"Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento." Carlos Bernardo González Pecotche

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Vídeo aula: Professor Pasquale Explica

05 VOLUMES DISPONÍVEIS:
Pontuação - vírgula e outros sinais
Nome do Autor: Professor Pasquale
Aula: Vírgula, pra que te quero?
Bônus: 1-Observações gerais; 2-Pontuação e clareza; 3-Pontuação e expressividade; 4-Ponto e vírgula; 5-Outros sinais de pontuação; 6-Travessão.
Ano: 2009
Áudio: Português
https://mega.co.nz/#!6VE0mLSR!rkX0wRA_Ys2cTtzE7PsBHASOD7rZBjIBupD-4KqofyA Duração: 57 minutos
Tamanho: 96 MB 


Verbos 
Nome do Autor: Professor Pasquale
Aula: Modos Verbais.
Bônus: 1-Afinal, o que é o verbo?; 2-As formas nominais dos verbos;
3-Verbos regulares e irregulares; 4-Verbos defectivos; 5-Verbos que merecem atenção.
Ano: 2009
https://mega.co.nz/#!HBtTnZRa!VmGrZPNwMnlyW0ObJ8upB42kq6zPTatVNMpPPsQp-jIÁudio: Português
Duração: 84 minutos
Tamanho:135 MB

Análise sintática
Nome do Autor: Professor Pasquale
Aula: O Período Composto.
Bônus: 1-As classes de palavras e análise sintàtica; 2-Frases, período e oração; 3-Análise sintàtica do período simples; 4-O Sujeito;
5-Complementos verbais; 6-O agente da passiva; 7-Complemento nominal; 8-Os predicativos (do sujeito e do objeto); 9-Os adjuntos, o oposto e o vocativo.
Ano: 2009
https://mega.co.nz/#!KMVVwDAI!k_Uzze31jyXoPdT7DA0H214GF0VfANioRI441WIc6RIÁudio: Português
Duração: 84 minutos
Tamanho: 133 MB
A Crase
Nome do Autor: Professor Pasquale
Aula: 1ºEp. Que tal começar pelo significado da palavra crase?; 2ºEp. A crase e a regência; 3ºEp. Casos particulares de ocorrência da crase;
4ºEp. Casos especiais.
Bônus: 1-Casos que não ocorre crase; 2-Com acento ou sem acento: que significado você escolhe?; 3-Crase com pronomes demonstrativos;
4-Crase e clareza; 5-Uso facultativo da crase.
https://mega.co.nz/#!CQ02EYCQ!bokPOjfA_SAcaY4Ehhfr7Ep8fhPt0moQqbSN4RXV-UQAno: 2009
Áudio: Português
Tamanho: 141 MB
Redação
Nome do Autor: Professor Pasquale
Aula: O Sentido do Texto.
Bônus: 1-Considerações iniciais; 2-Tipos e Gêneros Textuais;
3-Considerações finais.
Ano: 2009
https://mega.co.nz/#!fZdhhBSA!E1xj2faLSwTk-_RpLTMWrZndZ1lm9kby4wmtkhZH_WEÁudio: Português
Duração: 52 minutos
Tamanho: 103 MB                                            

Democracia 'made in' Paraguai

Impeachment relâmpago do presidente Fernando Lugo tira o Paraguai do esquecimento internacional. A crise política é resultado de uma longa história de furos na democracia e de enriquecimento da elite às custas da população.
     Ele não é litorâneo, nem andino; e está acostumado ao ostracismo internacional desde os tempos da colonização, quando os esforços europeus se dirigiram aos metais preciosos, às produções agrícolas e às cidades de porto. Hoje, o Paraguai está no centro das discussões políticas latino-americanas. Não pelo sucesso, mas pela crise: o impeachment relâmpago do presidente Fernando Lugo, na última sexta-feira (22), e a ascensão ao poder do vice, Frederico Franco (que já foi presidente em outra ocasião), gerou muita desconfiança dos países membros do Mercosul, que o isolaram economicamente. O país agora está num cerco que remete àquele feito há mais de cem anos, na Guerra do Paraguai [veja o artigo de Leslie Bethel, Todos contra o Paraguai]. Para se entender a cena social, política e econômica de hoje, precisa-se voltar um pouco no tempo.
     A Guerra do Paraguai – ou contra o Paraguai – aconteceu na segunda metade do século XIX e constituiu-se na maior guerra da história da América do Sul, com violência e extensão assustadoras para os padrões da época. Após cinco anos de lutas o Paraguai passou à periferia da América a quem temos dedicado incansável esquecimento. Em 1894, por exemplo, Machado de Assis ironicamente perguntava em uma de suas crônicas: “A comissão uruguaia está trazendo medalhas comemorativas da campanha do Paraguai, não sendo propriamente antiga, fala de coisas velhas aos moços. Campanha do Paraguai! Mas então, houve alguma campanha do Paraguai? Onde fica o Paraguai?”. Com a economia devastada – sem recursos ou empréstimos para reequipamento – e com subnutrição e epidemias de todo tipo, o Paraguai tornara-se um país de sobreviventes, sobretudo indígenas, “bárbaros” confusos e dispersos em seu próprio território.  

O Paraguai de Stroessner
     As relações com o Brasil só tornariam ao centro das discussões no contexto dos esforços paraguaios de integração regional e mundial iniciados nos anos de 1960, que tiveram como marco a construção da hidrelétrica de Itaipu, no rio Paraná. À época, estava no poder o general Alfredo Stroessner, que governou durante 35 anos (1954 a 1989) após um golpe de Estado. Stroessner poderia muito bem ter seu governo comparado ao dos ditadores africanos que enriqueceram, assim como seus partidários, à custa do empobrecimento e sacrifício da maior parte da população. Ambicioso, o projeto de construção da usina hidrelétrica de Itaipu gerou algumas fortunas aos companheiros do general e
tornou mais dócil o até então imprevisível exército.
      Por outro lado, o Partido Colorado teve suas alas moderadas expulsas, enquanto a extrema direita avançava e tornava quase obrigatória a filiação de todos os servidores públicos. Assim, uma estranha democracia, bestializadora diriam alguns, deu a vitória ao general Stroessner nos oito pleitos eleitorais seguintes e distribuiu recursos, rendas fundiárias e energéticas às suas clientelas. Destaque-se ainda a fundação, em 1957, da cidade Puerto Presidente Stroessner, mais tarde denominada Cidade do Leste, na divisa com o Brasil e separada de Foz do Iguaçu pela ponte internacional chamada coerentemente de “Ponte da Amizade”. O livre comércio de produtos asiáticos converteu a região no paraíso da ilegalidade e do contrabando, fomentando uma imagem internacional do Paraguai ligada às mercadorias de baixa qualidade e preço, porém mais acessíveis aos desejosos da aparência inclusiva que a posse de certos artigos, especialmente eletrônicos, pode fornecer nos países hoje ditos em desenvolvimento.

