"Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento." Carlos Bernardo González Pecotche

domingo, 6 de janeiro de 2013

A História do Jazz (JAZZ - Ken Burns)

Com mais de 12 horas e meia de duração, o aclamado “Jazz” conta a história da música jazz, desde suas raízes no século XIX aos dias de hoje. Uma jornada musical iniciada no blues e no ragtime, passando pelo swing, bebop e o fusion. Em 12 episódios, o aclamado documentário relaciona a música com a vida do povo americano e com a história dos Estados Unidos nos últimos 120 anos. Por meio de 2.400 fotografias, 75 entrevistas, 500 canções e 2.000 filmagens raras. Produzida por Ken Burns - um dos mais premiados e respeitados documentaristas dos Estados Unidos – e, co-produzida pela PBS (rede pública de TV americana) e pela BBC (inglesa) custou mais de US$ 13.000.000 e levou mais de 6 anos para ser produzida. “Jazz” apresenta centenas de momentos raros e clássicos, gravações e apresentações ao vivo colhidas de um século inteiro de música jazz, além de entrevistas exclusivas, clipes raros e fotografias inéditas. Alguns dos personagens que você vai encontrar em várias minibiografias: Louis Armstrong, Duke Ellington, Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Miles Davis, Thelonious Monk, John Coltrane, Glenn Miller, Chet Baker, Billie Holliday, Sarah Vaughan, Herbie Hancock - todos os grandes nomes estão aqui, bem como dúzias de artistas menos conhecidos, cujo talento e criatividade ajudaram a moldar o curso de uma verdadeira revolução musical.
Direção: Ken Burns
Áudio: Inglês / Legendado
Ano: 2002
Duração: 59 minutos cada episódio
Episódio 01-“Gumbo: Do Começo a 1917"
Episódio 02-“A Dádiva: De 1917 a 1924"
Episódio 03-“Nossa Linguagem: 1924 a 1929"
Episódio 04-"As Verdadeiras Boas-Vindas: De 1929 a 1934"
Episódio 05-"Swing: Puro Prazer: De 1935 a 1937"
Episódio 06-"Swing: A Velocidade da Celebração”
Episódio 07-"Swinging com as Mudanças: De 1940 a 1942"
Episódio 08-"Dedicados ao Caos: De 1943 a 1945"
Episódio 09-"Risco: De 1945 a 1949”
Episódio 10-"Irresistível: De 1949 a 1955"
Episódio 11-"A Aventura: De 1956 a 1960"
Episódio 12-"Uma Obra-Prima à Meia-Noite: De 1960 ao Presente".

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Especial - Wim Wenders

 “Ernst Wilhelm "Wim" Wenders nasceu em Düsseldorf (14 de agosto de 1945), em uma família católica tradicional. Seu pai, Heinrich Wenders, era um cirurgião. O uso do nome holandês, "Wim", um diminutivo do nome batismal "Wilhelm/Willem", reflete a proveniência holandesa de sua mãe. A versão holandesa do nome foi rejeitada pelas autoridades de registro civil em 1945, por não ser considerada alemã. Wim Wenders graduou-se do colégio em Oberhausen, no Vale do Ruhr. Ele, então, estudou medicina (1963–64) e filosofia (1964–65) na Universidade de Freiburg e Düsseldorf. Entretanto, Wenders desistiu dos estudos universitários e se mudou para Paris em outubro de 1966 para tornar-se um pintor. Ele fracassou em seu exame de admissão para escola nacional de cinema da França IDHEC (agora, La Fémis), e, como alternativa, tornou-se um gravurista no estúdio de Johnny Friedlander, um artista norte-americano, em Montparnasse. Durante este tempo, Wim Wenders tornou-se fascinado com cinema, e via até cinco filmes por dia na sala de cinema local.
Determinado a fazer de sua obsessão também o trabalho de sua vida, Wenders retornou para a Alemanha em 1967 para trabalhar no escritório de Düsseldorf da United Artists. Nesta época, ele entrou para a "Hochschule für Fernsehen und Film München" (Universidade de Televisão e Filme de Munique). Entre 1967 e 1970, enquanto estava na "HFF", Wim Wenders também trabalhou como crítico cinematográfico para a FilmKritik, para o jornal diário de Munique Süddeutsche Zeitung, e então para a revista Twen e para Der Spiegel.
Wim Wenders concluiu diversos curtas-metragens, antes de se graduar da Hochschule com um longa-metragem em 16mm, preto e branco, chamado Summer in the City (em português, Verão na Cidade). Desde 1996, Wenders é presidente da Academia de Cinema Europeu em Berlim”.
(Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Wim_wenders)

