"Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento." Carlos Bernardo González Pecotche

sábado, 25 de agosto de 2012

Vestibulando Digital - Física


Vestibulando Digital é uma série de vídeo aulas exibida e comercializada em DVD pela TV Cultura, que aborda os principais tópicos do ensino médio. Neste tópico você encontrará 25 aulas de física.
Áudio: Português
Duração: 13 Minutos (cada aula)

Aula 01: Cinemática
Aula 02: Movimentos
Aula 03: Vetores
Aula 04: Movimento Circular
Aula 05: Leis de Newton
Aula 06: Atrito
Aula 07: Força Resultante
Aula 08: Trabalho e Potência
Aula 09: Energia
Aula 10: Impulso e Quantidade de Movimento
Aula 11: Hidrostática
Aula 12: Termometria
Aula 13: Calorimetria
Aula 14: Transmissão de Calor e Dilatação Térmica
Aula 15: Gases Perfeitos
Aula 16: Termodinâmica
Aula 17: Espelhos
Aula 18: Refração da Luz
Aula 19: Ondulatória
Aula 20: Carga e Corrente Elétrica
Aula 21: Leis de OHM e Resistores
Aula 22: Geradores, Receptores e Potência
Aula 23: Eletrização e Força Eletrostática
Aula 24: Campo Elétrico e Potencial Elétrico
Aula 25: Campo Magnético e Dinâmica de uma Partícula