O Paraguai hoje
     Desigualdade social e fundiária, baixo grau de acesso à educação e saúde de qualidade, altos índices de corrupção política e econômica, e mão de obra vendida a preço vil. Foi este quadro tão perverso quanto comum nos países latino americanos, que Fernando Lugo se comprometeu a romper durante a campanha presidencial de 2008. Bispo católico com algumas denúncias de paternidade no currículo e experiência política reduzida à militância junto aos movimentos sociais na diocese de San Pedro, uma das regiões mais pobres do país, Lugo tornou-se chefe do executivo paraguaio prometendo viabilizar reforma agrária "projetada e negociada com todos os atores envolvidos, sem processos traumáticos nem violentos".
     Caso estivesse vivo para contar essa história, Salvador Allende, presidente chileno morto em 1973, dentro do Palácio La Moneda, talvez lhe dissesse que vias pacíficas e constitucionais para transformações profundas e redistributivas não são tão simples. Dividido entre o controle dos grupos de camponeses que invadiam propriedades na região agrícola mais rica do Paraguai, na fronteira com Brasil e Argentina, e os fazendeiros e políticos de oposição que denunciavam a violência das tomadas de terra e emperravam qualquer medida parlamentar de reforma agrária, o presidente Lugo isolou-se politicamente e tornou-se alvo fácil de uma democracia made in Paraguai. Foi acusado e teve teoricamente 18 dias para se defender – o veredito saiu de uma decisão política e não popular. Mas, em dois dias, correram a abertura do processo, a acusação, defesa, julgamento e condenação.
     “Como sempre atuei no marco da lei, embora essa lei tenha sido torcida como um frágil ramo ao vento, me submeto à decisão do Congresso e estou disposto a responder sempre por meus atos como ex-mandatário nacional”. A declaração de Lugo ao deixar a presidência do Paraguai invoca a legalidade como estratégia de defesa e justificativa, recurso comum entre direitas e esquerdas latino-americanas. Em 1964, no Brasil, o presidente João Goulart e seu governo trabalhista foram golpeados por ação civil-militar que deu início a uma longa ditadura. Também estavam em pauta projetos de reforma agrária, redistribuição de renda e a salvaguarda da legalidade constitucional defendida como projeto e desprezada como processo.
     Talvez seja o momento de mudarmos o discurso e repensarmos uma das questões fundamentais do pensamento político moderno: a raiz e a fortaleza da democracia, a soberania popular. Ao bom investigador não faltam indícios das fragilidades jurídicas da sociedade e de sua ineficiência no exercício pleno da soberania popular. Sinais de que nos meandros das crises podemos encontrar o caminho para a modernização não mais das instituições, da técnica e dos procedimentos, mas do significado da política e do espírito democrático.

Filme:
 Guerra do Brasil – Toda verdade sobre a Guerra do Paraguai
Entre 1864 e 1870, a América do Sul foi palco do maior e mais sangrento conflito armado do século, conhecido como a Guerra do Paraguai ou, para os paraguaios, Guerra Grande. Ao misturar realidade e ficção, o filme debate este "ensaio" da I Guerra Mundial, que envolveu Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, vitimando em torno de um milhão de pessoas.
No longa, entrelaçam-se a história oficial, o imaginário popular e a crítica de militares, cronistas e historiadores, articulado a um complexo painel iconográfico e musical, e a um resgate visual do teatro de operações no Paraguai.
O filme foi contemplado com o Prêmio Especial do Júri, no III Rio-Cine Festival (1987); e Melhor Roteiro, no I Festival de Cinema de Natal (1987).
Direção: Sylvio Back
Ano: 1987
Áudio: Português
Duração: 80 minutos

sábado, 30 de junho de 2012

Especial - Akira Kurosawa

A poderosa sombra do símbolo
Por meio de imagens belíssimas, 'Kagemusha, a sombra do samurai' narra a disputa pelo poder entre três clãs durante a guerra civil japonesa, no século XVI.
"É preciso que as coisas mudem de lugar para que permaneçam onde estão". A frase é de outro filme – O Leopardo, de Luchino Visconti -, mas pode ser usada para descrever o ambiente que Akira Kurosawa brilhantemente dirige em “Kagemusha, a sombra do samurai”. Na película, Kurosawa narra o conturbado período de guerra civil japonesa nos anos de 1573 a 1575, devido à disputa entre três clãs (Nobunaga, Tokugawa e Takeda) pelo poder. O desejo dos grupos era dominar Kioto: a conquista da cidade significava a liderança por todo o território nipônico.  O filme - que contou com o apoio financeiro de Francis Ford Coppola e George Lucas – estreou em 1980, virou sucesso mundial em pouco tempo. Além de grande bilheteria, conquistou diversos prêmios, entre eles a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
     Parte das suas referências é real. Desde o século X aconteciam disputas sangrentas pela região. Em 1542, houve transformações que mudaram o caráter desses conflitos: a chegada dos mercadores portugueses com novas tecnologias de guerra. As primeiras armas de fogo foram introduzidas no combate, assim como uma nova religião com os jesuítas, mas nem todos os clãs incorporaram essas modificações. O clã Nobunaga aparece como aquele que se modernizou. Há uma cena que descreve bem essa apropriação do ocidente, em que o chefe e suas tropas saem dos seus domínios e há um padre rezando por eles. O senhor de guerra acena e responde com a palavra “Amém”.
     Partindo desse rico contexto, Kurosawa escolhe dar especial atenção ao clã Takeda. Após Shingen (Tatsuya Nakadai), chefe desse clã, ficar gravemente ferido, ele ordena aos seus conselheiros que, caso ele morra, a morte seja ocultada por pelo menos três anos. Exige ainda que não haja deslocamento na guerra, para que se preserve seus domínios. Com o seu falecimento, seus desejos são realizados. Para isso, eles se utilizam de um sósia, um ladrão que ia ser morto, mas que por sua semelhança com o falecido, termina sendo salvo e posto nesse lugar de extrema responsabilidade. O segredo deve ser mantido diante dos inimigos e do exército e membros de Takeda.
     A partir desse ponto, várias são as metáforas para indicar a imobilidade do clã. Kagemusha no Japão significa sombra. A palavra é bem curiosa. Diante desse mundo já descrito de intensas transformações, a sombra do líder permanece ali na figura do sósia. Todo um mundo mítico que já estava desaparecendo tenta ser recuperado pelos personagens, que querem preservá-lo mesmo que as mudanças sejam avalassadoras. O lema do clã - “Veloz como o vento, silencioso como a floresta, feroz como o fogo e imóvel como a montanha” - é bastante revelador, nesse sentido. As três primeiras qualidades se referem ao exército, mas a última é do chefe, que permanece imóvel olhando pelos seus amos. Embora Shingen seja realmente a figura mais poderosa do clã, ele é usado como um símbolo em torno do qual toda a velha ordem gira.
O sósia – que nunca nos é revelado o seu verdadeiro nome – deve permanecer projetando a figura da montanha. O ladrão é empurrado para viver esse papel, guiado pelo irmão do líder, Nobukado Takeda (Tsutomu Yamazaki) e um pequeno grupo de empregados. Apenas viver à sombra de seu líder é a orientação, agir como tal, enfrentar suas rotinas, imitar seus gestos, enganar amos como ele - e em alguns pontos do filme, é possível vê-lo se enganando. Os seus passos estão todos definidos. Para ele não resta nenhuma possibilidade de ação. É a total supressão de sua identidade a favor do clã que precisa ser preservado no nome da figura de Shingen. Devagar, no entanto, o kagemusha percebe que há uma enorme responsabilidade na sua figura, mas nada em suas mãos. A sombra nunca realmente entende o seu papel.
Kagemusha” chama atenção por sua fotografia belíssima. Legado de uma carreira artística do diretor que, antes de entrar no mundo do cinema, era um pintor muito talentoso. Algumas das cenas do filme foram inspiradas em suas pinturas: as cores das batalhas e os detalhes da cenografia de guerra refletem o tom e o traço dos pincéis. É uma história de guerra repleta de aventura, símbolos, ritos e tradições. É também um filme sobre um clã em decadência devido a sua resistência diante de um mundo em transformação. É uma obra-prima que discute muitos temas por meio de um período fascinante do Japão.
Ano: 1980
http://ul.to/p69uwv8uÁudio: Japonês/legendado
Duração: 180 minutos



