"Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento." Carlos Bernardo González Pecotche

domingo, 2 de setembro de 2012

Crise econômica mundial - 2008

     O setor financeiro internacional recebeu apenas em 2008, quase dez vezes mais recursos públicos do que todos os países pobres do planeta nos últimos cinquenta anos. O dado foi divulgado pela campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) pelas Metas do Milênio, destinada a combater a fome e a pobreza no mundo. Enquanto os países pobres receberam, em meio século, cerca de US$ 2 trilhões em doações de países ricos, bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 trilhões em ajuda pública.
     A ONU alertou que a crise econômica mundial piorará ainda mais a situação dos países mais pobres, lembrando que, na semana passada, a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) afirmou que a crise deixará cerca de 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo.
     A revelação foi feita no início de uma conferência entre países ricos e pobres, que ocorre na sede da ONU, em Nova York, para debater o impacto da crise. Segundo o diretor da Campanha pelas Metas do Milênio, Salil Shetty, esses números mostram que a destinação de recursos públicos ao desenvolvimento dos países mais pobres não é uma questão de falta de recursos, mas sim de vontade política.
     “Sempre digo que se você fizer uma promessa e não cumprir é quase um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e não cumprir, então é praticamente um crime”, disse Shetty à BBC. “O que é ainda mais paradoxal”, acrescentou, “é que esses compromissos (firmados pelos países ricos para ajudar o mais pobres) são voluntários”. “Ninguém os obriga a firmá-los, mas logo eles são renegados”, criticou o funcionário da ONU.
     Um dos efeitos desta perversa distorção foi apontado pela FAO: a quantidade de pessoas desnutridas aumentará no mundo em 2009, superando a casa de um bilhão. “Pela primeira vez na história da humanidade, mais de um bilhão de pessoas, concretamente 1,02 bilhão, sofrerão de desnutrição em todo o mundo”, advertiu a entidade. A FAO considera subnutrida a pessoa que ingere menos de 1.800 calorias por dias.
     Do total de pessoas subnutridas hoje no mundo, 642 milhões concentram-se na Ásia e na região do Pacífico e outras 265 milhões vivem na África Subsaariana. Na América Latina e Caribe, esse número é de 53 milhões de pessoas. Em 2008, o total de desnutridos tinha caído de 963 milhões para 915 milhões. O motivo foi uma melhor distribuição dos alimentos. Mas com a crise, o quadro de fome no mundo voltará a se agravar. Segundo a estimativa da ONU, um milhão de pessoas deverão passar fome no mundo nos próximos meses.

Saiba Mais – Documentários
Trabalho Interno (Inside Job)
Pouco mais de dois anos após o estouro da crise econômica mundial, em setembro de 2008, o maior colapso financeiro desde a crise de 1929, foi lançado o documentário "Trabalho Interno". O filme é um dos indicados ao Oscar 2011.
Dirigido por Charles Ferguson e retrata os lados obscuros de Wall Street. Narrado pelo ator Matt Damon, revela verdades incômodas da crise que teve início com a quebra do banco americano Lehman Brothers.
Com base em uma extensa pesquisa e séries de entrevistas com políticos, economistas, jornalistas e personalidades do setor financeiro – como o mega investidor George Soros –, o filme revela as corrosivas relações e o jogo de interesses entre governantes, agentes reguladores do sistema financeiro e o mundo acadêmico.
Os depoimentos – em certos momentos concedidos de forma exaltada – e as entrevistas com alguns dos envolvidos no episódio – nitidamente contrariados diante das questões colocadas pelo diretor Charles Ferguson –, revelam ainda o esquema de mentiras e condutas criminosas, inflado pelos altos salários e pelos bônus bilionários oferecidos aos executivos do mercado financeiro.
Ferguson não poupa republicanos nem democratas: culpa ex-presidentes dos dois partidos, começando por Ronald Reagan, que assumiu o comando dos Estados Unidos em 1981 – ou seja, 27 anos antes da eclosão da crise –, passando pelos governos Bush (pai) e Bush (Jr.), Bill Clinton até Barack Obama.
Segundo o documentário, no governo Reagan teve início o processo de desregulação do setor financeiro, com a suspensão de diversas barreiras de segurança que poderiam ter evitado as operações de risco e as fraudes financeiras nas demonstrações contábeis dos bancos.
Esse descaso em nome de uma suposta melhoria nas condições de competição do sistema financeiro americano criou situações assombrosas, como a existência de um único funcionário responsável na Securities and Exchange Commission (SEC) – o órgão similar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil - por toda a gestão e fiscalização de exposição ao risco do mercado financeiro. Ferguson revela também as medidas desastrosas do Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, potencializadas por uma condução governamental perigosa para a sustentabilidade econômica, num caldeirão com boas doses de corrupção, vista grossa e irresponsabilidade.
Direção: Charles Ferguson
Ano: 2010
Áudio: Inglês/Legendado
Duração: 108 minutos