Darcy Ribeiro - O Povo Brasileiro


     Em "O Povo Brasileiro", o antropólogo Darcy Ribeiro (1913-1997) nos conduz pelos caminhos da nossa formação como povo e nação. Afinal, quem são os brasileiros? Que matrizes nos alimentaram? Que traços nos distinguem?
     A série é uma recriação da narrativa de Darcy Ribeiro em linguagem televisiva. Os programas, de 26 minutos cada discutem a formação dos brasileiros, sua origem mestiça e a singularidade do sincretismo cultural que dela resultou. Com imagens captadas em todo o Brasil, material de arquivo raro, depoimentos de Chico Buarque, Tom Zé, Antônio Cândido, Aziz Ab´Saber, Paulo Vanzolini, Gilberto Gil, Hermano Vianna, entre outras personalidades., os dez programas da série discutem nossas origens, nossos percursos históricos, nossos temas e problemas, nossas perspectivas de futuro.
      Em 1995, lendo os primeiros capítulos dos originais de "O Povo Brasileiro", Isa Grinspum Ferraz sugeriu a Darcy Ribeiro (1922-1997), com quem colaborou por 13 anos, que contasse aquela história para mais gente, em programas de televisão. Apesar de já muito doente, Darcy aceitou a provocação e, por quatro dias, tornou-se ator de um grande depoimento sobre a formação cultural do Povo Brasileiro.
     Com imagens captadas em todo o Brasil, material de arquivo raro e depoimentos, a série é um programa indispensável para educadores, estudantes e todos os interessados em conhecer um pouco mais sobre o nosso país.
Direção: Isa Grinspum Ferraz
Ano: 2000
Áudio: Português
Duração: 26 minutos (cada episódio)
Clique no nome do episódio para assistir on-line
     No documentário que abre a série, Darcy Ribeiro pergunta: "Antes do Brasil existir, como podia existir o mundo? O Brasil nasce sob o signo da Utopia." O programa reconstrói o universo dos povos Tupi antes da chegada dos portugueses: a organização das aldeias, o sistema de crenças, a antropofagia, as práticas agrícolas, as guerras e as festas. Foi construído com imagens de povos indígenas brasileiros extraídas de dezenas de arquivos brasileiros e estrangeiros, captadas em película e vídeo durante o século XX.
Contém cenas filmadas por Darcy Ribeiro e Franz Forthman entre os Urubu-kaapor, em 1950. Contém imagens dos originais dos diários escritos por Darcy Ribeiro em sua longa convivência com povos indígenas, bem como documentos e desenhos dos séculos XI e XII, entre outros.
Exemplares de objetos indígenas foram filmados para o programa em museus e acervos brasileiros. Depoimentos de Azis Ab'Saber e Washington Novaes
     "Esse navio, essa criação, é mais importante que uma nau, dessas espaciais..." Assim Darcy Ribeiro fala das caravelas que permitiram aos portugueses dar início à globalização do planeta. O segundo documentário da série reconstrói o sofisticado universo dos portugueses às vésperas das viagens de exploração das fronteiras do Desconhecido.
O programa contém imagens de Portugal pesquisadas na Cinemateca Portuguesa e em outros acervos europeus. Contém vasta iconografia referente às influências árabe e israelita que marcaram a Península Ibérica, assim como imagens inéditas das festas do Espírito Santo, nos Açores e no Maranhão.
Tom Zé fala trechos de poemas de Fernando Pessoa. Gilberto Gil canta "Prece", também de Pessoa. Depoimentos do grande pensador português Agostinho da Silva, de Judith Cortesão e Roberto Pinho.
     "Toda a cultura brasileira está impregnada da herança africana. Sua presença fez quase tudo o que aqui se fez", diz Darcy Ribeiro neste programa que fala do conjunto das culturas negroafricanas que estão na base de nossa formação. O documentário nos faz conhecer a força, o requinte e a sofisticação dos bantos, haussás, jejes e yorubás que atravessaram o Atlântico no maior movimento de migração compulsória de que se tem notícia.
     O programa foi construído com imagens de arquivo pesquisadas em cinematecas e museus variados, bem como com o registro de vasta e variada iconografia (fotos de Pierre Verger e outros).
Contém imagens de peças africanas pertencentes a importantes colecionadores, filmadas na Bélgica. Depoimentos de Mãe Estela, do antropólogo Carlos Serrano e do etnólogo François Neyt, da Universidade Louvain-la-Neuve, da Bélgica. Participação especial de Gilberto Gil que canta e lê poemas africanos recriados por Antonio Risério.
     Neste documentário, Darcy Ribeiro reflete sobre os encontros e desencontros, no território hoje brasileiro, das nossas três grandes matrizes, e do início da aventura chamada Brasil. "Povo novo é como o Brasil, é um gênero novo. Um povo mestiço na carne e no espírito e, como tal, herdeiro de todas as taras e talentos da humanidade."
     O programa contém imagens originais captadas no Sul da Bahia. Imagens de danças populares filmadas pela "Missão de Pesquisas Folclóricas", de Mário de Andrade, em 1938. Trechos de filmes clássicos de Humberto Mauro. Trechos do Balet Benguelê, do Grupo Corpo.