Rapsódia em Agosto
O filme possui no seu elenco Richard Gere, representando o parente norte-americano de uma família japonesa, cuja avó Kane (Schiko Murase), a mulher mais velha da família, viu a bomba explodir e sofreu os efeitos da radiação. Os quatro adolescentes da família vão morar com a avó durante as férias, em Nagasaki enquanto seus pais viajam para o Havaí visitar um tio-avô doente. Após ouvirem o relato da avó a respeito da bomba, os adolescentes recebem a visita de seu primo norte-americano (Gere) que conta o outro lado da história marcado pelo arrependimento. Um arrependimento que se limita aos norte-americanos (certamente não todos) e não aos EUA, como república (uma das cenas mostra os adolescentes percebendo que entre todas as esculturas criadas para homenagear as vítimas da bomba de vários países do mundo, não há uma sequer do tio Sam).
Toda a história passa pelo drama de se decodificar não apenas a fragilidade de laços familiares, mas a sua vulnerabilidade perante tragédias como as de Nagasaki e Hiroshima. Para nós, ocidentais e orientais, fica a imaginação e o conhecimento de que hoje possuímos poder para repetirmos aquela mesma destruição várias vezes e em escalas muito maiores. Rapsódia em Agosto narra a explosão atômica não através de efeitos especiais ou com imagens de arquivo. É a história recontada não através de fatos – estes de conhecimento geral – mas através do olhar de quem viu as bombas caírem. Da cor triste de um episódio que deve ser lembrado não apenas para sabermos o quão longe podemos chegar, mas o quão perdidos ainda podemos estar.
Direção: Akira Kurosawa
Ano: 1991
http://ul.to/3ywaao26Áudio: Japonês/legendado
Duração: 98 minutos

Sonhos (Akira Kurosawa)
São oito segmentos. No primeiro, “A Raposa”, uma criança é avisada pela mãe que não deveria ir à floresta quando há chuva e sol, pois é a época do acasalamento das raposas, que não gostam de serem observadas. Mas ele desobedece aos conselhos e observa as raposas, atrás de uma árvore. Ao retornar para casa sua mãe não o deixa entrar e lhe entrega um punhal, dizendo que como ele havia contrariado a raposa ele deveria se matar, mas ela sugere algo que pode remediar a situação. Na segunda, “O Jardim dos Pessegueiros”, o irmão mais novo de uma família, ao servir chá para as irmãs, depara com uma moça que foge. Indo ao seu encalço, nota que ela é uma boneca e depara com os pessegueiros da sua casa totalmente cortados, restando só tocos. Os espíritos dos pessegueiros surgem para ele e, em uma dança melancólica, dizem que as bonecas são colocadas para enfeitar e festejar a florada dos pessegueiros, mas como eles não mais existem naquela casa não fazia sentido a presença das bonecas. Na terceira, “A Nevasca”, o líder de uma expedição, junto com seu grupo, se vê em meio a uma nevasca. Eles sucumbem a nevasca, mas repentinamente surge uma linda mulher que envolve o líder com uma echarpe prata. Ele percebe que ela é a morte, que se transforma em uma horrenda figura, então ele vê que está próximo do acampamento e tenta acordar os companheiros, mas não consegue. Ouve então uma corneta, indicando que o acampamento está mais próximo do que imagina. No quarto, “O Túnel”, ao entrar em um túnel o capitão de um exército é surpreendido por um cão, que ladra para ele. Atravessa então o túnel em curtos passos. Na saída ouve alguém caminhar e depara com um dos seus soldados morto em combate, que pensa não estar morto. No quinto conto, “Corvos”, um jovem pintor, ao observar as pinturas de Van Gogh, entra dentro dos quadros e se encontra com o pintor, que indaga por qual razão ele não está pintando se a paisagem é incrível, pois isto o motiva a pintar de forma frenética. No sexto conto, “Monte Fuji em Vermelho”, o Fuji entra em erupção ao mesmo tempo ocorre um incêndio em uma usina nuclear, provocado por falha humana. É desprendida no ar uma nuvem de radiação. Um homem relata ser um dos responsáveis pela tragédia e diz preferir a morte rápida de um afogamento à lenta provocada pela radiação. No sétimo, “O Demônio Chorão”, ao caminhar um viajante encontra um demônio, que lamenta ter sido um homem ganancioso e, como muitos, transformou a terra em um lastimável depósito de resíduos venenosos. No último, “Povoado dos Moinhos”, um viajante chega à um lugarejo conhecido por muitos como Povoado dos Moinhos. Lá não há energia elétrica e tampouco urbanização. Um idoso, ao ser indagado, relata que os inventos tornam as pessoas infelizes e que o importante para se ter uma boa vida é ser puro e ter água limpa.
Diretor: Akira Kurosawa
Ano: 1990
http://ul.to/muools5kÁudio: Japonês/Legendado
Duração: 119 Min.

Dersu Uzala (Akira Kurosawa)
O filme conta a história de um explorador (líder de uma expedição de levantamento topográfico na Sibéria) do exército russo, que é resgatado na Sibéria por um caçador Goldi (Dersu Uzala) que passa a servir-lhe de guia, dando início a uma forte amizade. Quando o explorador decide levar o caçador para a cidade, seus costumes se confrontam de forma esmagadora com o modo de vida burocrático na cidade, fazendo-o questionar diversos padrões da sociedade.
Dersu é um exemplo de humildade e sabedoria, e o filme mostra de maneira poética e sensível as diferenças culturais entre ele e o pesquisador russo. O diretor de fotografia aproveitou ao máximo as imponentes paisagens naturais da Sibéria e as registrou em belas imagens.
Numa das cenas inesquecíveis do filme, Dersu e o explorador russo se encontram em local aberto, uma estepe, quando uma nevasca os atinge. No frio siberiano (que pode atingir até 60º negativos), o russo se abate, quase que como entregue à morte certa. Dersu o convence a recolher os arbustos da estepe. Mesmo sem entender direito o significado do ato, este, cambaleante, faz o que Dersu lhe pede, até o esgotamento. Dersu então continua recolhendo a vegetação rala, que mais tarde se transformará numa pequena cabana, cavada na terra. Uma cena digna das melhores do cinema com relação ao embate entre natureza e sobrevivência.
Direção: Akira Kurosawa
http://ul.to/s5puu5whAno: 1975
Áudio: Russo/Legendado
Duração: 144 min