Alice nas Cidades (Alice in den Städten)
Baseado nas primeiras viagens de Wenders às Américas, conhecemos o personagem Philip Winter, que vai para os Estados Unidos para fazer algumas reportagens. Ele não consegue, tendo que voltar para a Alemanha. Só que o aeroporto está fechado, e ele só consegue passagem para o dia seguinte. Ele conhece uma mãe e uma filha na mesma situação, com quem divide o seu quarto em um hotel. Quando acorda na manhã seguinte, repara que a mãe da menina foi-se embora e decide assumir o papel de pai da jovem Alice.
O filme possui uma semelhança estética com O Garoto, de Charles Chaplin. O filme também influenciou Central do Brasil, produção de 1998, com Fernanda Montenegro, dirigido por Walter Salles.
Direção: Wim Wenders
Ano: 1974
Áudio: Alemão / Legendado
Duração: 107 minutos

No Decurso do Tempo (Im Lauf der Zeit)
Um técnico que conserta projetores de cinema nas cidades do interior da Alemanha auxilia um homem que sofreu um acidente de carro e está abalado pela separação da esposa. Representa a fase inicial da carreira do diretor. Ele ficou famoso por “filmes de estrada” como esse, que tem o charme de mostrar os velhos cinemas decadentes do interior (alguns viraram pornôs). O filme é uma história simples e sem grandes lances de dois solitários. Tudo narrado de forma poética e impressionista, ainda que lenta. Curiosamente tem cenas de nudez e até um momento explícito raríssimo no cinema.
Direção: Wim Wenders
Ano: 1976
Áudio: Alemão / Legendado
Duração: 168 minutos


O Amigo Americano (Der Amerikanische Freund)
Jonathan Zimmerman, proprietário de uma loja de molduras em Hamburgo, acredita estar morrendo de uma doença incurável. O seu “amigo americano”, um traficante de obras de arte chamado Tom Ripley, decide usar esse facto em seu proveito. Ripley apresenta Jonathan a um gangster francês que lhe propõe tornar-se um assassino profissional, assegurando assim uma pensão vitalícia para a sua família. A intenção de Ripley era transferir para Jonathan todos os “trabalhos sujos” que envolvessem riscos pessoais, mas tudo se altera com o evoluir da relação de amizade entre os dois homens...
Direção: Wim Wenders
Ano: 1977
Áudio: Alemão / Legendado
Duração: 120 minutos


Paris, Texas
Paris, Texas conta a história de Travis, um homem que, depois de estar desaparecido por mais de quatro anos, é reencontrado pelo irmão Walt num hospital na região desértica do Texas, próximo à fronteira com o México. Maltrapilho e com amnésia, é levado por Walt para a sua casa em Los Angeles, onde reencontra Hunter, seu filho de sete anos que foi abandonado pela mãe, Jane. Inicialmente estranhos Travis e Hunter iniciam uma reaproximação que culmina num a grande amizade e também no desejo secreto de reencontrar Jane e reconstruir sua verdadeira família.
Direção: Wim Wenders
Ano: 1984
Áudio: Inglês / Legendado
Duração: 139 minutos


Asas do Desejo
Na devastada Berlim do pós-guerra, um batalhão de anjos, entre eles os anjos Damiel (Bruno Ganz) e Cassiel (Otto Sander), invisíveis aos mortais, eles leem os pensamentos e tentam confortar a solidão e a depressão das almas que encontram...
Eles assistem às desventuras terrenas, mas não podem sentir as dores e alegrias humanas. Damiel não escapa incólume de sua condição divina, ao se apaixonar pela trapezista Marion (Solveig Dommartin) e não poder consumar seu desejo. Para poder tocá-la, ele deve deixar de ser anjo e tornar-se humano, perdendo sua condição imortal. Para guiá-lo em sua escolha, surge um anjo caído que soube fazer a transição entre os dois mundos.
Direção: Wim Wenders
Ano: 1987
Áudio: Alemão / Legendado
Duração:  122 minutos

