão seguiu o cortejo com fortes demonstrações de carinho.
Nívia Pombo é mestre em História Social pela Universidade Federal Flumi­nense e pesquisadora de Nossa História.
Fonte: Revista Nossa História - Ano IV nº 37 – Novembro 2006

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O adeus aos bancos centrais independentes

A mudança de paradigma dos bancos centrais na América Latina foi chamada de populista e demagógica por políticos, funcionários e colunistas do chamado primeiro mundo. Curiosamente, hoje, quando no mundo desenvolvido se sugere ou se pratica abertamente uma mudança de modelo, ninguém se lembra do epíteto. A análise é de Marcelo Justo, de Londres.
Tradução: Katarina Peixoto
     Os países desenvolvidos são velhos defensores do “faça o que digo, não faça o que eu faço”. Um artigo de fé da ortodoxia neoliberal, eixo do Consenso de Washington, era o lugar que ocupava o Banco Central em meio a um sistema financeiro e econômico desregulado. Neste marco, a independência ou autonomia do banco central era sagrada.
     A política monetária de um país devia estar em mãos de técnicos especializados e livres da influência dos governos de turno, sempre sujeitos à demagogia e à lógica do curto prazo. E o eixo central – muitas vezes exclusivo – da Carta Orgânica do Banco Central era o combate à inflação.
     A crise econômica que estourou em 2007-2008 está mudando as coisas. Com uma dívida descomunal nos Estados Unidos, Japão e em muitos países da União Europeia, com injeções de dinheiro eletrônico para sanear o sistema financeiro, os Bancos Centrais do mundo desenvolvido estão adotando um intervencionismo adaptado às necessidades dos governos. Esta mudança se reflete nos meios onde se discute cada vez mais abertamente a necessidade de esquecer o velho parâmetro e substituí-lo por um diferente adaptado à nova realidade.
     Em um artigo publicado recentemente no Financial Times, sugestivamente intitulado “A era dos bancos centrais independentes está chegando ao fim”, o economista chefe do HSBC, Stephen King, aponta nesta direção ao dizer que “não se pode seguir falando de independência dos bancos porque eles criam ganhadores e perdedores”.
     King não é uma exceção. O ex-assessor da Reserva Federal de Nova York, Zoltan Pozsar, e o economista que cunhou o termo “banca nas sombras”, Paul Mc Culley, sugeriram em um artigo sobre a emissão de dinheiro eletrônico ou aceleração quantitativa, que os bancos centrais devem trabalhar seguindo as ordens dos ministérios de finanças para coordenar medidas fiscais e monetárias que ajudem a lidar com a crise atual.
     O Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, arrematou este debate dizendo que, na verdade, tratava-se de um equívoco, uma ilusão ou um engano deliberado. “Não há realmente instituições independentes. Todas têm que prestar contas. A questão é para quem”, disse Stiglitz em uma conferência na Índia neste mês de janeiro.