RAN
No Japão do século XVI, o senhor feudal Hidetora, patriarca do clã Ichimonji, aos 70 anos, decide dividir o reino entre os três filhos: Taro, Jiro e Saburo. Tarô, o mais velho, seguindo a tradição do patriarcado japonês, torna-se o líder do clã e recebe o Primeiro Castelo, centro do poder. Jiro e Saburo recebem, respectivamente, o Segundo e o Terceiro Castelo. Hidetora retém para si o título de “Grande Senhor” para permanecer com os privilégios, sem se responsabilizar com os deveres do cargo. Nos planos de Hidetora, Jiro e Saburo dariam apoio a Taro e os três, unidos, manteriam as conquistas da família, utilizando como exemplo, a parábola da flecha, de Motonari Mori, senhor feudal japonês que viveu entre 1497 – 1571.
Saburo contraria a ideia do seu pai, critica seu plano, lembrando-o da maneira como conquistou seus domínios, chamando-o de “velho tolo” ao esperar que seus filhos mantenham a lealdade a ele. Hidetora bane Saburo, entendendo essa reação como traição e também Tango, servo fiel que tenta persuadi-lo do erro que está cometendo. Porém, Hidetora segue adiante em sua decisão e o que ele vivencia é a destruição de sua família, a derrocada do poder e a violência descontrolada que atinge a todos, bons e maus. Ao presenciar o massacre que provocou, Hidetora enlouquece e vaga pelas ruínas como um fantasma, acompanhado de Tango e Kiyoami, o Bobo. Manipulando os dois irmãos, está Kaede, esposa de Taro e depois de sua morte, amante de Jiro. Kaede é a vingança personificada, cuja família foi derrotada e destruída por Hidetora, legitimando a posse de seus territórios, casando-a com seu 5 filho mais velho. Da mesma maneira, Jiro é casado com Sue, cuja família foi destruída por Hidetora, seu castelo queimado e seu irmão, Tsurumaru, cegado. Diferente de Kaede, Sue dedica-se ao budismo e perdoa seu sogro das atrocidades cometidas, atitude que Hidetora não consegue entender. Saburo e Hidetora reconciliam-se em vida, mas ambos morrem quando faziam planos para desfrutar de uma convivência pacífica.
Direção: Akira Kurosawa
Ano: 1985
http://ul.to/vymv7vtz
Áudio: Japonês/Legendado
Duração: 160 min

quinta-feira, 28 de junho de 2012

I República (1889-1930) / Complemento.

Símbolos da República
     A República foi proclamada. Mas não bastava a força para sustentar o novo regime. Era preciso persuadir a sociedade. Para isso, os republicanos tiveram que formular símbolos, imagens e rituais que mostrassem à sociedade a legitimidade do novo regime político. Esses símbolos deviam marcar também as diferenças entre a República e a Monarquia, comprovando as vantagens da primeira sobre a segunda.
     Para o historiador Jose Murilo de Carvalho, alguns símbolos republicanos eram novidades; outros nem tanto; muitos não foram aceitos pela sociedade. O primeiro símbolo a distinguir completamente a República da Monarquia foi Tiradentes, eleito como herói cívico a ser cultuado pelos republicanos - e isso porque membros da Inconfidência Mineira chegaram a defender a República enquanto Tiradentes foi condenado a forca pela monarquia portuguesa. Homenageando e respeitando Tiradentes, também se homenageava e respeitava a República. Assim, o dia 21 de abril, data de sua morte, foi considerado feriado nacional, junto com o 15 de novembro, dia da proclamação da República.
     Alguns dos novos símbolos republicanos não romperam completamente com o passado, sobretudo por causa da força da tradição da Monarquia. Nesta situação esta incluída a Bandeira Nacional.

      A República foi proclamada, mas não havia uma bandeira para representa-la. Alguns clubes republicanos chegaram a criar uma, copiando a dos Estados Unidos: listras horizontais verdes e amarelas e, à esquerda na parte de cima, um quadrado de fundo azul com estrelas brancas. Mas quem criou a nova bandeira foi Teixeira Mendes, um artista positivista.
     A bandeira do Império tinha o fundo verde, o losango amarelo e a esfera azul, como a atual. O verde representava a casa de Bragança, dinastia de D. Pedro I, enquanto o amarelo a Casa de Habsburgo, dinastia de D. Leopoldina. Dentro da esfera azul estavam os emblemas imperiais: a cruz, a esfera armilar, a coroa e os ramos de café e tabaco. Teixeira Mendes, no lugar dos emblemas imperiais, desenhou estrelas e colocou uma faixa branca com os dizeres "Ordem e Progresso", um lema positivista. Mantendo símbolos da Monarquia com inovações republicanas, os positivistas disseram querer dar continuidade entre o passado e o futuro.
     Outro símbolo pertencente à tradição da Monarquia que continuou presente foi o Hino Nacional. Os republicanos não tinham um hino: cantavam a Marselhesa, Hino Nacional da França, considerado, na época, música revolucionária. No dia da proclamação da República, ouvia-se, pelas ruas do Rio de Janeiro, pessoas cantando a Marselhesa. Mas era preciso ter um hino republicano. O novo governo abriu um concurso para escolher o novo hino.
     Ocorre que o Hino Nacional na época do Império - o mesmo de hoje - era muito popular. Como, então, deixar de reconhecer um símbolo cultuado pela população? Assim, manteve-se a música de Francisco Manuel da Silva, mas uma nova letra foi composta por Osório Duque Estrada. O concurso, desse modo, elegeu o Hino da Proclamação da República ("Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nos...”). Se no caso da bandeira a vitória foi dos positivistas, no caso do Hino a vitória foi da população.
     O ultimo caso refere-se ao fracasso na criação de um símbolo republicano: a imagem da mulher como símbolo republicano.
Recorrendo ao caso francês em que a República é representada por um símbolo feminino, Marianne, os republicanos brasileiros tentaram fazer o mesmo no Brasil. A tentativa fracassou. Na França, as mulheres, durante a Revolução Francesa, participaram da vida política do país. Daí não ser estranho um símbolo feminino para representar a República francesa. Mas, no Brasil, o mesmo não ocorreu. Portanto, tratou-se de um símbolo importado que, sem referências históricas, não foi reconhecido pela sociedade brasileira.
(CARVALHO, Jose Murilo de. A formação das almas: O imaginário da Republica no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.)