Buena vista social club
Em 1996, o guitarrista Ry Cooder, compositor, produtor e lenda da guitarra, entrou no Egrem Studios em Havana com outros grandes músicos da música cubana, muitos deles com mais de 60 ou 70 anos e muitos já aposentados. Como resultado temos o CD "Buena Vista Social Club" que ganhou Prêmio Grammy de vendas internacionais. Quando Cooder retornou a Havana para gravar um CD solo do vocalista Ibrahim Ferrer de 72 anos, o cineasta Wim Wenders estava pronto para documentar a ocasião. Wenders dividiu o filme entre os retratos dos intérpretes que contam suas histórias diretamente a câmera enquanto passeiam pelas ruas vizinhas a Havana e uma celebração das maravilhosas músicas ouvidas em intepretações de estúdio, no primeiro concerto em Amsterdam e no segundo e último concerto no Carnegie Hall, Nova York. Uma viagem pela Cuba de agora que relembra seu passado, revivendo através da música, uma cultura esquecida e que de repente, ressurge no coração das plateias de Havana e de todo o mundo.
Direção: Wim Wenders
Ano: 1999
Áudio: Inglês, Espanhol / Legendado
Duração: 97 minutos

Pina
Pina é um filme para Pina Bausch (dançarina e coreógrafa alemã) de Wim Wenders, com o Tanztheater Wuppertal, sobre a obra única da extraordinária coreógrafa alemã que morreu em 2009. É uma viagem sensual e deslumbrante através das coreografias dançadas em Palco e em Locais da cidade de Wuppertal – cidade que durante 35 anos foi a casa e o centro de criatividade de Pina Bausch. O filme não apenas desfila pela tela os grandes números da companhia de Pina Bausch. Essas peças são costuradas por números curtos e depoimentos com os principais dançarinos da companhia. Entre peças mais breves está a coreografia "Água" (2001), dançada ao som de "O Leãozinho", de Caetano Veloso. Um dos grandes desafios foi reunir 40 tipos de música de várias épocas e países diferentes em uma mesma linha narrativa. "E não mudamos nada", afirma Wenders. "Está tudo lá como Pina concebeu.
"Direção: Wim Wenders
Ano: 2011
Áudio: Inglês, Espanhol, Português,.../ Legendado
Duração: 99 minutos

