"Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento." Carlos Bernardo González Pecotche

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domingo, 17 de junho de 2012

Outros Junhos

1º de junho de 1808 ~ Circula em Londres o Correio Braziliense
O brasileiro Hipólito da Costa nasceu na Colônia do Sacramento, atual Uruguai, em 1774. Bacharel pela
Universidade de Coimbra era, afinado com os princípios iluministas e esteve a serviço do político ilustrado português d. Rodrigo de Souza Coutinho. Tentou se filiar à maçonaria inglesa em 1800 e foi preso pela
Inquisição ao retornar a Portugal, em 1802 (o Santo Ofício condenava a maçonaria), fugindo em 1805 para a Inglaterra. Publicou em Londres, entre 1808 e 1822, o Correio Brazillense ou Armazém Literário, primeiro periódico brasileiro, no qual combatia o absolutismo e dava voz a ideias liberais. No início, defendia a ideia de um império luso-brasileiro. Mas em 1822, diante do rigor das Cortes portuguesas, passou a defender a Independência, após a qual cessou a publicação, por acreditar que o discurso liberal poderia ter lugar livremente no Brasil.

7 de junho de 1494 ~ Assinatura do Tratado de Tordesilhas
A Capitulación de Ia partición deI Mar Oceano, real nome do tratado, redefinia as áreas de influência das monarquias ibéricas. Alterava o disposto na bula Inter coetera, editada em 1493, que dava posse das terras localizadas a cem léguas a oeste de Cabo Verde à Espanha. Após a descoberta da América por Cristóvão
Colombo, e buscando assegurar a navegação portuguesa para o Oriente, o rei d. João 11 (na gravura) fez valer o poderio lusitano diante dos Reis Católicos. Conseguiu, então, a assinatura do tratado com o reino vizinho, que demarcava uma linha 370 léguas a ocidente dos arquipélagos de Açores e Cabo Verde. Embora tenha garantido aos portugueses a posse da faixa atlântica da América do Sul, o tratado nunca foi aplicado à risca, sobretudo por causa da dificuldade em demarcar com exatidão os limites durante toda a Época Moderna.

26 de junho de 1887 ~ Fundado o Clube Militar
Após a deflagração da Questão Militar, em 1883, com a tentativa de mudança das regras da previdência militar por parte do governo, a relação entre a soldadesca e o regime monárquico ficou tensa. Oficiais oriundos da Escola Militar da Praia Vermelha, estimulados pela recente vitória na Guerra do Paraguai (1864-1870) e animados com a ideia de "soldado-cidadão”: como indicou a historiadora Lúcia Guimarães, buscavam o direito de reunião e livre manifestação pública, vedado aos militares. Incidentes neste âmbito se seguiram até que Deodoro da Fonseca, veterano da campanha contra Solano López e liderança do Exército, conseguiu a aprovação do imperador às reivindicações do seu grupo. O Clube Militar, fundado pouco mais de dois anos antes da queda da monarquia, nascia, assim, como marco da vitória dos homens de caserna contra o rigor civilista do regime imperial.

Fonte: Revista Nossa História nº 32

domingo, 13 de maio de 2012

Outros Maios

9 de maio de 1624. Holandeses atacam Salvador
     A frota holandesa comandada por Jacob Willekens não teve muita dificuldade para tomar a mais importante cidade portuguesa no Atlântico. O governador-geral do Brasil, Diogo de Mendonça Furtado, havia ordenado à população de Salvador que se preparasse para a invasão, mas seus comandados não lhe deram muito ouvido e logo grande parte dos habitantes da cidade se pôs em fuga. Os que lá ficaram não opuseram resistência aos invasores, que chegaram a se surpreender com tamanha facilidade. Mendonça Furtado foi preso sem dificuldades em seu palácio, e o comando da cidade foi assumido pelo holandês Hans van Dorth, que tratou logo de uma medida que julgava urgentíssima: mandou fortificar Salvador. Os invasores ficaram na cidade até o ano seguinte, quando a Espanha (que, na época, também regia Portugal) organizou uma expedição para retomar a mais rentável possessão portuguesa na América.