Gritos de batalha
     Desde a contração de crédito de 2007, a Reserva Federal nos Estados Unidos e o Banco da Inglaterra estimularam a economia e alavancaram os bancos com diversas medidas, entre elas a aceleração quantitativa, uma emissão eletrônica de dinheiro que procura expandir o crédito para estimular o setor produtivo e o consumo doméstico. O catedrático de sistemas financeiros da Universidade de Negócios de Manchester, Ismail Erturk, considera que estas medidas deixam claras as limitações do modelo autonômico bancário.
     É certo que havia uma relativa autonomia no manejo institucional dos bancos. Mas não nas nomeações em nível ideológico. Para ser presidente de um banco era preciso ser monetarista. Se o candidato fosse keynesiano estava fora. Não surpreende então que se definisse a inflação como controle de preços ao consumidor e se ignorasse o impacto que tinham outras apreciações dos preços como as bolhas especulativas imobiliárias ou financeiras. O resultado foi desastroso”, disse Erturk à Carta Maior.
     A hecatombe veio com a queda do Lehman Brothers em setembro de 2008 que forçou os governos a intervir para impedir uma corrida bancária e uma depressão mundial. O superendividamento atual do mundo desenvolvido vem desse momento. Mas nem com aquela intervenção fiscal massiva se conseguiu curar a enfermidade.
     O Banco Central Europeu (BCE) emprestou mais de um trilhão de euros aos bancos ameaçados por dívidas impagáveis contraídas na época do dinheiro fácil com o soterrado objetivo de salvar seus credores, as instituições financeiras dos países do norte, desde a Alemanha até o Reino Unido.
     A emissão de dinheiro eletrônico – a máquina impressora de cédulas deste século, tão criticada no século passado quando usada na América Latina – está na ordem do dia. Nos Estados Unidos, a emissão supera os dois trilhões de dólares. No Reino Unido, os 600 bilhões.
     O último caso deste novo intervencionismo é o Japão. Com um forte respaldo democrático das eleições de dezembro, o novo primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, modificou a tradicional independência do Banco do Japão para comprometê-lo com seu gigantesco programa de estímulo fiscal e aumentar as metas inflacionárias que passaram de um estreito 1% para um ligeiramente mais folgado 2%.
     Para um dos mais duros defensores da ortodoxia, o presidente do Banco Central da Alemanha, Jens Weidmann, a conduta do governo japonês foi a gota que fez o copo d’água transbordar. “Nos casos do Japão e da Hungria estamos vendo uma clara ingerência na política do banco central que ameaçava a autonomia que deve reger seu funcionamento. Isso está levando a uma crescente politização de sua conduta”, disse Weidmann.


E a América Latina?
     Os países em desenvolvimento têm historicamente uma conduta mais sinuosa, flutuando entre a ortodoxia neoliberal e as próprias urgências de sua economia. Sinal de uma ruptura no consenso que predominava antes do estouro financeiro de 2008, os bancos centrais e reguladores financeiros dos chamados “países emergentes” assinaram em 2011 no México a declaração de Maya para a inclusão financeira dos setores excluídos da sociedade. O Brasil se encontrava entre os países que anunciaram iniciativas concretas para expandir o acesso ao crédito a amplas parcelas da população.
     No ano passado, Argentina e Bolívia modificaram a carta orgânica que regulamenta o funcionamento de seus bancos centrais mantendo o princípio de preservação do valor da moeda – evitando episódios inflacionários que erodissem seu valor -, mas acrescentando a seu mandato a necessidade de desenvolver políticas que contribuam ao desenvolvimento econômico e social do país. Em 2008, a nova Constituição equatoriana eliminou a autonomia do Banco Central do Equador.
     “A redefinição dos objetivos que está se ensaiando vai pelo bom caminho, mas é preciso lembrar que há limites sobre o que o um Banco Central pode realmente fazer. Além disso, na América Latina, um objetivo essencial dos bancos centrais é a questão cambial frente às flutuações que sofrem suas moedas”, assinalou Erturk.
     A mudança de paradigma dos Bancos Centrais na América Latina foi chamada de populista e demagógica por políticos, funcionários e colunistas do primeiro mundo. Curiosamente, hoje. Quando no mundo desenvolvido se sugere ou se pratica abertamente uma mudança de modelo, ninguém se lembra do epíteto.