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Natal com rabanada

Possíveis origens do quitute que é hoje tradição natalina e como os nomes da guloseima em outros países podem explicar a maneira como ele é preparado e comido.
       A cena é apenas narrada, sem imagens de arquivo, mas mesmo assim, tocante. No fim do documentário “Pierre Verger: mensageiro entre dois mundos”, um amigo do fotógrafo e etnógrafo conta que um cabisbaixo Verger, já encerrando o expediente nessa vida, encontrou-se com ele e a esposa. Quando a esposa perguntou o que Verger queria para melhorar o ânimo, ele respondeu que uma guloseima que a sua mãe fazia, mas que seria impossível de reproduzir. Ao descrever o que seria tal quitute, a mulher do amigo percebeu: era rabanada! Correu para a cozinha para fritar o pão embebido de leite e ovos, tascou açúcar e canela e o francês mais baiano da História comeu chorando.
     Talvez nem todas as histórias em relação à rabanada sejam tão emocionantes, mas haverá quem diga que sempre “come chorando” uma fatia dourada dessas. Além disso, se os momentos não são tão marcantes assim, a oportunidade em que, hoje em dia, se come rabanada é única: o Natal. Ou alguém – com exceção dos espanhóis – se empanturra de pão-frito-doce no carnaval?
     O antropólogo Raul Lody autor do “Dicionário do doceiro brasileiro”, além de “À mesa com Gilberto Freyre”, é outro desses que come o doce em qualquer época do ano. Ele explicou em um texto que a rabanada nasceu dentro de um contexto de reaproveitamento do pão, um ingrediente sagrado para os católicos por representar o corpo de cristo.
     “Então, é costume não se jogar o pão fora, e se algum pedaço é desperdiçado deverá ser beijado, verdadeira reverência ao sagrado”,
escreve ele.
     Como a grande maioria das tradições natalinas, a rabanada também é importada. A origem é incerta, o mais provável seja uma incorporação de hábitos franceses – daí como os anglófilos a chamam: French toast. Há informações contraditórias, porém. Há quem diga - americanos, em geral - que seria uma receita espanhola da Idade Média. Outros dizem que fritar pão não tem exatamente uma origem única, porque seria uma forma generalizada de melhorar o gosto do alimento nosso de cada dia. Nesse caso, a primeira referência, segundo o famoso dicionário de inglês Oxford, dataria de 1660.
     Por último, há os partidários de que a citação original de uma receita sobre fritar pão estaria em Apicius: "Aliter dulcia: siligineos rasos frangis, et buccellas maiores facies. in lacte infundis, frigis [et] in oleo, mel superfundis et inferes." – numa tradução bem livre: "Um outro doce: Corte sigilinos [um tipo de pão de trigo] em pedaços grandes. Banhe no leite, frite no óleo, mergulhe em mel e sirva". Um outro nome dado para essa rabanada pré-cristã é pan dulcis.
     Mesmo que não se tenha uma certeza, a expressão como os conterrâneos de Verger chamam o quitute pode explicar um pouco sua origem: pains perdus, que quer dizer “pão perdido” literalmente. Apesar de hoje já venderem pão para rabanada e usarem outros tipos de pães, brioches ou panetones como matéria-prima, o único ingrediente que se repete na imensa maioria das receitas é: pão do dia seguinte. As receitas se referem ao pão que não se pode mais comer porque está duro, um pão dormido, um pão perdido. Portanto, a rabanada é uma forma de salvar o pão. Muito natalino, não?
     Outro termo que tem um pouco da explicação da origem – ou pelo menos, de um dos usos – da rabanada é como parte de Portugal as chama: pão parida, ou somente fatias de parida, ou o nome inteiro: pão de mulher parida. Misture pão (trigo), ovos, leite, açúcar e frite, e você tem, além de rabanadas, uma bomba calórica, cheio de energia. Dizem que era bom para mulheres amamentando porque daria leite. E também explica um pouco o costume de comer as Fatias douradas (outro nome português que é autoexplicativo) no nevado Natal europeu: se esquentar de dentro para fora.
     Por fim, a origem de “rabanada”. O mais provável seja uma adaptação do espanhol “rebanada” que quer dizer... fatias. Imagine fritar uma baguete?
     Como qualquer texto sobre rabanadas não estaria completo sem uma boa receita, clique
aqui para saber uma do padeiro francês Olivier Anquier.

Saiba Mais: Documentário
Pierre Verger: mensageiro entre dois mundos
Verger: Mensageiro entre Dois Mundos traz um importante trabalho de pesquisa realizado pelo diretor Lula Buarque e o roteirista Marcos Bernstein (Central do Brasil), que estiveram na África, na França e na Bahia em busca da trajetória do fotógrafo e etnógrafo francês Pierre Verger.
Gilberto Gil é quem narra e apresenta Verger: Mensageiro entre Dois Mundos. O filme traz a última entrevista de Pierre Verger (filmada um dia antes de seu falecimento, em 11 de fevereiro de 1996), além de extenso material fotográfico, textos produzidos por Verger e depoimentos de amigos como o documentarista Jean Rouche (Musée de l´Homme, Paris), Jorge Amado, Zélia Gattai, Mãe Stella, Pai Agenor Maurice Baquet, Mestre Braga, Mestre Zé Carlos, Mestre Curió, Mestre João Grande, Mestre Neco, Mestre Pastinha, Mestre João Pequeno e o historiador Cid Teixeira.
A tão famosa ponte criada por Verger entre a cultura negra na Bahia e na África, rompida desde os anos 40, é reestabelecida no filme quando Gilberto Gil refaz o papel de Mensageiro e percorre os mesmos caminhos do fotógrafo.
Outra descoberta de Verger apresentada no filme, são os descendentes da única colonização feita por brasileiros: os "Agouda", africanos, habitantes do Benin e da Nigéria, que ainda hoje cultivam influências brasileiras trazidas por ex-escravos que retornaram do Brasil ao continente africano
Direção: Lula Buarque de Hollanda
Ano: 1998
Áudio: Português/Legendado
Duração: 83 minutos