Textos de Gilberto Freyre, entre outros. Tom Zé fala trechos da Carta de Pero Vaz de Caminha e de texto de Miguel de Cervantes. Depoimento do antropólogo Antonio Risério.
     "Negro era como carvão; um saco de carvão acabou, você compra outro...", diz Darcy Ribeiro no início deste que é o primeiro dos cinco programas sobre os Brasis. O documentário põe em perspectiva a região cultural que ele chama de crioula - Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão, região fortemente marcada pela presença negra. Fala de sua opulência e decadência.
     Com filmagens realizadas em Salvador, no Recôncavo baiano, em Ouro Preto e Rio de Janeiro, o programa conta ainda com rico material fílmico - documentários e ficção - pesquisado em arquivos brasileiros: Nelson Pereira dos Santos, o Tambor de Mina filmado pela "Missão de Pesquisas Folclóricas", de Mário de Andrade, em 1939. Dorival Caymmi e Chico Science. Cartola e Nélson Sargento. Candomblé e funk. Clementina de Jesus e sua receita de feijoada.
Desenhos de Carybé. Textos de Câmara Cascudo e Gilberto Freyre. Depoimentos de Gilberto Vasconcelos, Mãe Estela, do Babalaô Agenor Miranda da Rocha, de Mãe Filhinha, do antropólogo Roberto Pinho e de Luiz Melodia.
     No documentário sobre mais esta região cultural do Brasil, Darcy Ribeiro comenta: "Qualquer vaqueiro sabe, de experiência própria, quanto contrastam as facilidades disponíveis para socorrer a um touro empestado com as dificuldades que encontra para medicar um filho enfermo".
     O programa contém imagens originais filmadas em Canudos, Uauá, Petrolina e São Paulo. Contém uma vasta coleção de imagens raras extraídas de arquivos diversos, entre as quais: Lampião e seu bando, Padre Cícero, Luiz Gonzaga e sua sanfona.
     Contém cenas escolhidas dos clássicos "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha, "Vidas Secas", de Nelson Pereira dos Santos, "Memórias do Cangaço", de Paulo Gil Soares, entre outros. Contém ainda vasta iconografia inédita retirada dos arquivos de Lina Bo Bardi
Na música, além disso, temos a Banda Cabaçal e os Irmãos Aniceto, o forró dos índios Cariri e Mestre Ambrósio. Tom Zé canta Luiz Gonzaga. Textos de Guimarães Rosa, Roger Bastide e Euclides da Cunha pontuam o programa. Depoimentos de Paulo Vanzolini, Ariano Suassuna, Hermano Vianna, Antonio Risério. 
     O documentário investiga as origens e as transformações pelas quais passou o chamado "mundo caipira". Nele, Darcy Ribeiro fala sobre os bandeirantes, a caça aos índios e ao ouro, o surgimento e a descaracterização de mais essa região cultural brasileira. O programa contém imagens originais captadas no Sul de Minas, em Ouro Preto e em São Paulo.
     Contém imagens da Congada e do Moçambique, danças populares do mundo caipira, filmadas em 1935 por T. Lévi-Strauss. O Jeca Tatu e o Caipiródromo. As influências das matrizes portuguesa e negra. O Rei do Gado. A industrialização e a urbanização. Tom Zé declama Oswald de Andrade. Trechos de textos de Sérgio Buarque de Holanda pontuam o programa. Depoimentos de Antonio Cândido e Roberto Pinho
     Neste documentário, Darcy Ribeiro nos fala não de um, mas de três brasis sulinos: o dos índios guaranis e das Missões Jesuíticas, que geraram os gaúchos; "o dos ilhenhos, que Portugal mandou buscar para pôr uma presença portuguesa lá. E dos gringos, a gringalhada que caiu lá, como uma onda".
Com imagens captadas no Rio Grande do Sul (nos Pampas, em Porto Alegre e na Serra Gaúcha), imagens de arquivo das Missões e dos Açores, e iconografia muito variada, o programa desvenda um Sul pouco conhecido: sul de negros que cultuam orixás, Sul dos Sem-Terra, dos gaúchos-à-pé.
O velho Mondadori toca o "Boi Barroso". Lupcínio Rodrigues canta. Depoimentos de Judith Cortesão e de Eduardo Gianetti.
     "A Amazônia é o Jardim da Terra". Assim Darcy Ribeiro abre o programa convidando-nos a conhecer e a compreender melhor a formação e as características desse outro mundo, que é o caboclo. Mundo dos índios, das águas e do microchip. De Chico Mendes e da Zona Franca de Manaus. Com imagens originais captadas no Amazonas, o programa contém belíssimas imagens antigas de índios brasileiros, de seringueiros e castanheiros. A criação da Transamazônica e a biodiversidade.
Textos do Padre Vieira e do Marechal Rondon pontuam o programa. Depoimentos de Azis Ab'Saber, Márcio de Souza e Paulo Vanzolini. 
     "Nós temos que inventar o Brasil que nós queremos!", afirma Darcy no último programa da série. Programa que nos faz refletir sobre as utopias que, desde o início, nos acompanham em nossa trajetória: da ideia dos Tupi de uma Terra Sem Males, passando pelo ideal medieval de um Paraíso Terreal, até o projeto contemporâneo de um Brasil viável e possível que ainda vai florescer.
Programa-caleidoscópio, a "Invenção do Brasil" reúne imagens e manifestações culturais antigas e modernas das várias regiões do Brasil. Depoimentos de Eduardo Gianetti, Agostinho da Silva, Judith Cortesão e Roberto Pinho.