13 de maio de 1888. Sancionada a Lei Áurea
     Pode-se notar um movimento político favorável à Abolição no Brasil pelo menos a partir de meados do século XIX, quando se fez cumprir - mesmo que sob pressão estrangeira - uma lei que restringia o comércio de africanos (1850). Ao longo das décadas seguintes, novas leis foram aprovadas com o objetivo de dar fim gradual à escravidão, com destaque para a Lei do Ventre Livre(1871). Enquanto parte da elite política e intelectual clamava pelo fim daquele estatuto, a elite econômica exigia a sua manutenção, situação que se encaminhou para um impasse no final do século. Com a fundação dos clubes abolicionistas, o posicionamento da monarquia favorável à libertação e as fugas maciças de escravos na década de 1880, a elite política foi convencida da necessidade de pôr fim à escravidão, aprovando a lei de número 3.353, sancionada por d. Isabel (princesa imperial regente ativista da Abolição) no dia 13 de maio de 1888.

13 de maio de 1817. Casamento de ouro
     O Nordeste ainda pegava fogo alguns meses depois da eclosão da Revolução Pernambucana de 1817. Várias províncias do Norte davam sinais de simpatia à rebelião que pretendia a independência de parte do país. Foi nesse momento turbulento que D. João VI decidiu casar seu filho Pedro com uma prendada princesa austríaca, D. Maria Leopoldina, da casa de Habsburgo, em matrimônio firmado por contrato no dia 13 de maio de 1817.
     O dote pago pelo imperador Francisco I da Áustria ao rei português foi de 200.000 florins. Em contrapartida, D. João dava como garantia de pagamento todas as rendas do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves e da Casa Real de Bragança para a proteção financeira de D. Maria Leopoldina. O valor estava à altura da princesa, que, além de exímia pianista, era fluente em alemão, francês, inglês e italiano, tendo aprendido português por causa do matrimônio com D. Pedro.
Em meio a intensas revoltas no Brasil, interessava a um Portugal enfraquecido na Europa estabelecer relações com casas dinásticas poderosas. A casa de Habsburgo acabou sendo lembrada anos depois na bandeira do Império do Brasil: sua cor, o amarelo-ouro, apareceria no losango central da bandeira brasileira.

17 de maio de 1842. A revolta dos perdedores
     Pouco depois de D. Pedro II subir ao trono, em 1840, os liberais já não estavam nada satisfeitos. Afinal, eles se sentiram excluídos do poder: em pouco tempo viram os conservadores formarem um Gabinete Ministerial, além de reformarem o Código de Processo Criminal e derrubarem a Câmara controlada pelos liberais na chamada “eleições do cacete” – assim batizada pelo povo por causa do excesso de violência.
A tensão política só aumentou, a ponto de, no dia 17 de maio de 1842, os liberais paulistas proclamarem uma revolta na cidade de Sorocaba, em São Paulo. Seu objetivo não era derrubar o jovem imperador D. Pedro II, mas tirar o poder dos conservadores.
     Sem muito apoio, os revoltosos ficaram na defensiva por alguns meses, ocupando cidades do interior paulista, mineiro e fluminense, até sofrerem a derrota final na cidade de Santa Luzia, em Minas Gerais, pelas mãos do futuro duque de Caxias. Após a fracassada rebelião, o trono passaria a fazer um revezamento de poder na Assembleia Geral do Império, obtendo a estabilidade política do Segundo Reinado. Mas, pelo resto do período da monarquia, os conservadores chamariam os azarados liberais de “luzias”, que se tornou uma gíria para perdedores. 

26 de maio de 1834. D. Pedro recupera o trono português para sua filha.
     Após a morte do rei português d. João VI, em 1826, seu filho, d. Pedro I, abdicou o direito à coroa de Portugal em favor de sua filha, d. Maria. A pequena rainha, com apenas sete anos de idade, seria a responsável por guardar a Constituição do reino, no que seria auxiliada pelo regente, d. Miguel seu tio e noivo. Em 1828, ou seja, dois anos após assumir esta posição, d. Miguel de forte tendência absolutista (já havia se metido, com sua mãe, Carlota Joaquina, em conspirações anticonstitucionalistas), proclamou-se rei de Portugal e anulou a Constituição, desencadeando verdadeira guerra civil (as chamadas Guerras Liberais). D. Pedro I, que abdicou o trono brasileiro em 1831 em favor do seu filho, o futuro d. Pedro II, organizou uma força militar nos Açores e invadiu Portugal, conseguindo a vitória final sobre o usurpador três anos depois, o que lhe renderia o título de "O Libertador".