Grande Demais Para Quebrar (Too Big to Fail)
Retratando o colapso de Wall Street com intensidade ímpar, Too Big to Fail mostra de forma fascinante os bastidores da crise que golpeou o sistema econômico dos Estados Unidos em 2008. Baseado no livro de mesmo nome, do autor Andrew Ross Sorkin, a produção da HBO explora o que viveram os poderosos homens e mulheres que decidiram o destino da economia mundial em poucas semanas. A trama é centrada no Secretário do Tesouro norte-americano Henry Paulson (interpretado por William Hurt), no presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke (Paul Giamatti) e no presidente do Banco Central de Nova York, Timothy Geithner (Billy Crudup), que junto com funcionários do governo, integrantes do Congresso e os presidentes das maiores empresas do mundo, tentaram salvar a economia norte-americana do colapso.
Direção: Curtis Hanson
Ano: 2011
Áudio: Inglês/Legendado
Duração: 98 minutos

1929: A Grande Quebra (1929: The Great Crash)
O ano de 1929 passou à história como o ano no qual estourou a maior crise econômica do sistema capitalista. Os “Felizes Anos Vinte” foram um tempo de prosperidade e bonança econômica para os Estados Unidos que, ao contrário dos seus aliados europeus, haviam ressurgido fortes e dominantes da Primeira Guerra Mundial. Esta seria uma época dourada caracterizada por fortes investimentos, crédito fácil e especulação que atingiria o seu auge em Outubro de 1929, após a devastadora queda da Bolsa de Wall Street. As consequências dramáticas não tardariam a fazer-se sentir: incalculáveis perdas econômicas, mais de três mil bancos na bancarrota e um grande número de famílias na mais completa ruína. O documentário aproxima-se desta época conturbada através dos testemunhos de pessoas que viveram este período histórico. Conta, além disso, com arquivo inédito da época e com a opinião de especialistas que irão comparar aquela época com a atual para compreender a situação que o mundo enfrenta neste momento.
Direção: Joanna Bartholomew
Ano: 2009
Áudio: Inglês/Legendado
Duração: 60 min

sábado, 1 de setembro de 2012

Quem é quem no comércio mundial de armas

Estados Unidos já abocanham 78% das exportações mundiais — e são cada vez mais influenciados por seu próprio“complexo industrial-militar”. Por isso, mídia norte-americana prefere falar da China…