Estabelecendo o território
          Os primeiros governos republicanos enfrentaram problemas territoriais com os vizinhos latino-americanos. O primeiro deles foi sobre a região oeste dos atuais estados de Santa Catarina e Paraná, que era reclamada pelos argentinos. A questão foi resolvida pela arbitragem internacional norte-americana em 1895, confirmando a região como território brasileiro.
     Outra pendência foi com a França, sobre a demarcação das fronteiras do Brasil com a Guiana Francesa. Com arbitragem internacional do governo suíço, o Brasil venceu a disputa em 1900 impondo sua soberania sobre terras que hoje são parte do Amapá.   
     No ano seguinte, o Brasil entrou em disputa com a Inglaterra sobre os limites territoriais entre a Guiana Inglesa e Roraima. O rei da Itália, Vítor Emanuel II, foi convocado como árbitro internacional, e em 1904 ele decidiu a favor dos ingleses. Desse modo, o Brasil perdeu parte do território conhecido como Pirara, e a Inglaterra teve acesso à bacia Amazônica através de seus afluentes.
     Outro problema, bem mais complexo, foi onde hoje se localiza o Acre. Região que pertencia à Bolívia e ao Peru. Principalmente nordestinos em particular cearenses que sofriam com a seca, se estabeleceram ali para explorar a borracha, gerando conflitos armados com tropas bolivianas. Os brasileiros chegaram a declarar a independência política do Acre. Em 1903, a diplomacia brasileira conseguiu uma vitória com o Tratado de Petrópolis, que incorporava o Acre ao território brasileiro em troca de indenizações à Bolívia e ao Peru.
     Cabe destacar a relevante atuação de Jose Maria da Silva Paranhos Junior, o barão do Rio Branco, responsável pelas relações internacionais do Brasil entre 1902 e 1912. Ele esteve à frente das negociações das disputas territoriais do país, fez do Ministério das Relações Exteriores uma instituição profissionalizada e aproximou o Brasil dos Estados Unidos.

Messianismo e Milenarismo
     Dois conceitos nos ajudam a compreender melhor os movimentos que ocorreram em Juazeiro do Norte, Canudos e Contestado: messianismo e milenarismo. Messianismo e a crença na vinda de um messias para salvar a humanidade. Milenarismo e a crença na instauração do "reino de Deus" na Terra, que duraria mil anos.
     Desse modo, Canudos não pode ser considerado nem um movimento messiânico nem milenarista. Antonio Conselheiro não se apresentou como messias nem se referiu a um novo mundo que seria instaurado na Terra.
     O Contestado, porém, apresentou ao mesmo tempo fortes traços messiânicos e milenaristas. Tanto José Maria, aceito como o messias, já tinha vindo a Terra, quanta se esperava a imposição do "reino de Deus" na região com a sua volta.
     Em Juazeiro do Norte, havia um forte potencial milenarista, sobretudo com as beatas que tinham visões sobre o fim do mundo e a instauração da Nova Jerusalém. Mas o padre Cicero não queria romper com a Igreja católica nem com as instituições da Republica e impediu o movimento de ir adiante.

Reunindo Fiéis: Padre Cícero
     Em 1889, no povoado de Juazeiro do Norte, sul do estado do Ceará, na região do vale do Cariri, durante a missa celebrada pelo padre Cicero Romão Baptista, uma beata teria sangrado pela boca, logo após receber a hóstia. Para os paroquianos, tratava-se de um milagre: a hóstia teria se transformado em sangue.
A notícia do suposto milagre se espalhou, e uma comissão composta de padres e médicos foi designada pelo bispo para examinar o caso. Eles concluíram que podia mesmo tratar-se de milagre, mas o bispo não aceitou o laudo e nomeou outra comissão, cujo parecer foi implacável: tudo não passava de embuste.
     O bispo temia que o aumento do prestígio de Cícero estimulasse práticas religiosas fora do controle da Igreja, o que realmente acabou acontecendo: padre Cicero passou a ser idolatrado na região. Além das funções de padre, ele agia como juiz, conselheiro, ensinava práticas de higiene, acolhia doentes e criminosos arrependidos. O prestígio era tamanho que provocou a reação da alta hierarquia da Igreja.
Em 1892, 0 padre foi impedido de pregar e ouvir em confissão; dois anos depois, a Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Inquisição) decretou a falsidade do milagre em Juazeiro do Norte. A população reagiu: movimentos de solidariedade se formaram e irmandades se mobilizaram a favor do padre Cícero. Imensas romarias se dirigiam a cidade; beatas diziam ter visões que anunciavam a proximidade do fim do mundo e o retorno de Cristo.
     Assim, surgia na região um movimento que desafiava as autoridades eclesiásticas. O aumento das peregrinações tornou Juazeiro do Norte lugar em que rebeliões poderiam acontecer a qualquer momento. As autoridades da Igreja não deixaram por menos e excomungaram o padre Cícero em 1916.
Padre Cícero estava inserido na politica oligárquica da região. Em 1911, foi eleito prefeito de Juazeiro do Norte e tornou-se o principal articulador de um pacto entre os coronéis do Cariri. Até a sua morte, em 1934, aos 90 anos de idade, ele lutou, em vão, para provar que o milagre havia ocorrido.
 Abaporu
Abaporu trata-se de nome indígena que significa aba (homem) e poru (comer). Em tradução livre, leríamos "O homem que come".
A imagem sugere uma atitude de meditação: o apoio do rosto com uma das mãos. Mas o que chama a atenção no quadro é a desproporção entre o rosto e o pé e a mão. Os modernistas davam grande importância às raízes culturais brasileiras, daí o pé enorme em contato com a terra, absorvendo suas influências. Um grande Sol lembra o clima dos trópicos. Para muitos modernistas, o Abaporu foi interpretado como a representação do homem brasileiro. Não é um europeu, é um Abaporu, um homem que come. Ele se alimenta das mais variadas culturas.

Direitos de Cidadania
     Ao tratar de cidadania, vale uma referência ao sociólogo inglês T. H. Marshall, que elaborou uma maneira original para caracterizar os direitos do cidadão, divididos em três.
     Primeiro, os direitos civis - básicos e fundamentais do ser humano, como o direito à vida, à liberdade e à propriedade -, que garantem que ninguém poderá ser preso e/ou condenado sem processo legal e com garantias de defesa. A igualdade de todos perante a lei impede discriminações sociais, raciais, sexuais, religiosas, entre outras. Os direitos civis incluem as garantias à livre expressão do pensamento e da opinião, a liberdade religiosa e de imprensa, ao direito de ir e vir, a inviolabilidade do lar e da correspondência. Garantem ainda relações sociais baseadas na civilidade.
     Segundo, os direitos políticos, que incluem os direitos de representação, expressão, participação e organização política. A cidadania política é conhecida pelo direito de votar e ser votado.
     Por fim, os direitos sociais, que se referem às leis de garantia ao trabalho, à saúde e à educação, a previdência e à assistência social. Alguns intelectuais chamam a atenção para a necessidade de haver um quarto direito de cidadania: o direito ecológico, ou seja, a um planeta limpo.
Vale lembrar que os direitos de cidadania citados constituem um ponto de partida para a expansão de novos direitos - e não um fim em si mesmos.
     T. H. Marshall formulou suas ideias pensando na história europeia. Assim, os direitos civis surgiram ao longo das lutas contra o absolutismo nos séculos XVII e XVIII. As revoluções liberais na Inglaterra e na França e a independência dos Estados Unidos instituíram os direitos civis nesses países. Ao garantir direitos contra a tirania dos monarcas absolutistas, o liberalismo atuou de maneira revolucionária naquele momento. Os direitos políticos, por sua vez, foram expandidos nas sociedades europeias ao longo dos séculos XIX e XX. Somente no século XX os trabalhadores tiveram acesso aos direitos sociais.
Como as três modalidades de direitos de cidadania enumeradas por Marshall tiveram como referência a história europeia, em outras regiões do planeta - incluindo o Brasil - a instituição desses direitos não ocorreu da mesma maneira.