sábado, 22 de dezembro de 2012

Apocalipse agora

Em entrevista à Revista de História, a pesquisadora Elaine Pagels, professora da Universidade de Princeton, fala sobre as teorias apocalípticas ontem e hoje.
Tempos de guerra e de crise costumam fortalecer movimentos místicos. No horizonte despontam as terríveis profecias do Juízo Final. Dois mil anos depois de escrito, o Livro do Apocalipse mantém-se renovado em inúmeros corações e mentes. Como explicar tal mistério?
Foi com essa inquietação que a historiadora Elaine Pagels, uma das mais respeitadas conhecedoras de escritos sagrados, decidiu pesquisar o também chamado Livro das Revelações. Em seu livro recém-lançado (Revelations: Visions, Prophecy, and Politics in the Book of Revelation, ainda sem tradução), ela explica que não há apenas um, mas vários textos do Apocalipse, que seu autor provavelmente não era apóstolo de Cristo e que as imagens demoníacas ali descritas tinham inspirações bem terrenas.
Nesta entrevista, a professora da Universidade de Princeton (Estados Unidos) dessacraliza os textos religiosos, compreendidos em seu contexto histórico e político.
REVISTA DE HISTÓRIA O que chamou sua atenção para o Livro do Apocalipse?
ELAINE PAGELS Começou em 2002, quando o presidente dos Estados Unidos [George W. Bush] defendeu a invasão do Iraque utilizando a expressão “Eixo do Mal”. Foi assim que promoveu a guerra: não por uma decisão estratégica, mas por uma decisão moral. Quase uma missão religiosa. Eu pensei: por que ainda tem gente lendo esse velho livro, e lendo desse jeito?
RH De que outra forma ele pode ser lido?
EP O Apocalipse é sobre sonhos e visões. Sugere que, quando o mundo está complicado e confuso, as pessoas podem sentir que tudo está fora de controle, mas tudo vai ficar bem: a justiça de Deus vai prevalecer e haverá um novo mundo. É um livro sobre esperança, para pessoas que estão ansiosas diante de uma circunstância caótica.
RH Isso dizia respeito à época em que foi escrito?
EP Certamente. O autor vivia no período subsequente ao da terrível guerra dos judeus contra Roma no século I. Ele queria persuadir seus companheiros judeus, que acreditavam em Jesus, de que a opressão romana estava destruindo o povo inteiro. E persuadi-los de que nem tudo estava perdido; a justiça divina seria feita. As imagens são muito específicas daquele tempo. O Império Romano como a Besta, cujo número representa o nome de Nero [37-68], que acreditavam ser o pior imperador que se pode ter. Para os leitores da época, isso era de um simbolismo transparente. Todo mundo sabia que a Besta e a Meretriz representavam o Império Romano.
RH O homem que escreveu o Apocalipse não é o mesmo que escreveu O Evangelho segundo João?
EP A maioria dos estudiosos acha que não é a mesma pessoa. O autor do Apocalipse retrata os doze apóstolos como se eles já tivessem morrido. Eles também têm seus nomes nos doze portões da cidade, e o autor nunca disse que era um deles.
RH Por que o livro só entrou no Novo Testamento dois séculos depois de escrito?