      Há pelo menos duas décadas, os Estados Unidos são o país com balança comercial mais deficitária do planeta. Ao longo de 2012, suas importações superarão as exportações em cerca de 600 bilhões de dólares — algo como o PIB da Suíça ou da Arábia Saudita. Porém, um setor de sua economia foge a esta regra. Trata-se da indústria armamentista. Além de ser a mais poderosa do mundo, ela ampliou de forma acelerada sua influência nos últimos cinco anos, revelou no domingo o New York Times. Tira proveito, diretamente, das tensões crescentes que a diplomacia de Washington tem provocado — em especial no Oriente Médio e nas disputas com o Irã.
     Os números são impressionantes. Num único ano, 2011, as vendas de armamentos por indústrias norte-americanas mais que triplicaram, saltando de pouco mais de 21,4 bilhões de dólares para cerca de US$ 60 bilhões. Depois deste avanço, os EUA passaram a abocanhar 78% do comércio mundial de armas, deixando muito atrás concorrentes como Rússia (6%), Europa Ocidental (6%) e China (3%).
     O grosso das vendas de armamentos dirigiu-se para a região mais conflagrada do planeta. Só a Arábia Saudita — o principal aliado estratégico dos EUA no Oriente Médio — adquiriu US$ 33,4 bilhões em armas pesadas, inclusive 84 caças F-15 (foto) e dezenas de helicópteros Apache e Black Hawk. Seguiram-se a ela duas outras monarquias ultra-conservadoras da Península Arábica, ambas fortemente alinhadas a Washington: Emirados Árabes e Omã. Segundo o New York Times, a causa essencial do aumento extraordinário de vendas foram “as preocupações com as ambições regionais de Teerã”.
     O Irã, contudo, não compartilha fronteiras com nenhum dos super-compradores de armas norte-americanas. A venda de artefatos bélicos foi fortemente influenciada pela própria diplomacia dos Estados Unidos, que se encarregou de demonizar o regime iraniano. Mas até quando a indústria armamentista poderá vender tanto, em tempos de paz? Em algum momento, ela não tentará criar condições para que os equipamentos que distribui sejam de fato utilizados em combate?
     As relações promíscuas entre indústria de armas, comandos militares e poder político nos Estados Unidos foram apontadas pela primeira vez pelo presidente Dwight Eisenhower — que cunhou a expressão “complexo industrial-militar”. No discurso de despedida que pronunciou, em 1961, ele alertou: “nossa organização militar atual parece muito pouco com tudo o que pôde ser conhecido por qualquer um de meus antecessores em épocas de paz, ou mesmo pelos que lutaram na II Guerra ou no conflito da Coreia. (…) A conjunção de um imenso establishment militar e uma grande indústria de armas é nova na experiência norte-americana. Sua influência — econômica, política e mesmo espiritual — é sentida em cada cidade, em cada câmara estadual, em cada escritório do governo federal. (…) Não devemos deixar de compreender suas graves implicações. (…) Precisamos nos proteger contra a conquista de influência, intencional ou não, pelo complexo industrial-militar”.
     Um sinal da “influência espiritual” da indústria de armamentos pôde ser sentida no sábado. Sem fazer referência alguma aos EUA, o Washington Post destacou, numa longa matéria com chamada de capa, “o grande crescimento das exportações chinesas de armas, na última década”… 

Saiba Mais - Filmes
Razões Para A Guerra (Why We Fight)
Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Sundance Film Festival de 2005, Razões Para a Guerra proporciona uma visão reveladora sobre como a América tem se preparado para a batalha e o que os obriga tão frequentemente a travar guerras ao redor do mundo.
Produzido em meio à segunda guerra do Iraque, o documentário é uma agressiva análise das forças que alimentam a máquina militar norte-americana por mais de meio século e suas consequências globais.
O filme começa com o discurso de despedida do presidente Dwight D. Eisenhower em 1961, no qual ele alertou os norte-americanos quanto ao crescimento do poder do "complexo industrial militar."
Expandindo a partir da advertência de Eisenhower, Jarecki conta ainda com entrevistas de soldados norte-americanos, oficiais do governo, informantes militares, empregados da área de Defesa, congressistas, acadêmicos, iraquianos e muitos outros que fornecem análises pessoais, políticas e econômicas sobre os últimos 50 anos da expansão militar dos Estados Unidos, guerras e intervenções.
O que surge é um retrato esclarecedor e arrepiante de como os interesses políticos, corporativos e militares se tornaram progressivamente ligados através do negócio que é uma guerra.
Se nós queremos defender e promulgar a paz, precisamos conhecer as razões para a guerra! “Por que nós lutamos?”. “Lutamos pela liberdade”. Essa resposta faz parte de uma cultura que tentou justificar a guerra pelos melhores motivos. A boa propaganda é muito eficiente em montar mentalidades...!
Direção: Eugene Jarecki
http://ul.to/biz4vafn
Ano: 2005
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 99 minutos

O Senhor das Armas (Lord of War)
Yuri Orlov (Nicolas Cage) é um traficante de armas que realiza negócios nos mais variados locais do planeta. Estando constantemente em perigosas zonas de guerra, Yuri tenta sempre se manter um passo a frente de Jack Valentine (Ethan Hawke), um agente da Interpol, e também de seus concorrentes e até mesmo clientes, entre os quais estão alguns dos mais famosos ditadores do planeta. O filme começa com Yuri Orlov declarando, "Há mais de 550 milhões de armas de fogo em circulação no mundo. É uma arma para cada doze pessoas no planeta. A única questão é: Como armamos as outras onze?" Começam então os créditos de abertura, mostrando a viagem de uma bala de fuzil, desde a fábrica no leste europeu até a cabeça duma criança africana. O resto do filme é contado em flashback, começando nos anos 1980 e acabando na cena inicial.
Direção: Andrew Niccol
Ano: 2005
http://ul.to/4fk0dnfdÁudio: Português
Duração: 122 minutos