I República e cidadania
*Leia e reflita: Sem um Poder judiciário independente, é possível, o exercício dos direitos civis?*
     Embora a Constituição de 1891 garantisse os direitos civis e os direitos políticos, uma série de restrições e práticas excludentes impedia que a maioria dos brasileiros tivesse acesso aos direitos de cidadania.
As mulheres, os homens menores de 25 anos, os analfabetos, os militares de baixa patente e os religiosos não tinham direito ao voto, o que restringia o direito de representação. Na primeira eleição para presidente da Republica, em 1894, calcula-se que apenas 2,2% da população participaram com o voto. Além disso, a política partidária era restrita às oligarquias. O voto aberto, o "voto de cabresto", a "eleição a bico de pena", as fraudes eleitorais e as violências e intimidações impediam o pleno exercício dos direitos políticos.
     Os direitos civis, por sua vez, tornaram-se privilégio das elites dominantes e das camadas ricas da população. O poder dos coronéis impossibilitava o exercício dos direitos civis, como as garantias à vida e à liberdade. A inviolabilidade do lar e a integridade física, por exemplo, poderiam ser desrespeitadas a qualquer momento por eles. A influência privada que exerciam sobre o sistema policial e judiciário impedia que o agredido pudesse se defender.
Sem os direitos políticos e civis garantidos, a população ainda não tinha acesso aos direitos sociais. A Constituição de 1891 não fazia referência a eles. Os trabalhadores não tinham leis sociais ou trabalhistas, nem acesso a redes de saúde e educação pública ou sistemas de pensões e aposentadorias.

Fonte: VAINFA, Ronaldo... [et al.] História. São Paulo. Saraiva. 2010.
Filmes:
A Guerra dos Pelados
O filme é baseado no episódio histórico da Guerra do Contestado (1912-1916), quando em 1913, em Santa Catarina, houve um conflito envolvendo cessão de terras e uma estrada de ferro estrangeira. Os expropriados foram chamados de "pelados", pois rasparam a cabeça e se entrincheiraram num reduto messiânico. Filmado em Caçador (Santa Catarina), roteiro chegou a detalhes na guerra corpo a corpo e na estratégia militar. Encerra-se depois que os pelados sofreram duro golpe em Taquaruçu, onde 700 soldados da República os fazem recuar e fugir para Caraguatá. As cenas finais são dos sobreviventes, a cavalo e a pé, rumando para Caraguatá, já sob liderança de resistência de Adeodato e sob liderança espiritual de Ana, a jovem com 15 anos de idade.
Direção: Sylvio Back
Ano: 1970
Áudio: Português
Duração: 98 minutos

Guerra de Canudos
Baseado em fatos reais da história brasileira, a Guerra de Canudos, opôs aos soldados do Presidente Prudente de Morais aos beatos reunidos em torno de Antônio Conselheiro. Em 1893, Antônio Conselheiro (José Wilker), um monarquista assumido, e seus seguidores começam a tornar um simples movimento em algo grande demais para a República, que acabara de ser proclamada e decidira por enviar vários destacamentos militares para destruí-los. Os seguidores de Antônio Conselheiro apenas defendiam seus lares, mas a nova ordem não podia aceitar que humildes moradores do sertão da Bahia desafiassem a República. Assim, em 1897, esforços são reunidos para destruir os sertanejos. Estes fatos são vistos pela ótica de uma família sertaneja que se divide quando a filha mais velha, Luiza (Cláudia Abreu), se recusa a acompanhar os pais (Paulo Betti e Marieta Severo) na peregrinação liderada por Antônio Conselheiro, Luiza foge e se torna prostituta. Sua família se estabelece em Belo Monte, região de Canudos, onde Conselheiro e seus fiéis procuram resistir aos ataques dos soldados federais enviados para acabar com o povoado.
Direção: Sérgio Rezende
Ano: 1997
Áudio: Português
Duração: 165 minutos

Macunaíma
Macunaíma é um herói preguiçoso, safado e sem nenhum caráter. Ele nasceu na selva, negro (Grande Otelo) virou branco (Paulo José). Depois de adulto, deixa o sertão em companhia dos irmãos. Macunaíma vive várias aventuras na cidade, conhecendo e amando guerrilheiras e prostitutas, enfrentando vilões milionários, policiais, personagens de todos os tipos. Depois dessa longa e tumultuada aventura urbana, ele volta à selva. Um compêndio de mitos, lendas e da alma do brasileiro, a partir do clássico romance de Mário de Andrade. De acordo com o diretor Joaquim Pedro de Andrade, Macunaíma é "a história de um homem que foi comido pelo Brasil".
Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Ano: 1969
Áudio: Português
Duração: 108 minutos