EP Isso me fascinou: mesmo depois que o imperador Constantino [272-337] se tornou cristão, o bispo Atanásio de Alexandria [ca. 295-373] não usou o Apocalipse durante 25 anos. Só depois, quando o filho de Constantino [imperador em sucessão ao pai] opôs-se a ele e o exilou, é que decidiu incluir o livro no Novo Testamento. Estava tão zangado e furioso que aquela foi sua forma de contra-atacar: “Como pode esse imperador não ser o Anticristo? Ele é obviamente a Besta”.
RH Houve outras leituras do Apocalipse na história do cristianismo?
EP A Bíblia original de Martinho Lutero [1483-1546], quando ele dividiu o mundo cristão, tinha imagens feitas por um amigo seu, chamado Lucas Cranach. E as ilustrações do Apocalipse retratam a Meretriz da Babilônia como sendo o papa de Roma. Ao mesmo tempo, o primeiro biógrafo católico de Lutero retratou-o como a Besta de sete cabeças. Essas imagens de sonho e pesadelo são tão abertas que qualquer um pode usá-las, a qualquer tempo. Para alguns católicos do século XVI, a Grande Meretriz era a rainha Elizabeth I [1553-1603].
RH As versões do livro encontradas no século XX são diferentes?
EP Sim, elas falam sobre achar acesso direto a Deus, e não sobre o fim do mundo. Provavelmente foram feitas para cristãos em um nível avançado, como monges e pessoas engajadas na prática espiritual. Acho que foram suprimidas pela Igreja mais tarde, porque sugeriam que os homens podiam achar Deus por conta própria.
RH Imagens apocalípticas costumam ganhar força em tempos de guerra?
EP São muito úteis. Na Segunda Guerra Mundial [1939-1945], alguns diziam que Hitler era o Anticristo, enquanto os nazistas diziam que ele estava trazendo o reino de Cristo. O Apocalipse foi usado na Primeira Guerra Mundial [1914-1918], na Guerra Civil Americana [1861-1865], sempre por pessoas dos dois lados. Ele permite interpretar qualquer conflito como um conflito entre o Bem e o Mal. E o único modo como podemos lidar com as pessoas do Mal é conquistando-as ou destruindo-as.
RH Até ateus e agnósticos se identificam com essas ideias?
EP Ah, sim. Uma vez, ouvindo o biólogo Edmund Wilson, da Universidade de Harvard, falar sobre mudanças climáticas e a destruição do sistema ecológico, eu brinquei que aquilo soava como o Livro do Apocalipse. Ele disse: “Ah, sim, eu sou um batista”. Ao falar sobre ecologia, era como se fosse um sermão batista.
RH Como o Apocalipse alimenta o fanatismo atual, em seitas cristãs e vertentes do movimento islâmico?
EP Nos Estados Unidos, uma grande quantidade de cristãos acha que o fim do mundo está chegando. Isso é preocupante. No Corão há imagens da batalha final, do julgamento final. Alguns muçulmanos leem isso como uma batalha entre eles e os não muçulmanos. Outros interpretam como uma guerra do espírito, não uma guerra de verdade.
RH O Apocalipse já foi usado em favor da ética?
EP Sim, como quando Martin Luther King Jr. [1929-1968] luta contra a injustiça racial. Ele e vários cristãos afro-americanos usaram a linguagem do Apocalipse. Falam sobre a promessa de um mundo que vai reverter as injustiças. As pessoas hoje oprimidas serão felizes.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Maria da Penha demora a sair do papel