Saiba Mais: Links

sábado, 25 de agosto de 2012

Vestibulando Digital Matemática

Vestibulando Digital é uma série de vídeo aulas exibida e comercializada em DVD pela TV Cultura, que aborda os principais tópicos do ensino médio. Neste tópico você encontrará 55 aulas de matemática.
Áudio: Português


Aula 01: Potenciação
Aula 02: Radiciação
Aula 03: Fatoração
Aula 04: Conjuntos
Aula 05: Funções I
Aula 06: Funções II (Propriedades das Funções)
Aula 07: Funções de Primeiro e Segundo Graus
Aula 08: Inequações
Aula 09: Vértice da Parábola
Aula 10: Função Exponencial e Logaritmos
Aula 11: Função Logarítmica
Aula 12: Módulo
Aula 13: Progressão Aritmética I
Aula 14: Progressão Aritmética II
Aula 15: Progressão Geométrica I
Aula 16: Progressão Geométrica II
Aula 17: Matrizes; Aula 18: Matrizes e Determinantes.
Aula 19: Geometria Analítica
Aula 20: Equação da Reta
Aula 21: Retas - Posição Relativa
Aula 22: Geometria Plana I
Aula 23: Geometria Plana II
Aula 24: Polígonos e Quadriláteros Notáveis
Aula 25: Teorema de Tales, Semelhança de Triângulos e Teorema de Pitágoras.
Aula 26: Lugares Geométricos
Aula 27: Áreas de Figuras Planas
Aula 28: Relações Trigonométricas no Triângulo Retângulo
Aula 29: Funções Trigonométricas no Ciclo Trigonométrico I (Seno e Cosseno)
Aula 30: Funções Trigonométricas no Ciclo Trigonométrico II (Tangente)
Aula 31: Arcos
Aula 32: Relações Trigonométricas nos Triângulos Quaisquer
Aula 33: Circunferência
Aula 34: Cônicas (Elipse, Hipérbole e Arco de Parábola)
Aula 35: Prisma e Cilindro Circular
Aula 36: Pirâmides
Aula 37: Cones e Troncos
Aula 38: Esfera e Partes
Aula 39: Geometria Métrica (Exercícios)
Aula 40: Análise Combinatória I
Aula 41: Análise Combinatória II
Aula 42: Probabilidade I
Aula 43: Probabilidade II
Aula 44: Médias
Aula 45: Grandezas Proporcionais
Aula 46: Regra de Três Simples e Composta
Aula 47: Juros
Aula 48: Conjuntos Numéricos
Aula 49: Números Complexos
Aula 50: Função Polinomial
Aula 51: Polinômios
Aula 52: Equações Algébricas
Aula 53: Determinantes
Aula 54: Sistemas Lineares
Aula 55: Análise Dimensional

Vestibulando Digital - Física


Vestibulando Digital é uma série de vídeo aulas exibida e comercializada em DVD pela TV Cultura, que aborda os principais tópicos do ensino médio. Neste tópico você encontrará 25 aulas de física.
Áudio: Português
Duração: 13 Minutos (cada aula)

Aula 01: Cinemática
Aula 02: Movimentos
Aula 03: Vetores
Aula 04: Movimento Circular
Aula 05: Leis de Newton
Aula 06: Atrito
Aula 07: Força Resultante
Aula 08: Trabalho e Potência
Aula 09: Energia
Aula 10: Impulso e Quantidade de Movimento
Aula 11: Hidrostática
Aula 12: Termometria
Aula 13: Calorimetria
Aula 14: Transmissão de Calor e Dilatação Térmica
Aula 15: Gases Perfeitos
Aula 16: Termodinâmica
Aula 17: Espelhos
Aula 18: Refração da Luz
Aula 19: Ondulatória
Aula 20: Carga e Corrente Elétrica
Aula 21: Leis de OHM e Resistores
Aula 22: Geradores, Receptores e Potência
Aula 23: Eletrização e Força Eletrostática
Aula 24: Campo Elétrico e Potencial Elétrico
Aula 25: Campo Magnético e Dinâmica de uma Partícula