sábado, 23 de junho de 2012

Igualdade penosa

Os ideais republicanos dos EUA eram incomodados pela escravidão. No Brasil, ela era considerada natural.
Marco A. Pamplona
     A escravidão negra nas Américas não foi uniforme. Do século XV ao XIX, uma enorme quantidade de africanos foi alocada pelo tráfico negreiro nos territórios americanos que estavam sob controle dos impérios europeus. Por causa dessa imigração forçada, cerca de 400 mil cativos foram enviados para as colônias da América inglesa, 1,6 milhão para a América espanhola e 3,6 milhões para a América portuguesa. Levando em conta a intermitente ação do contrabando, chega-se a um total estimado de 10 milhões de pessoas. Tanto na América do Norte quanto no Brasil, a escravatura sobreviveu ao fim do mundo colonial e soube se ajustar às formas de governo que os dois Estados politicamente soberanos, constituídos após a independência, adotaram para si.
     O desenvolvimento da escravidão no contexto republicano criou graves impasses nos Estados Unidos. A própria ideia de república pregava uma ampliação da igualdade política e condenava, por princípio, a existência de “diferentes condições de gente” e a manutenção de seus privilégios. Na prática, porém, o país teve que conviver com a exploração de cativos. Expressando os arranjos políticos entre os estados livres e os escravistas, modificações sutis foram feitas na Carta Constitucional (1787). A mais conhecida foi a chamada “cláusula dos três quintos”, segundo a qual os escravos – sempre numerosos nos estados sulistas –, apesar de serem “propriedade”, poderiam ser contados como pessoas. Isto é, cada escravo valia “três quintos de um homem branco”, para efeito de cobrança de impostos e de representação no Congresso.
     A tensão entre os defensores e os opositores da escravidão aumentou algumas décadas depois e tomou as ruas, como nas revoltas antiabolicionistas da década de 1830, ocorridas nas principais cidades do Norte. Também foram frequentes as perseguições aos trabalhadores negros livres e libertos nas cidades portuárias do Sul, como Richmond e Charleston – especialmente nas épocas de crise, quando a massa de homens brancos pobres os via como usurpadores dos seus empregos. No Império do Brasil, aceitava-se com muita naturalidade a existência de “diferentes condições de gente” na sociedade e a valorização de privilégios para poucos. A manutenção de uma hierarquia social herdada da colônia inviabilizava, por princípio, a ideia de uma igualdade política para todos.
     Nas décadas de 1780 e 1790, uma grande campanha desenvolvida em ambos os lados do Atlântico, associou o tráfico negreiro ao que hoje poderíamos chamar de uma violação dos direitos humanos. Liderada pelos quakers britânicos e por várias organizações abolicionistas, a campanha fez da guerra contra o tráfico um embate contra a manutenção da própria escravidão. Em consequência disso, o Parlamento britânico o aboliu em todas as suas colônias em 1807. Mas, nos Estados Unidos, muitos dos opositores do tráfico eram donos de escravos – como Thomas Jefferson –, e logo se fez uma distinção entre o direito à propriedade e aos cativos e o direito à importação por meio do tráfico negreiro transatlântico. Por isso, a Constituição de 1787 estabeleceu uma data – 1º de janeiro de 1808 – a partir da qual seria oficialmente proibida a entrada de novos escravos africanos no país.
     Somente em 1831 foi promulgada uma primeira lei proibindo o tráfico no Brasil, prevendo pesadas penas aos infratores. Essa medida não teve a aplicação esperada, e levou a Grã-Bretanha a legislar diretamente para o Brasil. Por meio de uma lei, Bill Aberdeen, estabeleceu-se em 1845 que a Marinha britânica poderia capturar embarcações negreiras em todos os mares, inclusive em águas territoriais brasileiras, o que foi visto como uma violação de soberania. O impasse criado só foi solucionado com a Lei Eusébio de Queirós, de 1850, que levou à extinção do tráfico e ao estabelecimento de medidas complementares para a sua repressão.
     Nos Estados Unidos, os anos 1830 foram marcados por uma onda de resgate do protestantismo, o “Segundo Grande Despertar”. Homens e mulheres criaram movimentos e organizações variadas para pregar reformas políticas, religiosas e morais. Proliferaram também as sociedades antiescravidão e os movimentos abolicionistas, que fizeram um amplo uso da retórica fundamentalista para apresentar a escravidão como uma “corrupção” que a virtude republicana deveria combater, um “pecado” com o qual não se podia compactuar.
     Os comícios, sermões em igrejas batistas de negros, panfletos, jornais, xilogravuras, livros e peças bancados por esses grupos exerceram uma pressão enorme sobre a opinião pública. Desprezando a luta política institucionalizada dos partidos no Congresso, esses abolicionistas inundaram os estados sulistas com o seu explosivo material de propaganda em 1835, aterrorizando os escravocratas e inaugurando uma grave crise nas relações Norte-Sul. O início da década de 1840 assistiu ao arrefecimento do movimento que combatia a escravatura nos EUA, e que não iria mais se repetir.
     No Brasil, a luta parlamentar nunca foi deixada de lado, nem o caminho do abolicionismo gradual foi abandonado. Mas foi somente após a criação da Sociedade Brasileira contra a Escravidão (1880-1886) que se ampliou mais o fosso entre escravocratas e abolicionistas e houve uma maior mobilização popular pela abolição imediata e sem indenizações. Entretanto, seus defensores mais aguerridos – Joaquim Nabuco, André Rebouças e José do Patrocínio – viram-se frustrados com os resultados. A abolição definitiva acabou vindo com o ato da princesa Isabel em 1888.
     Os congressistas dos estados escravistas dos EUA e os representantes dos que eram livres fizeram, enquanto foi possível, acordos políticos para manter a convivência pacífica e os laços comerciais entre Norte e Sul. O chamado Compromisso do Missouri (1820) foi um desses acordos, a partir do qual as facções que defendiam e as  que criticavam a escravidão regularam a sua expansão nos novos territórios do Oeste, e passaram a proibi-la ao Norte do paralelo 36º 30’. Mais tarde, a Resolução de 1848, também conhecida como Wilmot Proviso, redefiniu esses limites, ao repartir entre o Norte livre e o Sul escravista os territórios que haviam sido anexados com a incorporação do Texas (1845) e com a vitória na guerra contra o México (1846-48). Mas em 1850, o desgaste das relações Norte-Sul tornou a crise iminente e fez da secessão uma possibilidade real.
     No terceiro ano da Guerra Civil, em 1863, quando o território dos Confederados – os onze estados do Sul que se desligaram da União – começou a ser invadido pelas tropas nortistas –, o presidente Lincoln emitiu uma “Proclamação de Emancipação”. Com este ato, ele libertou os escravos apenas nos territórios e estados ainda revoltosos, e criou um verdadeiro pandemônio no front inimigo. Com o fim do conflito, em 1865, aprovou-se a 13a Emenda da Constituição, decisão que acabou com a escravidão no país como um todo.
     O Estado assumiu a responsabilidade pelos libertos, garantindo a eles registros de identidade, oferecendo terras para o cultivo (“quatro acres e uma mula”) e reunindo parentes que haviam se dispersado no período da escravidão. Foi criado um órgão federal especial para realizar essas ações, o Freedmen’s Bureau (1865). A 14a Emenda (1866) decretou que todos os cidadãos nascidos no país ou naturalizados seriam considerados americanos, independentemente da cor, e teriam assegurados seus direitos à liberdade e à propriedade. Já a 15a(1868) defendeu o direito de voto para todos os cidadãos adultos, independentemente de “cor, raça, ou condição prévia de servidão”.
     A situação no Brasil pós-abolição foi bem diferente. Nada foi oferecido pela monarquia para a massa desorganizada de libertos “além da liberdade” – nem escolas, nem terras, nem a garantia da cidadania, muito menos o exercício dos direitos civis e políticos. Os republicanos que chegaram ao poder no ano seguinte (1889) lavaram as mãos em relação ao problema, que consideravam atributo exclusivo do Império. Ou seja, coisa do passado...
     Muitas das mudanças implementadas no Sul dos EUA após a Guerra Civil, durante os governos radicais, foram anuladas posteriormente pelo progressivo retorno das elites sulistas à cena política em seus estados de origem, no final da década de 1870. Mas a lembrança daqueles anos esteve patente quase um século depois, nos anos 1960, quando negros e brancos tiveram que sair novamente às ruas para promover manifestações e atos públicos em prol do exercício de voto pela população negra. Na famosa caminhada pelos direitos civis no Alabama, liderada por Martin Luther King em março de 1965, eles protestavam com a certeza de que a realidade poderia ser mudada. O hino dos direitos civis – “We shall overcome someday” [“Um dia vamos superar”] – continua reverberando ainda hoje. Afinal, o que lembramos ou esquecemos coletivamente na História sempre diz muito sobre nós mesmos – sobre quem somos e para onde queremos ir.

Marco A. Pamplona é professor da PUC-Rio e autor de Revoltas, repúblicas e cidadania. Nova York e Rio de Janeiro na consolidação da ordem republicana (Record, 2003).