domingo, 19 de agosto de 2012

Portas abertas para a justiça social

     Depois de mais de uma década de debates, a política de ações afirmativas parece estar amadurecendo no Brasil. Na semana passada (07-08-2012), o Senado Federal aprovou um projeto de lei que tramitava há 13 anos para instituir cotas sociais e raciais em 50%das vagas de universidades e institutos tecnológicos federais.
     A medida, que ainda precisa ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff para começar a valer, representa um avanço na luta por justiça social e diversidade no ensino superior, mas especialistas alertam que o caminho para a igualdade de acesso à educação ainda é longo.
     Marcelo Paixão, professor da Faculdade de Economia da UFRJ e um dos principais especialistas em desigualdades raciais no Brasil, lembra que só cerca de 10% das vagas do ensino superior foram preenchidas por cotistas em 2010, embora cerca de 70% das universidades já adotassem o sistema.
     “O que já foi feito está aquém do necessário. Nós andamos para não sair no lugar. Depois de tantos anos de luta, o percentual do total de ingressantes em 2010 por cotas, segundo o Censo Nacional de Educação Superior, ainda é muito baixo. A iniciativa do senado é uma forma de fazer a roda acelerar e, portanto, é bem-vinda”, ressaltou.
     Bem-vinda, desde que bem acompanhada, observou a socióloga e professora da Faculdade de Educação da UFRJ, Rosana Heringer. “Podemos assistir a uma efetiva democratização do acesso, desde que as universidades públicas se preparem para receber esses alunos, tanto adequando a formação complementar, quanto ampliando políticas de assistência estudantil, como bolsas e auxílios para transporte, que contribuem para a permanência dos cotistas”.
     Embora comemore os avanços das ações afirmativas no Brasil, a professora da Escola de Comunicação da UFRJ Liv Sovik critica a falta de um debate que transcenda a mera opção pró e contra cotas entre os docentes. “Que papel tem a educação superior no universo geral da educação? O governo está muito preocupado com o PIB e o equilíbrio das contas, mas não tem um plano para a educação como um todo. É preciso saber o que estamos ensinando, pra que a universidade existe. Uma das coisas mais decepcionantes da atual greve é a falta de interesse dos professores nessa discussão”, afirmou Sovik.
     Segundo ela, o senso comum relaciona erroneamente a entrada de cotistas a uma queda na qualidade do ensino. “A falta de preparo dos alunos que chegam das escolas públicas à graduação é um problema. Mas os alunos de escolas particulares também não estão preparados. A ideia de que uma educação de luxo prepara o aluno para o ensino superior é uma falácia”. Liv aposta que a motivação do estudante supera a defasagem escolar. “Tenho alunos que, mesmo sem uma trajetória em colégios de ponta, são mais motivados e, com isso, têm um desempenho melhor”, acrescenta.
     A resposta a críticos que alegam que as cotas trazem prejuízo ao ensino deveria vir das instituições que já adotam ações afirmativas, mas ainda são poucas as que divulgam estudos sobre o desempenho dos cotistas. “Algumas universidades acreditam que os alunos podem se sentir discriminados e outras não publicizam seus resultados por questões políticas”, explicou Paixão. As pesquisas conhecidas dão contade desconstruir a relação entre cotistas e mau desempenho, como as realizados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pela Universidade de Campinas (Unicamp).