Darcy Ribeiro - O Povo Brasileiro


     Em "O Povo Brasileiro", o antropólogo Darcy Ribeiro (1913-1997) nos conduz pelos caminhos da nossa formação como povo e nação. Afinal, quem são os brasileiros? Que matrizes nos alimentaram? Que traços nos distinguem?
     A série é uma recriação da narrativa de Darcy Ribeiro em linguagem televisiva. Os programas, de 26 minutos cada discutem a formação dos brasileiros, sua origem mestiça e a singularidade do sincretismo cultural que dela resultou. Com imagens captadas em todo o Brasil, material de arquivo raro, depoimentos de Chico Buarque, Tom Zé, Antônio Cândido, Aziz Ab´Saber, Paulo Vanzolini, Gilberto Gil, Hermano Vianna, entre outras personalidades., os dez programas da série discutem nossas origens, nossos percursos históricos, nossos temas e problemas, nossas perspectivas de futuro.
      Em 1995, lendo os primeiros capítulos dos originais de "O Povo Brasileiro", Isa Grinspum Ferraz sugeriu a Darcy Ribeiro (1922-1997), com quem colaborou por 13 anos, que contasse aquela história para mais gente, em programas de televisão. Apesar de já muito doente, Darcy aceitou a provocação e, por quatro dias, tornou-se ator de um grande depoimento sobre a formação cultural do Povo Brasileiro.
     Com imagens captadas em todo o Brasil, material de arquivo raro e depoimentos, a série é um programa indispensável para educadores, estudantes e todos os interessados em conhecer um pouco mais sobre o nosso país.
Direção: Isa Grinspum Ferraz
Ano: 2000
Áudio: Português
Duração: 26 minutos (cada episódio)
Clique no nome do episódio para assistir on-line
     No documentário que abre a série, Darcy Ribeiro pergunta: "Antes do Brasil existir, como podia existir o mundo? O Brasil nasce sob o signo da Utopia." O programa reconstrói o universo dos povos Tupi antes da chegada dos portugueses: a organização das aldeias, o sistema de crenças, a antropofagia, as práticas agrícolas, as guerras e as festas. Foi construído com imagens de povos indígenas brasileiros extraídas de dezenas de arquivos brasileiros e estrangeiros, captadas em película e vídeo durante o século XX.
Contém cenas filmadas por Darcy Ribeiro e Franz Forthman entre os Urubu-kaapor, em 1950. Contém imagens dos originais dos diários escritos por Darcy Ribeiro em sua longa convivência com povos indígenas, bem como documentos e desenhos dos séculos XI e XII, entre outros.
Exemplares de objetos indígenas foram filmados para o programa em museus e acervos brasileiros. Depoimentos de Azis Ab'Saber e Washington Novaes
     "Esse navio, essa criação, é mais importante que uma nau, dessas espaciais..." Assim Darcy Ribeiro fala das caravelas que permitiram aos portugueses dar início à globalização do planeta. O segundo documentário da série reconstrói o sofisticado universo dos portugueses às vésperas das viagens de exploração das fronteiras do Desconhecido.
O programa contém imagens de Portugal pesquisadas na Cinemateca Portuguesa e em outros acervos europeus. Contém vasta iconografia referente às influências árabe e israelita que marcaram a Península Ibérica, assim como imagens inéditas das festas do Espírito Santo, nos Açores e no Maranhão.
Tom Zé fala trechos de poemas de Fernando Pessoa. Gilberto Gil canta "Prece", também de Pessoa. Depoimentos do grande pensador português Agostinho da Silva, de Judith Cortesão e Roberto Pinho.
     "Toda a cultura brasileira está impregnada da herança africana. Sua presença fez quase tudo o que aqui se fez", diz Darcy Ribeiro neste programa que fala do conjunto das culturas negroafricanas que estão na base de nossa formação. O documentário nos faz conhecer a força, o requinte e a sofisticação dos bantos, haussás, jejes e yorubás que atravessaram o Atlântico no maior movimento de migração compulsória de que se tem notícia.
     O programa foi construído com imagens de arquivo pesquisadas em cinematecas e museus variados, bem como com o registro de vasta e variada iconografia (fotos de Pierre Verger e outros).
Contém imagens de peças africanas pertencentes a importantes colecionadores, filmadas na Bélgica. Depoimentos de Mãe Estela, do antropólogo Carlos Serrano e do etnólogo François Neyt, da Universidade Louvain-la-Neuve, da Bélgica. Participação especial de Gilberto Gil que canta e lê poemas africanos recriados por Antonio Risério.
     Neste documentário, Darcy Ribeiro reflete sobre os encontros e desencontros, no território hoje brasileiro, das nossas três grandes matrizes, e do início da aventura chamada Brasil. "Povo novo é como o Brasil, é um gênero novo. Um povo mestiço na carne e no espírito e, como tal, herdeiro de todas as taras e talentos da humanidade."
     O programa contém imagens originais captadas no Sul da Bahia. Imagens de danças populares filmadas pela "Missão de Pesquisas Folclóricas", de Mário de Andrade, em 1938. Trechos de filmes clássicos de Humberto Mauro. Trechos do Balet Benguelê, do Grupo Corpo.