Saiba Mais – Documentários:
A Ascensão do Dinheiro (The Ascent of Money)
Niall Ferguson é um historiador britânico especialista em história financeira e econômica. Professor de economia, de mercado financeiro e de história econômica na Universidade de Harvard. Ferguson é autor de dois livros que analisam as crises do mercado financeiro global como consequências da expansão do crédito fácil: "The cash nexus", de 2001, e "The ascent of money", de 2008.
Baseado no livro de Niall Ferguson e apresentado pelo próprio autor, “A Ascensão do Dinheiro” explica a história financeira do mundo, explorando como o dinheiro moldou o caminho do desenvolvimento humano, como nosso complexo sistema financeiro atual evoluiu através dos séculos e como a mecânica desse sistema econômico global trabalha para criar riquezas aparentemente sem limites – ou perdas catastróficas.
Ferguson viaja por vários países explicando as origens do mundo financeiro que conhecemos hoje – crédito, ações, títulos, seguros e mercado imobiliário. Na Itália, desvenda a origem do crédito e débito e nos mostra por que os sistemas de crédito são indispensáveis para qualquer civilização. Apresentando fatos históricos, Ferguson nos conta sobre o advento dos títulos de governos, os quais financiaram guerras. Traçando paralelos entre eventos históricos e atuais, explica-nos como o mercado de ações produz bolhas e porque ninguém pode efetivamente prever quando elas vão acontecer. Em Nova York, ele pede ao gênio financeiro George Soros para explicar venda a descoberto de derivativos, um conceito que Soros introduziu no mercado de ações.
Por meio dessa reveladora história, aprendemos os fundamentos econômicos que regem as hipotecas de baixa qualidade e derivativos de crédito, e entendemos como a economia chinesa provavelmente dominará o mundo.
A história do dinheiro encontra-se de fato no centro da história humana, com a força econômica determinante do controlo político, das guerras com o intuito de criar riqueza e barões financeiros que influenciam o destino de milhões.
Direção: Adrian Pennin
Ano: 2010
Áudio: Inglês / Legendado
Duração: 48 minutos cada episódio
Clique no nome do episódio para assistir on-line

Saiba Mais – Filmes:
Wall Street - Poder e Cobiça
Nova York, 1985. Bud Fox (Charlie Sheen) é um jovem e ambicioso corretor que trabalha no mercado de ações. Após várias tentativas ele consegue falar com Gordon Gekko (Michael Douglas), um inescrupuloso bilionário. Durante a conversa Bud sente que precisa dar alguma dica muito quente para ter a atenção de Gekko e então lhe fala o que seu pai, Carl Fox (Martin Sheen), um líder sindical, tinha lhe dito, que a Bluestar, a companhia aérea para a qual trabalha, ganhou um importante processo. Esta informação não foi ainda divulgada oficialmente, mas quando isto acontecer as ações terão uma significativa alta. Gekko o adota como discípulo e logo Bud trabalha secretamente para Gekko, abandonando qualquer escrúpulo, ética e meios lícitos, pois só quer enriquecer. Bud obtém sucesso, o que faz seu padrão de vida mudar. Além disto se envolve Darien Taylor (Daryl Hannah), uma decoradora em ascensão, mas se os ganhos são bem maiores, os riscos também são.
“A história é o retrato de uma época em que o mercado americano passava por uma onda de otimismo que se encerrou com a crise de 1987 e que, assim como a crise de 2008, provocou perdas para muitos investidores e despertou a ira contra Wall Street. 
Nem se cogitava na época que o problema da falta de ética e a sede de enriquecer a qualquer custo poderia ir mais longe, chegando também às empresas, como mostraram as fraudes cometidas pela companhia de energia Enron. Ou mesmo como esse mercado acabaria envenenado pela ganância que levou ao exagero da bolha das operações subprime, de empréstimos imobiliários de alto risco. Ou que o simpático e insuspeito Bernard Madoff, presidente da Nasdaq, se mostraria um golpista que manteve por anos uma pirâmide que deu prejuízos de US$ 60 bilhões a milhares de investidores”. (Angelo Pavini)
Diretor: Oliver Stone
Ano: 1987
Áudio: Português
Duração: 126 minutos

Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme
Depois de passar oito anos na cadeia por fraudes financeiras, Gordon Gekko (Michael Douglas) deixa a prisão mas ninguém esperava por ele à saída do presídio. Impossibilitado de operar no mercado financeiro, ele dedica seu tempo a realizar palestras e a escrever um livro, onde critica o comportamento de risco dos mercados. A filha, Winnie Gekko (Carey Mulligan), o culpa por várias tragédias familiares e não quer mais vê-lo. A moça namora o jovem especialista financeiro Jacob Moore (Shia LaBeouf), que admira o seu patrão Lewis Zabel. A empresa de Zabel sofre uma crise financeira enquanto Moore se encontra com Gekko que lhe fala sobre Bretton James, um influente investidor de Wall Street. Moore descobre que James foi quem causou a ruina do patrão e também foi o responsável pela longa pena de Gekko. E Moore e Gekko se aliam buscando vingança contra James.
Diretor: Oliver Stone
Ano: 2010
Áudio: Português
Duração: 133 minutos

Saiba Mais – Links:

domingo, 2 de setembro de 2012

Crise econômica mundial - 2008

     O setor financeiro internacional recebeu apenas em 2008, quase dez vezes mais recursos públicos do que todos os países pobres do planeta nos últimos cinquenta anos. O dado foi divulgado pela campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) pelas Metas do Milênio, destinada a combater a fome e a pobreza no mundo. Enquanto os países pobres receberam, em meio século, cerca de US$ 2 trilhões em doações de países ricos, bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 trilhões em ajuda pública.
     A ONU alertou que a crise econômica mundial piorará ainda mais a situação dos países mais pobres, lembrando que, na semana passada, a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) afirmou que a crise deixará cerca de 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo.
     A revelação foi feita no início de uma conferência entre países ricos e pobres, que ocorre na sede da ONU, em Nova York, para debater o impacto da crise. Segundo o diretor da Campanha pelas Metas do Milênio, Salil Shetty, esses números mostram que a destinação de recursos públicos ao desenvolvimento dos países mais pobres não é uma questão de falta de recursos, mas sim de vontade política.
     “Sempre digo que se você fizer uma promessa e não cumprir é quase um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e não cumprir, então é praticamente um crime”, disse Shetty à BBC. “O que é ainda mais paradoxal”, acrescentou, “é que esses compromissos (firmados pelos países ricos para ajudar o mais pobres) são voluntários”. “Ninguém os obriga a firmá-los, mas logo eles são renegados”, criticou o funcionário da ONU.
     Um dos efeitos desta perversa distorção foi apontado pela FAO: a quantidade de pessoas desnutridas aumentará no mundo em 2009, superando a casa de um bilhão. “Pela primeira vez na história da humanidade, mais de um bilhão de pessoas, concretamente 1,02 bilhão, sofrerão de desnutrição em todo o mundo”, advertiu a entidade. A FAO considera subnutrida a pessoa que ingere menos de 1.800 calorias por dias.
     Do total de pessoas subnutridas hoje no mundo, 642 milhões concentram-se na Ásia e na região do Pacífico e outras 265 milhões vivem na África Subsaariana. Na América Latina e Caribe, esse número é de 53 milhões de pessoas. Em 2008, o total de desnutridos tinha caído de 963 milhões para 915 milhões. O motivo foi uma melhor distribuição dos alimentos. Mas com a crise, o quadro de fome no mundo voltará a se agravar. Segundo a estimativa da ONU, um milhão de pessoas deverão passar fome no mundo nos próximos meses.