Cotas sociais x cotas raciais
     Pelo texto aprovado no Senado, metade das vagas será reservada para alunos que cursaram todo o Ensino Médio em escola pública. Desse total, 50% serão para estudantes com renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa. A outra parte será destinada a alunos negros, pardos e índios e, neste caso, a distribuição deve obedecer a mesma proporção dessas populações em cada estado, apontada no Censo do IBGE.
     A adoção de critérios de classe combinados com critérios de raça para a reserva de vagas não é ponto pacífico entre os defensores de ações afirmativas. Entre seus críticos está o pesquisador da UERJ João Feres Junior. “Dados da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro) mostram que nos anos em que vigorou o sistema antigo [cotas para escola pública separadas de cotas étnicas], 2003 e 2004, entraram respectivamente 40 e 60 alunos não-brancos – aproximadamente 11% do total de ingressantes. A sobreposição de critérios que passou a operar no ano seguinte derrubou esse número para 19”, argumenta em artigo intitulado “Inclusão no ensino superior: raça ou renda?”.
     Além de importantes ferramentas para ampliar a representação social de grupos minoritários em locais de prestígio social, como é o caso das universidades, as cotas raciais contribuem com a diversidade. “As turmas da graduação são muita homogêneas, concordam ou fingem concordar sobre uma série de questões e isso traz um problema pedagógico, não é bom pro debate, pra dinâmica das aulas. A educação superior vem formando historicamente as elites brasileiras e, no Brasil, elas são brancas. É fundamental que os jovens convivam com diferenças”, declarou Liv.
     Ainda é desproporcional o número de estudantes negros e indígenas que chegam ao ensino superior, em comparação com sua proporção na população, mas a sociedade brasileira demonstra estar cada vez mais aberta para o caminho da mudança e da inclusão.

Raça Humana
O documentário Raça Humana, que trata de um tema muito polêmico: a adoção de cotas raciais nas universidades brasileiras. É neste clima de “assunto proibido”, discutido só entre os pares, que os entrevistados do documentário Raça Humana, produzido pela TV Câmara, começam a desfiar o intrincado novelo das cotas. Durante três meses, a equipe que trabalhou no documentário acompanhou a rotina de uma das maiores universidades do país: a Universidade de Brasília-UnB, que de forma tão ousada quanto isolada adotou o sistema de reserva de vagas com recorte puramente racial. No documentário, alunos cotistas e não-cotistas, professores, movimentos organizados, partidos políticos e representantes da instituição falam abertamente sobre o “tabu” das cotas raciais, seja defendendo ou condenando o sistema.
No documentário, questões seculares e mal resolvidas da história do Brasil vão ressurgindo, tendo como pano de fundo a discussão das cotas raciais. Ao refletir sobre a reserva de vagas para negros no ensino superior, os entrevistados revelam que a discussão vai muito além: envolve o papel das universidades brasileiras; as falhas do sistema educacional; a questão da meritocracia nos vestibulares; o racismo e, principalmente, o papel do negro na estrutura socioeducativa do país.
Direção: Dulce Queiroz
Ano: 2010
http://www.youtube.com/watch?v=wd9jv3E_eKMÁudio: Português
Duração: 41 minutos