Textos de Gilberto Freyre, entre outros. Tom Zé fala trechos da Carta de Pero Vaz de Caminha e de texto de Miguel de Cervantes. Depoimento do antropólogo Antonio Risério.
     "Negro era como carvão; um saco de carvão acabou, você compra outro...", diz Darcy Ribeiro no início deste que é o primeiro dos cinco programas sobre os Brasis. O documentário põe em perspectiva a região cultural que ele chama de crioula - Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão, região fortemente marcada pela presença negra. Fala de sua opulência e decadência.
     Com filmagens realizadas em Salvador, no Recôncavo baiano, em Ouro Preto e Rio de Janeiro, o programa conta ainda com rico material fílmico - documentários e ficção - pesquisado em arquivos brasileiros: Nelson Pereira dos Santos, o Tambor de Mina filmado pela "Missão de Pesquisas Folclóricas", de Mário de Andrade, em 1939. Dorival Caymmi e Chico Science. Cartola e Nélson Sargento. Candomblé e funk. Clementina de Jesus e sua receita de feijoada.
Desenhos de Carybé. Textos de Câmara Cascudo e Gilberto Freyre. Depoimentos de Gilberto Vasconcelos, Mãe Estela, do Babalaô Agenor Miranda da Rocha, de Mãe Filhinha, do antropólogo Roberto Pinho e de Luiz Melodia.
     No documentário sobre mais esta região cultural do Brasil, Darcy Ribeiro comenta: "Qualquer vaqueiro sabe, de experiência própria, quanto contrastam as facilidades disponíveis para socorrer a um touro empestado com as dificuldades que encontra para medicar um filho enfermo".
     O programa contém imagens originais filmadas em Canudos, Uauá, Petrolina e São Paulo. Contém uma vasta coleção de imagens raras extraídas de arquivos diversos, entre as quais: Lampião e seu bando, Padre Cícero, Luiz Gonzaga e sua sanfona.
     Contém cenas escolhidas dos clássicos "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha, "Vidas Secas", de Nelson Pereira dos Santos, "Memórias do Cangaço", de Paulo Gil Soares, entre outros. Contém ainda vasta iconografia inédita retirada dos arquivos de Lina Bo Bardi
Na música, além disso, temos a Banda Cabaçal e os Irmãos Aniceto, o forró dos índios Cariri e Mestre Ambrósio. Tom Zé canta Luiz Gonzaga. Textos de Guimarães Rosa, Roger Bastide e Euclides da Cunha pontuam o programa. Depoimentos de Paulo Vanzolini, Ariano Suassuna, Hermano Vianna, Antonio Risério. 
     O documentário investiga as origens e as transformações pelas quais passou o chamado "mundo caipira". Nele, Darcy Ribeiro fala sobre os bandeirantes, a caça aos índios e ao ouro, o surgimento e a descaracterização de mais essa região cultural brasileira. O programa contém imagens originais captadas no Sul de Minas, em Ouro Preto e em São Paulo.
     Contém imagens da Congada e do Moçambique, danças populares do mundo caipira, filmadas em 1935 por T. Lévi-Strauss. O Jeca Tatu e o Caipiródromo. As influências das matrizes portuguesa e negra. O Rei do Gado. A industrialização e a urbanização. Tom Zé declama Oswald de Andrade. Trechos de textos de Sérgio Buarque de Holanda pontuam o programa. Depoimentos de Antonio Cândido e Roberto Pinho
     Neste documentário, Darcy Ribeiro nos fala não de um, mas de três brasis sulinos: o dos índios guaranis e das Missões Jesuíticas, que geraram os gaúchos; "o dos ilhenhos, que Portugal mandou buscar para pôr uma presença portuguesa lá. E dos gringos, a gringalhada que caiu lá, como uma onda".
Com imagens captadas no Rio Grande do Sul (nos Pampas, em Porto Alegre e na Serra Gaúcha), imagens de arquivo das Missões e dos Açores, e iconografia muito variada, o programa desvenda um Sul pouco conhecido: sul de negros que cultuam orixás, Sul dos Sem-Terra, dos gaúchos-à-pé.
O velho Mondadori toca o "Boi Barroso". Lupcínio Rodrigues canta. Depoimentos de Judith Cortesão e de Eduardo Gianetti.
     "A Amazônia é o Jardim da Terra". Assim Darcy Ribeiro abre o programa convidando-nos a conhecer e a compreender melhor a formação e as características desse outro mundo, que é o caboclo. Mundo dos índios, das águas e do microchip. De Chico Mendes e da Zona Franca de Manaus. Com imagens originais captadas no Amazonas, o programa contém belíssimas imagens antigas de índios brasileiros, de seringueiros e castanheiros. A criação da Transamazônica e a biodiversidade.
Textos do Padre Vieira e do Marechal Rondon pontuam o programa. Depoimentos de Azis Ab'Saber, Márcio de Souza e Paulo Vanzolini. 
     "Nós temos que inventar o Brasil que nós queremos!", afirma Darcy no último programa da série. Programa que nos faz refletir sobre as utopias que, desde o início, nos acompanham em nossa trajetória: da ideia dos Tupi de uma Terra Sem Males, passando pelo ideal medieval de um Paraíso Terreal, até o projeto contemporâneo de um Brasil viável e possível que ainda vai florescer.
Programa-caleidoscópio, a "Invenção do Brasil" reúne imagens e manifestações culturais antigas e modernas das várias regiões do Brasil. Depoimentos de Eduardo Gianetti, Agostinho da Silva, Judith Cortesão e Roberto Pinho.