Na imagem abaixo, alguns dados que ressaltam a assustadora realidade da violência contra a mulher no Brasil.
     Embora o Brasil conte com um das mais avançadas leis de proteção à mulher do mundo, a 11.340/06 (conhecida como Lei Maria da Penha), ainda deixa a desejar quando o assunto é efetividade no seu cumprimento. Nos seis anos de vigência da legislação, a burocracia no processo de registro das denúncias e o número ainda insuficiente de delegacias especializadas foram (e ainda são) obstáculos às denúncias de casos de abuso contra mulheres.
     Dados da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República dão conta que há, no país, 466 delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), 190 Centros de Referência e Atendimento à Mulher em Situação de Violência (atenção social, psicológica e orientação jurídica) e apenas 72 Casas abrigos (locais para acolher mulheres que correm o risco de morrer). Esta estrutura, segundo Ana Teresa Iamarino, coordenadora geral de acesso à justiça e combate à violência da Secretaria, ainda é pequena se for levado em conta o tamanho do Brasil, que tem mais de cinco mil municípios. Para ela, desde sua vigência, a Maria da Penha cumpriu um papel fundamental: o de desnaturalizar todas as formas de violência contra a mulher. Mas “chegou o momento de dar efetividade a lei”, afirma. Para isso, a Secretaria vai apostar em ampliar em 30% a infraestrutura de atendimento disponível.
     Além da ampliação da infraestrutura de atendimento, é preciso tornar o processo de registro nas delegacias menos burocrático. Segundo Ana Teresa, as mulheres que vão às Deams enfrentam um caminho penoso. Depois de registrarem queixa, elas são encaminhadas para o Centro de Atendimento a Mulher (Ceam). De lá, cada caso é enviado para um órgão específico, de acordo com o tipo de violação sofrida. Os casos que necessitam de proteção são direcionados para a defensoria pública local. Em situações de lesão, as vítimas precisam ser encaminhadas para o Instituto Médico Legal (IML). Segundo a Dra. Celia Rosa, que está à frente das Deams do Rio de Janeiro, neste percurso as vítimas são obrigadas a contar e recontar seu drama, o que gera tensão e constrangimento. “Cada vez que a mulher vai para um local diferente tem que contar novamente a mesma história de agressão. Isso faz com que tenha que reviver a história de violação inúmeras vezes”, afirma.
     Além disso, o Ministério Público exige que as vítimas levem testemunha. “O procedimento para abertura de inquérito de violência doméstica exige que o fato tenha sido testemunhado. Só que muitas vezes esse tipo de violação acontece sem que ninguém veja”, observou Celia Rosa.
     Desde 2006, o Disque Denúncia registrou 2,7 milhões de atendimentos. Desse total, 329,5 mil (14%) são relatos de violência contra a mulher enquadrados na lei. No primeiro semestre de 2012, o serviço registrou 388,9 mil atendimentos (13% a mais que o mesmo período de 2011), dos quais 56,6% (47,5 mil) foram relatos de violência física. A violência psicológica conta 27,2% (12,9 mil) dos registros no período. Relacionadas à violência moral foram 5,7 mil chamadas (12%). Consta ainda 915 atendimentos relativos à violência sexual (2%) e 750 à patrimonial (1%). Em 66% dos casos, os filhos presenciam as agressões contra as mães. Os principais agressores são companheiros e cônjuges, e correspondem a 70% das denúncias neste ano. Ex-marido, ex-namorado e ex-companheiro são, em 89% dos casos, os responsáveis pelos atos de violência.
     Para Iara Amora, coordenadora dos trabalhos com mulheres jovens da Casa da Mulher Trabalhadora (Camtra), se por um lado as mulheres estão buscando mais as Deams no Rio de Janeiro, por outro o aumento do número de processos instaurados revela o quanto as mulheres desconhecem seus direitos. “Muitas vezes quando as mulheres chegam nas delegacias desinformadas sobre todos os seus direitos. Elas não sabem o que está previsto em lei, como as medidas em caráter de urgência para garantir a segurança da vítima”.
     As chamadas medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha podem ser concedidas no prazo máximo de 48 horas, mesmo antes da realização da audiência. Amora explica que é possível assegurar o afastamento do agressor do lar, suspensão do porte de armas, fixação de um limite mínimo de distância, entre outras.
     Apesar das debilidades da lei em relação à sua execução pelo poder público, Amora lembra sua importância para os movimentos de mulheres. “É fundamental entender que a lei Maria da Penha tornou a violência contra a mulher um problema público, retirando essa discussão do debate privado e abrindo caminhos para o debate aberto de maior visibilidade”, ressalta.
     Vale lembrar que uma cartilha lançada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em parceria com o Instituto Maria da Penha e a Secretaria de Política para as Mulheres está em circulação desde a comemoração dos seis anos de cumprimento da lei. “Quanto custa o seu machismo” traz explicações, benefícios e procedimentos para proteção e denúncia contra violência doméstica.
     A intenção é facilitar o acesso ao texto legal para que toda a sociedade tome conhecimento e mais mulheres possam fazer valer seus direitos, denunciando atos de violência a que foram submetidas.