Saiba Mais – Documentários
Trabalho Interno (Inside Job)
Pouco mais de dois anos após o estouro da crise econômica mundial, em setembro de 2008, o maior colapso financeiro desde a crise de 1929, foi lançado o documentário "Trabalho Interno". O filme é um dos indicados ao Oscar 2011.
Dirigido por Charles Ferguson e retrata os lados obscuros de Wall Street. Narrado pelo ator Matt Damon, revela verdades incômodas da crise que teve início com a quebra do banco americano Lehman Brothers.
Com base em uma extensa pesquisa e séries de entrevistas com políticos, economistas, jornalistas e personalidades do setor financeiro – como o mega investidor George Soros –, o filme revela as corrosivas relações e o jogo de interesses entre governantes, agentes reguladores do sistema financeiro e o mundo acadêmico.
Os depoimentos – em certos momentos concedidos de forma exaltada – e as entrevistas com alguns dos envolvidos no episódio – nitidamente contrariados diante das questões colocadas pelo diretor Charles Ferguson –, revelam ainda o esquema de mentiras e condutas criminosas, inflado pelos altos salários e pelos bônus bilionários oferecidos aos executivos do mercado financeiro.
Ferguson não poupa republicanos nem democratas: culpa ex-presidentes dos dois partidos, começando por Ronald Reagan, que assumiu o comando dos Estados Unidos em 1981 – ou seja, 27 anos antes da eclosão da crise –, passando pelos governos Bush (pai) e Bush (Jr.), Bill Clinton até Barack Obama.
Segundo o documentário, no governo Reagan teve início o processo de desregulação do setor financeiro, com a suspensão de diversas barreiras de segurança que poderiam ter evitado as operações de risco e as fraudes financeiras nas demonstrações contábeis dos bancos.
Esse descaso em nome de uma suposta melhoria nas condições de competição do sistema financeiro americano criou situações assombrosas, como a existência de um único funcionário responsável na Securities and Exchange Commission (SEC) – o órgão similar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil - por toda a gestão e fiscalização de exposição ao risco do mercado financeiro. Ferguson revela também as medidas desastrosas do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, potencializadas por uma condução governamental perigosa para a sustentabilidade econômica, num caldeirão com boas doses de corrupção, vista grossa e irresponsabilidade.
Direção: Charles Ferguson
Ano: 2010
Áudio: Inglês/Legendado
Duração: 108 minutos

Grande Demais Para Quebrar (Too Big to Fail)
Retratando o colapso de Wall Street com intensidade ímpar, Too Big to Fail mostra de forma fascinante os bastidores da crise que golpeou o sistema econômico dos Estados Unidos em 2008. Baseado no livro de mesmo nome, do autor Andrew Ross Sorkin, a produção da HBO explora o que viveram os poderosos homens e mulheres que decidiram o destino da economia mundial em poucas semanas. A trama é centrada no Secretário do Tesouro norte-americano Henry Paulson (interpretado por William Hurt), no presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke (Paul Giamatti) e no presidente do Banco Central de Nova York, Timothy Geithner (Billy Crudup), que junto com funcionários do governo, integrantes do Congresso e os presidentes das maiores empresas do mundo, tentaram salvar a economia norte-americana do colapso.
Direção: Curtis Hanson
Ano: 2011
Áudio: Inglês/Legendado
Duração: 98 minutos

1929: A Grande Quebra (1929: The Great Crash)
O ano de 1929 passou à história como o ano no qual estourou a maior crise econômica do sistema capitalista. Os “Felizes Anos Vinte” foram um tempo de prosperidade e bonança econômica para os Estados Unidos que, ao contrário dos seus aliados europeus, haviam ressurgido fortes e dominantes da Primeira Guerra Mundial. Esta seria uma época dourada caracterizada por fortes investimentos, crédito fácil e especulação que atingiria o seu auge em Outubro de 1929, após a devastadora queda da Bolsa de Wall Street. As consequências dramáticas não tardariam a fazer-se sentir: incalculáveis perdas econômicas, mais de três mil bancos na bancarrota e um grande número de famílias na mais completa ruína. O documentário aproxima-se desta época conturbada através dos testemunhos de pessoas que viveram este período histórico. Conta, além disso, com arquivo inédito da época e com a opinião de especialistas que irão comparar aquela época com a atual para compreender a situação que o mundo enfrenta neste momento.
Direção: Joanna Bartholomew
Ano: 2009
Áudio: Inglês/Legendado
Duração: 60 min