domingo, 19 de agosto de 2012

Portas abertas para a justiça social

     Depois de mais de uma década de debates, a política de ações afirmativas parece estar amadurecendo no Brasil. Na semana passada (07-08-2012), o Senado Federal aprovou um projeto de lei que tramitava há 13 anos para instituir cotas sociais e raciais em 50%das vagas de universidades e institutos tecnológicos federais.
     A medida, que ainda precisa ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff para começar a valer, representa um avanço na luta por justiça social e diversidade no ensino superior, mas especialistas alertam que o caminho para a igualdade de acesso à educação ainda é longo.
     Marcelo Paixão, professor da Faculdade de Economia da UFRJ e um dos principais especialistas em desigualdades raciais no Brasil, lembra que só cerca de 10% das vagas do ensino superior foram preenchidas por cotistas em 2010, embora cerca de 70% das universidades já adotassem o sistema.
     “O que já foi feito está aquém do necessário. Nós andamos para não sair no lugar. Depois de tantos anos de luta, o percentual do total de ingressantes em 2010 por cotas, segundo o Censo Nacional de Educação Superior, ainda é muito baixo. A iniciativa do senado é uma forma de fazer a roda acelerar e, portanto, é bem-vinda”, ressaltou.
     Bem-vinda, desde que bem acompanhada, observou a socióloga e professora da Faculdade de Educação da UFRJ, Rosana Heringer. “Podemos assistir a uma efetiva democratização do acesso, desde que as universidades públicas se preparem para receber esses alunos, tanto adequando a formação complementar, quanto ampliando políticas de assistência estudantil, como bolsas e auxílios para transporte, que contribuem para a permanência dos cotistas”.
     Embora comemore os avanços das ações afirmativas no Brasil, a professora da Escola de Comunicação da UFRJ Liv Sovik critica a falta de um debate que transcenda a mera opção pró e contra cotas entre os docentes. “Que papel tem a educação superior no universo geral da educação? O governo está muito preocupado com o PIB e o equilíbrio das contas, mas não tem um plano para a educação como um todo. É preciso saber o que estamos ensinando, pra que a universidade existe. Uma das coisas mais decepcionantes da atual greve é a falta de interesse dos professores nessa discussão”, afirmou Sovik.
     Segundo ela, o senso comum relaciona erroneamente a entrada de cotistas a uma queda na qualidade do ensino. “A falta de preparo dos alunos que chegam das escolas públicas à graduação é um problema. Mas os alunos de escolas particulares também não estão preparados. A ideia de que uma educação de luxo prepara o aluno para o ensino superior é uma falácia”. Liv aposta que a motivação do estudante supera a defasagem escolar. “Tenho alunos que, mesmo sem uma trajetória em colégios de ponta, são mais motivados e, com isso, têm um desempenho melhor”, acrescenta.
     A resposta a críticos que alegam que as cotas trazem prejuízo ao ensino deveria vir das instituições que já adotam ações afirmativas, mas ainda são poucas as que divulgam estudos sobre o desempenho dos cotistas. “Algumas universidades acreditam que os alunos podem se sentir discriminados e outras não publicizam seus resultados por questões políticas”, explicou Paixão. As pesquisas conhecidas dão contade desconstruir a relação entre cotistas e mau desempenho, como as realizados pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pela Universidade de Campinas (Unicamp).