Clique para baixar a cartilha: Mulher VIRE A PÁGINA...

Saiba Mais - Filme
Em Nome de Deus (The Magdalene Sisters)
Baseado em fatos reais, essa é a história de três jovens mulheres que são mandadas para um convento por seus familiares, para “pagar por seus pegados”. Os pecados variavam entre ser mãe solteira, ser bonitas ou feias demais, retardadas mentalmente, ignorantes ou inteligentes, ou vítimas de estupro. E por seus pecados, eram punidas por tempo indeterminado, o que significa uma vida de trabalhos forçados na lavanderia do asilo católico. Conhecidas como “As Irmãs Magdalena”, elas são humilhadas e castigadas fisicamente pelas madres, que não toleram desobediência. A sentença dessas moças era indefinida. Milhares de mulheres viveram e morreram nesses Lares.
O filme mostra o ponto de vista dessas jovens mulheres durante os anos sessenta, que se encontram em um pesadelo quase medieval, enquanto o mundo exterior, silenciosamente, (ou em alguns casos, ativamente) apoia o estado teocrático. O último Asilo Madalena na Irlanda foi fechado em 1996.
Ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza. Em Nome de Deus, é um filme perturbador, contundente e polêmico, que mexe com a gente e provoca intensas discussões.
Direção: Peter Mullan
Ano: 2002
Áudio: Inglês / Legendado
Duração: 115 minutos

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

De Aristóteles a Stephen Hawking

“Devemos todos, filósofos, cientistas, e mesmo leigos, ser capazes de fazer parte das discussões sobre a questão de por que nós e o universo existimos. Se encontrarmos a resposta para isso teremos o trunfo definitivo da razão humana; porque, então, teremos atingido o conhecimento da mente de Deus… “
(Stephen W. Hawking)
Será que o Universo teve um começo? Aconteceu mesmo um BIG BANG? O que é Espaço? Haverá uma Alma Universal? Para onde nos leva a mecânica quântica? Caberá o Universo inteiro dentro de uma molécula da mente humana? O que é Deus? Poderá o Homem participar da criação do mundo? Plantas e animais têm alma? Seremos todos eternos? Estas e outras tantas questões atuais têm sido, na verdade, levantadas por estudiosos ao longo de toda a história da humanidade.
Escrito, dirigido e apresentado pelo documentarista grego Paul Pissanos, De Aristóteles a Stephen Hawking busca respostas na análise das teorias de filósofos clássicos, incluindo Pitágoras, Protágoras, Platão, Sócrates, Anaxágoras, Aristóteles e Plotino, sobre o “início do mundo”. Série com 12 episódios divididos em 4 DVDs apresenta, além de encenações, a participação de professores e cientistas dos campos da filosofia, física, astrofísica, matemática e teologia, tanto da Grécia quanto de conceituadas universidades internacionais.
Direção: Paul Pissanos
Ano 2006
Áudio: Português
Duração: 29 min. cada Episódio
Tamanho: +- 280 MB/cada Episódio
Clique no episódio para baixar

 O Universo Teve Um Começo?
• Introdução para o Conhecimento do Cosmos
• A Agonia em Demonstrar a Estrutura do Universo
• A Teoria do Big Bang
• Aristóteles
• O que veio antes pela lógica? – Acontecimento ou Lei?
• Hawking, Filósofos e leis
• Materiais Estruturais do Universo.
• O que existia antes do Início?
• O Real e o Irreal
• O Conjunto
Existe uma Alma Universal?
• O Planeta Terra e o Homem
• O Conceito da Luz nas Antigas Religiões Gregas
• A Procura de Deus
• A Evolução e a Degeneração do Mundo
• A Matéria se Estende ao Espírito
• “Indeterminação” e a Fábrica do Universo
• É Cosmogonia, Cosmografia
• “O Pai, O Filho e a Ciência”
• O Domínio Universal do Homem
O Que é Deus?
• A Natureza Universal da Alma
• A Nulificação do Tempo-Espaço
• Pensamentos de Aristóteles
• A Luz da Alma
• Amor Platônico
• A Natureza nos Ensina
Como Funciona a Natureza?
• As Coisas Mais Estranhas da Natureza
• O Olho do Sapo e do Inseto
• Radar e o Morcego
• A Teoria de Darwin
• Como a Ciência Contemporânea Revela o Universo e o Homem
• O Universo Cabe em uma Romã
• Síndrome Titanic
• O Fim, Para um Novo Começo