sábado, 18 de agosto de 2012

Nos tempos de Mussolini

A Itália durante a visita de Hitler, em 1938, é pano de fundo para dois filmes de Ettore Scola que retratam, de diferentes maneiras, a perseguição e a resistência na península durante o período fascista.
     Primeiros dias de maio de 1938. Adolf Hitler percorre varias cidades italianas, numa visita oficial que visa estreitar ainda mais os laços que unem seu governo com o da península, liderado por Mussolini. O acordo de amizade, assinado dois anos antes entre os dois paises, e que foi recebendo logo em seguida pelo próprio  Duce italiano o nome de Eixo, enaltecera os elementos que já aproximavam os dois regimes desde a tomada do poder de Hitler na Alemanha: progressiva eliminação de qualquer oposição e instauração de um regime político com partido único, autoridade concentrada nas mãos do líder (embora exercitada em meio a contínuos compromissos com vários centros de poder), supressão de uma atividade legislativa autônoma e ênfase no executivo, organização da propaganda e controle absoluto dos meios de comunicação. Os fascismos no poder se aliam e erguem uma muralha diante do mundo liberal e democrático.
     Mussolini, no governo na Itália desde 1922, reduzira progressivamente os espaços de liberdade política, sindical, de expressão. Hitler, guia do Estado alemão desde 1933, reerguera militarmente o país, conduzindo-o num processo de expansão territorial sem fim: em março de 1938 a Áustria é anexada (Anschluss) ao Reich, Viena independente não existe mais. Fascistas e nazistas estão apoiando há tempo o golpe das tropas nacionalistas na Espanha republicana. Antes do fim do ano, as armas alemãs, ameaçando a integridade da Tchecoslováquia, tornarão necessária uma conferência entre os lideres das quatro potências (Inglaterra, França, Alemanha e Itália) em Munique para evitar um conflito europeu. Mas o ano de 1939 mostrará que a guerra europeia e mundial de possibilidade remota virou trágica realidade. 

Um Dia Muito Especial
     Mas voltamos a Roma, Itália, 6 de maio de 1938. Enquanto multidões em festa acolhem o Führer em sua visita à cidade, há quem não participe diretamente do evento histórico. No seu belíssimo “Um dia muito especial”, de 1977, o diretor italiano Ettore Scola conta a história de duas pessoas, Antonietta e Gabriele, que se encontram casualmente naquele mesmo dia, numa Roma quase deserta, estabelecendo entre eles uma relação de simpatia e amizade. Ela, casada com um funcionário do Estado fascista e mãe de seis filhos, dona de casa frustrada e triste; ele, locutor radiofônico que acaba de ser despedido de seu trabalho. O filme nos apresenta o encontro entre duas solidões, a da mulher que vive pelo marido e pelos filhos, numa existência sem amor e sem esperança, e a do homem, que chega a confessar sua homossexualidade, motivo pelo qual perdeu seu emprego (a discriminação do militante político de esquerda, do cigano, do africano das colônias italianas e do homossexual marca a política fascista antes até da perseguição aos judeus).
     No longa, somos apresentados ainda a duas modalidades distintas de se posicionar diante da ditadura, ambas presentes no cenário histórico da Itália de então: a aceitação, em parte convencida, em parte resignada, da situação, sem muita capacidade de crítica e refém do fascínio carismático de Mussolini (Antonietta), e a oposição ao regime de certo mundo intelectual, que tenta manifestar sua insatisfação, mas não encontra formas adequadas e eficazes, e acaba sucumbindo (Gabriele). 
     O trabalho de interpretação dos atores, Sophia Loren e Marcello Mastroianni, dois astros do cinema italiano e mundial aqui em dois papeis diferentes de seus habituais registros, e a direção primorosa de Scola (que realiza no inicio do filme um magistral plano-sequencia que nos introduz na vida de Antonietta e em sua residência) tornam a película um dos pontos altos da carreira do cineasta. O diálogo constante entre as pequenas histórias dos dois protagonistas e a história pública, ‘oficial’, que se desenrola nas ruas da cidade, registrada pela voz onipresente dos aparelhos de radio que acompanham a visita de Hitler, é o verdadeiro trunfo do filme.  Aquele que na história foi ‘um dia muito especial’, por contribuir para cimentar uma relação (Hitler-Mussolini) que levará o mundo à catástrofe da guerra, se confirma tal também para aquele homem e aquela mulher: pela amizade que realiza entre os dois, pela tomada de consciência que desperta, pelas transformações que opera em suas existências. 
         