Cotas sociais x cotas raciais
     Pelo texto aprovado no Senado, metade das vagas será reservada para alunos que cursaram todo o Ensino Médio em escola pública. Desse total, 50% serão para estudantes com renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa. A outra parte será destinada a alunos negros, pardos e índios e, neste caso, a distribuição deve obedecer a mesma proporção dessas populações em cada estado, apontada no Censo do IBGE.
     A adoção de critérios de classe combinados com critérios de raça para a reserva de vagas não é ponto pacífico entre os defensores de ações afirmativas. Entre seus críticos está o pesquisador da UERJ João Feres Junior. “Dados da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro) mostram que nos anos em que vigorou o sistema antigo [cotas para escola pública separadas de cotas étnicas], 2003 e 2004, entraram respectivamente 40 e 60 alunos não-brancos – aproximadamente 11% do total de ingressantes. A sobreposição de critérios que passou a operar no ano seguinte derrubou esse número para 19”, argumenta em artigo intitulado “Inclusão no ensino superior: raça ou renda?”.
     Além de importantes ferramentas para ampliar a representação social de grupos minoritários em locais de prestígio social, como é o caso das universidades, as cotas raciais contribuem com a diversidade. “As turmas da graduação são muita homogêneas, concordam ou fingem concordar sobre uma série de questões e isso traz um problema pedagógico, não é bom pro debate, pra dinâmica das aulas. A educação superior vem formando historicamente as elites brasileiras e, no Brasil, elas são brancas. É fundamental que os jovens convivam com diferenças”, declarou Liv.
     Ainda é desproporcional o número de estudantes negros e indígenas que chegam ao ensino superior, em comparação com sua proporção na população, mas a sociedade brasileira demonstra estar cada vez mais aberta para o caminho da mudança e da inclusão.

Raça Humana
O documentário Raça Humana, que trata de um tema muito polêmico: a adoção de cotas raciais nas universidades brasileiras. É neste clima de “assunto proibido”, discutido só entre os pares, que os entrevistados do documentário Raça Humana, produzido pela TV Câmara, começam a desfiar o intrincado novelo das cotas. Durante três meses, a equipe que trabalhou no documentário acompanhou a rotina de uma das maiores universidades do país: a Universidade de Brasília-UnB, que de forma tão ousada quanto isolada adotou o sistema de reserva de vagas com recorte puramente racial. No documentário, alunos cotistas e não-cotistas, professores, movimentos organizados, partidos políticos e representantes da instituição falam abertamente sobre o “tabu” das cotas raciais, seja defendendo ou condenando o sistema.
No documentário, questões seculares e mal resolvidas da história do Brasil vão ressurgindo, tendo como pano de fundo a discussão das cotas raciais. Ao refletir sobre a reserva de vagas para negros no ensino superior, os entrevistados revelam que a discussão vai muito além: envolve o papel das universidades brasileiras; as falhas do sistema educacional; a questão da meritocracia nos vestibulares; o racismo e, principalmente, o papel do negro na estrutura socioeducativa do país.
Direção: Dulce Queiroz
Ano: 2010
http://www.youtube.com/watch?v=wd9jv3E_eKMÁudio: Português
Duração: 41 minutos