Saiba Mais - Bibliografia
AZEVEDO, Célia Maria M. Abolicionismo – Estados Unidos e Brasil, uma história comparada (séc. XIX). São Paulo: Annablume, 2003.
FONER, Eric. Nada além da liberdade. A emancipação e seu legado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
MARQUESE, Rafael B., PARRON, Tâmis P., BERBEL, Márcia R. Escravidão e política. Brasil e Cuba, c. 1790-1850. São Paulo: Hucitec, 2010.
Saiba Mais - Filmes
Tempo de Glória (Glory)
A conquista do Oeste durante expansionismo dos EUA na primeira metade do século XIX agravou ainda mais as divergências já existentes entre o Sul rural e escravista e o Norte industrial e abolicionista.
A eleição de Abraham Lincoln em 1860 foi vista como uma ameaça pelos latifundiários sulistas, pois o presidente eleito, apesar de moderado defendia o fim da escravidão. Nesse contexto, a Carolina do Sul inicia um movimento separatista, que em 1861 forma uma nova União: os Estados Confederados da América. Durante a Guerra de Secessão (1861-1865), líderes civis e militares do Norte decidem criar o primeiro regimento negro dos EUA. Comandados por um oficial branco, sem experiência (Matthew Broderick), mas de uma influente família. Os homens do 54º Regimento de Massachussets lutavam pela liberdade e pela cidadania, arriscando suas vidas em batalhas sangrentas. Ao longo da guerra, os negros vão conquistando o lugar de verdadeiros soldados, até serem reconhecidos como heróis.
Direção: Edward Zwick
http://ul.to/aj2q7lypAno: 1989
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 110 minutos

Malcolm X
Biografia do famoso líder afro-americano Malcolm X (Denzel Washington) que teve o pai, um pastor, assassinado pela Klu Klux Klan e sua mãe internada por insanidade. Ele foi um malandro de rua e enquanto esteve preso descobriu o islamismo. Malcolm faz sua conversão religiosa como um discípulo messiânico de Elijah Mohammed (Al Freeman Jr.). Ele se torna um fervoroso orador do movimento e se casa com Betty Shabazz (Angela Bassett). Malcolm X no início defendia uma doutrina de ódio contra o homem branco até que, anos mais tarde, quando fez uma peregrinação à Meca abranda suas convicções. Foi nesta época que se converteu ao original islamismo e se tornou um "Sunni Muslim", mudando o nome para El-Hajj Malik Al-Shabazz, mas o esforço de quebrar o rígido dogma da Nação Islã teve trágicos resultados.
Malcolm X foi uma das figuras políticas mais carismáticas da história recente dos Estados Unidos. A sua mensagem política sobre as relações raciais mudou para sempre o papel dos Afro-americanos na sociedade americana e abalou a consciência política daquele país.
Esta é a história de um homem negro numa sociedade onde muitos negros não podiam votar, andar nos lugares da frente nos transportes públicos, ir a uma escola de brancos, a história das suas esperanças, dos seus sonhos, da sua luta e dos tumultos raciais dos anos 50 e 60.
Direção: Spike Lee
http://ul.to/u5ztsdcvAno: 1992
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 192 minutos

Fantasmas do Passado (Ghosts of Mississippi)
Myrlie Evers (Whoopi Goldberg) trabalhou para que o racista branco que matou seu marido Medgar, heróico ativista na luta pelos direitos civis da comunidade negra nos Estados Unidos, pagasse pelo crime que cometeu. Isso ocorreu ao longo de 30 anos e dois julgamentos inconclusivos. O modo como o assassino de Evers finalmente foi condenado pelo crime, chega às telas com uma carga emocional perturbadora em "um dos filmes mais importantes dos anos 90" (Paul Wundler, WBAI-FM/Nova York) Dirigido por Rob Reiner e estrelado por Alec Baldwin, Whoopi Goldberg e James Wood, "Fantasmas do Passado" cuidadosamente recriou detalhes de uma incansável busca por justiça. Também conta com a participação especial dos três filhos de Medgar Evers e Yolanda, filha do Reverendo Martin Luther King.
Direção: Rob Reiner
Ano: 1996
http://ul.to/taz5ke8hÁudio: Inglês/legendado
Duração: 130 minutos

Mississippi Em Chamas (Mississippi Burning)
Mississippi 1964, Rupert Anderson (Gene Hackman) e Alan Ward (Willem Dafoe), dois agentes do FBI, investigam a morte de três militantes dos direitos civis em uma pequena cidade onde a segregação divide a população em brancos e pretos e a violência contra os negros é uma tônica constante.
Um dos jovens desaparecidos é negro e os outros dois jovens são brancos ativistas contra a discriminação legitimada na região pela sociedade e pelo descaso das autoridades. Na cidade em questão, encontra-se um grupo que faz parte da Ku Klux Kan, organizações racistas que apoiam a supremacia branca e o protestantismo em detrimento a outras religiões. Ainda que nem todos os moradores compartilhem desse sentimento a favor da segregação racial, há um silêncio em relação ao assunto, e a Ku Klux Kan goza de uma impunidade providenciada pelas vistas grossas dos policiais locais. Alguns policiais, inclusive, participam dos atos violentos que o grupo promove contra a população negra local. Os negros vivem em condição de miséria e não podem frequentar os mesmos lugares que os brancos, a não ser em um espaço definido para eles. Os ataques constam de incêndios, espancamentos e mortes, sem que ninguém seja responsabilizado. O desenrolar da história mostra uma certa mudança de situação para os negros, principalmente quando alguns criminosos racistas são presos e condenados a longos anos atrás das grades. Porém, muito sangue foi derramado antes que algum benefício fosse atingido pela população discriminada.
Direção: Alan Parker
http://ul.to/t4e5esq9Ano: 1988
Áudio: Inglês/Legendado
Duração: 127min.

Mauá - O Imperador e o Rei
Com direção de Sérgio Rezende, o filme retrata a biografia de Irineu Evangelista de Souza, personalidade da história brasileira que se destacou como empresário no Segundo Império do país. Irineu construiu a primeira indústria brasileira, uma fundição e estaleiro em Ponta de Areia, Niterói (RJ).
Gaúcho, Mauá nasceu na cidade de Arroio Grande e o início de sua vida não indicava um destino tão brilhante. Ainda garoto, Irineu se tornou órfão, quando seu pai foi morto por ladrões de gado. Dois anos depois, sua mãe decidiu se casar novamente com João Jesus, que mandou o enteado para o Rio de Janeiro com Batista, seu tio.
No Rio, Irineu vai trabalhar no armazém do português Pereira de Almeida, onde descobre sua aptidão para os negócios. Torna-se funcionário de confiança e um cobrador impiedoso. Seu talento é reconhecido pelo escocês Richard Carruthers, que o emprega em sua firma de exportação e lhe dá as primeiras noções das teorias econômicas. No entanto, Carruthers decide voltar a sua terra natal e deixa Irineu no comando. Em uma viagem a Liverpool, Mauá se encanta com a potência das fábricas e decide arriscar tudo para construir uma indústria no Brasil.
Direção: Sérgio Resende
Ano: 1999
http://ul.to/i2pfl7iqÁudio: Inglês/legendado
Duração: 134 minutos

Saiba Mais: Links
”Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal ideia nos é estranha. Se não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água, como então podes comprá-los?”
Chefe Seattle

Neste artigo, Sandra Graham conta como e por que os senhores de escravos temiam que cativos se alfabetizassem. Mas não foi só aqui que isto aconteceu.