Concorrência Desleal
          Vinte e quatro anos e dezenas de filmes depois (entre os quais não se pode esquecer “Casanova e a revolução”, ainda com Mastroianni, em 1982) Scola volta àquele ano de 1938 e àquelas temáticas com seu delicioso “Concorrência desleal” (2001). De novo Roma, de novo 1938, então, mas agora o cenário não é um apartamento, e sim uma rua, onde, lado a lado, dois comerciantes trabalham no mesmo ramo de negócios: Umberto é um alfaiate que produz trajes sob medida, Leone é dono de uma loja de roupas prontas. Entre as respectivas famílias há laços de amizades, mas é concorrência aberta entre os dois. Concorrência ‘desleal’, segundo Umberto, pois seu rival se aproveita de suas ideias comerciais para aumentar suas próprias vendas, inclusive usando de preços mais baixos. Um detalhe importante: Leone e sua família são judeus, condição que, como para a maioria dos italianos de origem judia da época, não lhe impede uma pacifica convivência com o resto da população da rua.
     Mas estamos em 1938: Mussolini está cada vez mais ligando sua política à de Hitler (aqui também há a referência à passagem do líder nazista pela cidade, no mês de maio) e a partir de setembro varias medidas legislativas atingem os judeus, desde a proibição de frequentar escolas publicas, até o impedimento de casar com arianos. Leone e a família são atingidos, em suas vidas e negócios. Agora a ‘deslealdade’ passa para o plano humano, existencial: por que uma identidade, uma diversidade pode se tornar fonte de perseguição? Desleal é o regime que seleciona e separa, desleal é o italiano que aponta o dedo, delata e se aproveita. Scola retoma aqui o tema da discriminação do diverso que já abordou no filme de 1977.
     Ótimos interpretes, Sergio Castellitto e Diego Abbatantuono nos papeis principais, com Gérard Depardieu como o professor antifascista irmão de Umberto, e a habitual direção de Scola, capaz de alternar os timbres  da emoção e do sorriso com os do drama, levam o longa rumo ao seu epílogo: como no de 1977, o final não é dos mais felizes, mas mostra que há lições que vêm para ficar.

Um Dia Muito Especial

Direção: Ettore Scola
Ano: 1977
Áudio: Italiano/legendado
Duração: 103 minutos








Concorrência Desleal 

Direção: Ettore Scola
Ano: 2001
Áudio: Italiano/legendado
Duração: 106 minutos

domingo, 5 de agosto de 2012

Falsos mitos sobre a agroecologia

Neste vídeo criado pela Campanha Cresça em parceria com a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), são esclarecidos três falsos mitos sobre a agroecologia que são amplamente disseminados. De maneira simples, as organizações conseguem mostrar como a agroecologia não produz alimentos mais caros, faz grande uso de tecnologia e tem uma produtividade tão boa ou melhor que a da agricultura convencional. Além disso, com os dados apresentados é provado que a agroecologia é a grande alternativa para um sistema agrícola que possa alimentar o mundo. Veja abaixo:
 

Acesse os links abaixo para saber mais:

Introdução ao problema - a falta de alimentos para todos 
http://www.youtube.com/watch?v=DfmavV3LBfk

O que é preciso mudar

O que podemos fazer
http://www.youtube.com/watch?v=xtL6KyrrGRI

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Racismo Uma História

Como parte da comemoração do bicentenário da Lei de Abolição ao Tráfico de Escravos (1807), a BBC 4, dentro da chamada “Abolition Season”, exibiu uma série composta por três episódios, independentes entre si, abordando a história e os aspectos do racismo pelo mundo. São eles: “A Cor do Dinheiro”, “Impactos Fatais” e “Um Legado Selvagem”.
Direção: Paul Tickell
Ano: 2007
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 58 minutos (cada episódio)
1-A Cor Do Dinheiro
O programa examina as atitudes de alguns dos grandes filósofos em relação às diferenças humanas, incluindo a abordagem das implicações dos dogmas do Velho Testamento acerca dos atributos das diferentes raças, especificamente "A Maldição de Cam". Analisa a fracassada experiência democrática da Serra Leoa, a Revolução do Haiti, a primeira revolução escrava bem sucedida da história, demonstrando como ele passou da colônia mais rica das Américas ao país mais pobre do hemisfério norte. Este episódio trata, ainda que de forma superficial, da chamada "democracia racial" brasileira.
Por fim, conclui-se que a força motriz por trás da exploração e escravização dos chamados "povos inferiores" foi a economia, e que a luta para apagar e cicatrizar os feitos e legados deixados pelo sistema escravocrata ainda continua.

2-Impactos Fatais: Racismo, Imperialismo e Extermínio.
É a mais superficial das diferenças humanas, tem apenas a profundidade da pele. No entanto, como construção ideológica, a ideia de raça impulsionou guerras, influenciou a política e definiu a economia mundial por mais de cinco séculos.
O programa aborda as teorias raciais desenvolvidas na era vitoriana, a eugenia, o darwinismo social e o racismo científico, desenvolvendo a narrativa a partir da descoberta dos restos mortais encontrados no deserto da Namíbia pertencentes às primeiras vítimas do que ficaria conhecido como campo de concentração, 30 anos antes de o nazismo chegar ao poder na Alemanha.
Tais teorias levaram ao desenvolvimento da Eugenia e das políticas raciais nazistas. O documentário sustenta que os genocídios coloniais, o campo de morte da ilha de Shark, a destruição dos aborígenes tasmanianos e os 30 milhões de indianos vítimas da fome, foram apagados da história da Europa, e que a perda desta memória encoraja a crença de que a violência nazista foi uma aberração na história daquele continente. Mas que, assim como os ossos ressurgidos no deserto da Namíbia, esta história se recusa a ficar enterrada para sempre.