FONTE:
Revista Nossa História Ano 03 nº 31
http://www.revistadehistoria.com.br/

sábado, 28 de abril de 2012

Outros abris

Uma revolta separatista digna de primeiro de abril, a fundação da Casa de Rui Barbosa e até o fim de uma tradição beijoqueira foram alguns dos acontecimentos que marcaram este mês em tempos passados.

Ficção ou realidade?
     “Salve D. João IV de Portugal!” Em 1640, quando a notícia da Restauração da monarquia portuguesa na Europa chegou à Bahia, este grito foi repetido muitas vezes. Após 60 anos de submissão à Coroa espanhola, finalmente os lusitanos retomavam o controle de suas terras. A novidade, embora comemorada em Salvador, capital de suas colônias americanas, não foi bem recebida em todos os lugares.
     A vila de São Paulo teve uma reação, no mínimo, peculiar. Para alguns espanhóis habitantes do local, a conexão com a Espanha precisava ser restabelecida. Solução: incitar os colonos à separação de Portugal coroando um rei paulista. No dia 1º de abril de 1641, Amador Bueno foi aclamado pela população, mas recusou o trono e ainda convenceu os revoltosos a desistir do projeto separatista.
     Ninguém sabe ao certo se essa história aconteceu de fato – qualquer semelhança com as brincadeiras do “1º de abril” é mera coincidência. Talvez seu enredo tenha um pouco de invenção, mas o contexto não é tão fictício assim: desde o início daquele século, o distanciamento do litoral fez com que os paulistas conquistassem uma grande autonomia em relação à metrópole. A volta da monarquia portuguesa poderia significar uma ameaça a essa liberdade. Assim, um rei paulista não seria uma má ideia. 

Os reis do beijo
     Uma grande fila se estendia pelos corredores do Palácio de São Cristóvão. Todos os tipos de pessoas aguardavam com ansiedade. Uma por uma, ajoelhadas e inclinadas, elas manifestavam seu respeito e submissão à Coroa beijando a mão do monarca D. João VI. Esse contato pessoal era sinal de obediência, mas também a hora de pedir alguns favores.
     O beija-mão chegou ao Brasil com a Corte portuguesa em 1808. Logo o rei tratou de torná-lo popular. Era uma boa maneira de fazer seus súditos se sentirem pertencentes ao reino. Porém, nos anos da Regência (1831-1840) – sem um imperador no trono –, o rito caiu em desuso, do mesmo modo que outras práticas ligadas à tradição monárquica, como os bailes e jantares reais.
     O ritual só foi retomado quando D. Pedro II estava prestes a atingir a maioridade. O objetivo era restabelecer a vida de corte, importante para manter os laços sociais e as lealdades. Embora tivesse funcionado com certa regularidade por um tempo, a tradição não durou muito. Em 27 de abril de 1872, o imperador mandou divulgar o decreto que abolia de vez a prática, oficializando o fim de um símbolo já decadente.

Casa de histórias
     Uma biblioteca com 37.000 volumes de caráter enciclopédico, 1.400 peças de mobiliário, objetos e relíquias, 60.000 itens do acervo pessoal e uma bela casa. Pertencentes ao recém-falecido Rui Barbosa (1849-1923), todos esses elementos, somados ao nome do notável político, forneciam o que o governo federal precisava para inaugurar a primeira casa-museu do Brasil.
     Com sua morte, em 1923, o país viu a necessidade de preservar o legado daquele que havia sido um símbolo da intelectualidade brasileira, atuando como jurista, escritor, jornalista e diplomata. O nome do patrono serviu como uma luva para fazer deslanchar um velho projeto da República: uma instituição que tivesse como objetivo maior valorizar o conhecimento e a memória do país.
     Em 4 de abril de 1927 foi criado o Museu Rui Barbosa, que um ano depois ganharia do então presidente Washington Luís o nome de Casa de Rui Barbosa, título conveniente, diante do esforço para se reconstituir a moradia tal como havia sido. Muitos anos depois, a instituição continua ativa, preservando o motivo pelo qual foi criada.