3-Um Legado Selvagem
O programa aborda o cruel legado deixado pelo racismo ao longo dos séculos. Iniciando pelos EUA, berço da Ku Klux Klan, onde o pesquisador James Allen, possuidor de vasta coleção de material fotográfico e jornalístico sobre linchamentos, defende que há um movimento arquitetado para apagar a mácula racial da memória do país. A seguir, remonta à colonização belga do Congo, por Leopoldo II, onde os negros que não atingiam a quota diária de borracha tinham a mão direita decepada. O documentário trata ainda da problemática racial na África do Sul (Apartheid) e Grã-Bretanha, abordando a luta do Movimento pelos Direitos Civis nos EUA e a desconstituição do mito da existência de raças.

sábado, 28 de julho de 2012

Guerra Sem Cortes

Por meio do plano-sequência, diretores de cinema aproximam o espectador de grandes dramas históricos.

     A obra de arte tem muitas vezes a capacidade de transportar as pessoas numa autêntica viagem que parece suspender o tempo e cancelar o espaço ao seu redor. Se isto é verdade para a leitura de uma obra literária ou a audição de um concerto de música, confirma-se com mais vigor ainda quando assistimos a um filme. A câmera substitui o nosso olhar e nos faz encontrar pessoas, percorrer lugares, viver situações. Nós vemos e vivemos o que a câmera vê e filma. A edição recorta e cola sequências, produzindo o efeito final da sucessão das cenas. O espectador parece viver dentro da tela.
     O efeito, contudo, é impressionante quando o cinema se serve de uma técnica que assemelha ainda mais a arte à vida: o plano-sequência, isto é, a filmagem direta e sem cortes de uma sequência de cenas. Uma das mais recentes produções cinematográficas que recorrem a esta técnica é o espetacular "Arca Russa", do diretor Alexandr Sokurov, uma verdadeira viagem pelos salões do museu Hermitage de São Petersburgo, que corresponde também a uma viagem pela história russa, através de três séculos: tudo em um único plano-sequência, de cerca de 90 minutos.
     Entre muitos filmes que lançam mão do plano-sequência, há dois que o fazem para retratar o drama da guerra e o desastre que ela provoca, mesmo quando a batalha foi vitoriosa. O primeiro é um filme de 2007, "Desejoe Reparação" ("Atonement", na versão original), dirigido pelo britânico Joe Wright. Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme dramático em 2008, o longa é uma adaptação do livro homônimo do também britânico Ian Mc Ewan, que discute sentimentos de amor, culpa e arrependimento, tendo como pano de fundo a sociedade inglesa da primeira metade do século XX.
     O ponto alto da película é um impressionante plano-sequência de cerca de quatro minutos, que mostra o protagonista, Robbie, e dois companheiros de armas na praia francesa de Dunquerque, em 1940, durante a retirada das tropas inglesas que foram para o continente lutar contra o avanço nazista sobre Paris, no começo da Segunda Guerra Mundial. A sequência se refere a um momento daquela que foi chamada de Operação Dínamo, e que consistiu na evacuação do porto de Dunquerque, e das praias ao redor da cidade, de milhares de soldados da Força Expedicionária britânica e de países aliados (entre final de maio e início de junho, sob intenso bombardeio inimigo, foram evacuados mais de 300 mil homens). A ofensiva alemã não dava mais chances de luta às tropas aliadas, que, encurraladas em poucos quilômetros de litoral, só podiam ser resgatadas pelo mar.
     O filme, no plano-sequência em questão, mostra Robbie em sua peregrinação pela praia, em busca de uma saída, e assim somos apresentados ao drama de milhares de soldados acuados naquele pequeno espaço vital, como ele. A câmera acompanha o protagonista e seus companheiros esbarrando com esta situação, aparentemente sem salvação. Há quem chore, quem brigue, quem beba e quem tente eliminar todas as potenciais presas dos nazistas, como cavalos e veículos. Um grupo de soldados, num coreto, entoa um hino religioso, talvez numa tentativa de transmitir força e esperança ao resto das tropas. Ao redor, somente máquinas de guerra inservíveis, areia, fumaça e até uma espectral roda gigante, paradoxal símbolo de uma diversão agora impossível. O resultado é um sugestivo exercício cinematográfico, aliado a mais uma exposição do que é o homem diante de uma condição extremada como a guerra.
     Ainda restando no âmbito da cinematografia britânica, outro plano-sequência memorável sobre um evento bélico se encontra quase no final do filme "Henrique V", dirigido por Kenneth Branagh. Realizado em 1989, é uma adaptação para o cinema da homônima peça de Shakespeare. O longa reconstrói a jornada do rei inglês, interpretado pelo próprio Branagh, em sua luta contra os franceses, durante a Guerra dos Cem Anos. A sequência se refere aos momentos sucessivos à batalha de Azincourt, no norte da França, travada em 25 de outubro de 1415, dia de São Crispim, entre o exército inglês (15 mil homens) e as muito mais numerosas tropas francesas (cerca de 50 mil). Shakespeare (Branagh também) põe na boca de Henrique V um breve discurso na véspera da batalha: "Aquele que sobreviver esse dia e chegar à velhice, a cada ano, na véspera desta festa, convidará os amigos e lhes dirá: "Amanhã é São Crispim". E então, arregaçando as mangas, ao mostrar-lhes as cicatrizes, dirá: "Recebi estas feridas no dia de São Crispim." O confronto se deu num terreno transformado em atoleiro pelas fortes chuvas, mas onde a habilidade dos arqueiros britânicos se sobressaiu, permitindo a derrota do exército inimigo, que sofreu perdas enormes.
     A vitória inglesa é celebrada através de um canto religioso, o “Non Nobis, Domine” ("Não a nós, Senhor"), que atribui somente a Deus a glória pelos sucessos humanos, nesta circunstância o triunfo em batalha. Entoada por um único soldado no começo da sequência, a música é cantada por cada vez mais vozes, transformando-se num crescendo ao longo do plano-sequência, durante o qual o espectador acompanha Henrique V. O rei, embora esgotado pela luta, ainda encontra forças para carregar nos ombros um jovem soldado morto e atravessar todo o campo de batalha, em meio a lama, sangue, feridos e cadáveres, lanças e flechas, até conseguir depor o corpo perto da bandeira inglesa. Como um triste cortejo, soldados exaustos acompanham os passos do rei, numa mistura de sentimentos, onde ao orgulho pela vitória se sobrepõe a consciência de que se tratou de um verdadeiro milagre divino e que mesmo assim custou demasiadas vidas humanas. Aqui o espectador também é transformado em mais um soldado do exército inglês, participando dos momentos finais daquela histórica batalha.
 Arca Russa (Russian Ark 2002)
Um museu como um ser vivo, uma entidade que respira e tem personalidade própria. Sokúrov empresta alma ao colossal palacete do Hermitage, em São Petersburgo, um dos maiores museus do mundo. Arca Russa foi filmado em um único plano-sequência, sem cortes, que dura 97 minutos e atravessa 35 salas do museu, transformando a tela de cinema em um quadro vivo por onde desfilam personagens importantes da história da Rússia: Pedro, o Grande; Catarina, a Grande; Catarina II, Nicolau e Alexandra.
Simbiose perfeita de cinema, história e artes plásticas, Arca Russa é uma experiência visual única e inesquecível.
Direção: Aleksandr Sokurov
Ano: 2002
Áudio: Russo/legendado
Duração: 95 min
Tamanho: 292 MB
Henrique V (Henry V 1989)
Esta é uma das melhores transposições para o cinema de uma das obras-primas do maior escritor de língua inglesa de todos os tempos, William Shakespeare, realizada por um especialista no assunto, o diretor e ator Kenneth Branagh. Trata-se da história de Henrique V (Branagh), da Inglaterra que entra em guerra contra a França, comandando um exército com menor número de soldados. Indicado ao Oscar de Melhor Diretor e Ator e vencedor do Oscar® de Melhor Figurino.
Direção: Kenneth Branagh
Ano: 1989
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 132 min
Tamanho: 392 MB




Desejo e Reparação (Atonement 2007) 
Em 1935, no dia mais quente do ano na Inglaterra, Briony Talles (Romola Garai) e sua família se reúnem num fim de semana na mansão familiar. O momento político é de tensão, por conta da 2ª Guerra Mundial. Em meio ao calor opressivo emergem antigos ressentimentos familiares. Cinco anos antes, Briony, então aos 13 anos, usa sua imaginação de escritora principiante para acusar Robbie Turner (James McAvoy), o filho do caseiro e amante da sua irmã mais velha Cecília (Keira Knightley), de um crime que ele não cometeu. A acusação na época destruiu o amor da irmã e alterou de forma dramática várias vidas.
Direção: Joe Wright
Ano: 2007
Áudio: Português
Duração: 123 min
Tamanho: 432 MB