"Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento." Carlos Bernardo González Pecotche

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A Odisseia da Espécie - L'Odyssée De L'Espèce

Quase uma década foi o tempo que o realizador Jacques Malaterre e o cientista Yves Coppens demoraram para alcançarem o ambicioso projeto de expressar em imagens a pré-história do Homem, desde os pré-hominídeos à fundação das primeiras civilizações, no que é a maior produção alguma vez realizada sobre as nossas origens. São mais de 8 milhões de anos de evolução recriados graças às últimas descobertas antropológicas, a dezenas de atores, às mais modernas técnicas de animação digital, com cenários naturais escolhidos e sequências dramatizadas que servem de reforço para as intervenções de prestigiosos cientistas de todo o mundo. A Odisseia da Espécie é a nossa história. Através de surpreendentes imagens em três dimensões e efeitos especiais espetaculares, vamos poder observar os primeiros passos de Orrorin, um dos mais antigos pré-humanos, viver ao pé do "homo habilis" que vai inventar o primeiro utensílio, e do "homo erectus" que inventará o fogo. Com o homem de Neandertal será a caça ao urso das cavernas e as primeiras sepulturas. Finalmente com o "homo sapiens" será o nascimento da arte.
Direção: Jacques Malaterre
Ano: 2003
Áudio: Francês – Legenda: Português
Duração: 48 minutos cada episódio

Episódio 1 -"Les Prehumains" (Os Pré-Hominídeos )

Episódio 2 -"Les Premiers Hommes" (Os Primeiros Homens) 

Episódio 3 -"Neandertal et Sapiens" (Neandertal e Sapiens) 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Evolução da Humanidade – Armas, Germes e Aço (Guns, Germs and Steel)


“Por que vocês brancos desenvolveram tantos suprimentos, enquanto nós negros temos tão pouco dele?”. A Pergunta, aparentemente inocente de um nativo da Papua Guiné, em 1974, fez com que Jared Diamond escrevesse o premiado livro Armas, Germes e Aço, sempre tentando solucionar o maior mistério da história da humanidade: as raízes da desigualdade social. Baseado na obra do autor, este documentário da National Geographic traça a jornada dos seres humanos nos últimos 13 mil anos – desde o nascimento da agricultura, no final da Era Glacial, até a realidade da vida no século XXI. Gravado em quatro continentes, A Evolução da Humanidade apresenta gravações atuais, entrevista com historiadores, arqueólogos e cientistas, reconstrução histórica e animação computadorizada.
Direção: Tim Lambert, Cassian Harrison
Ano: 2005
Áudio: Inglês – legenda: Português
Duração: 54 Min. cada episódio

Ep.1 - Saindo do Jardim do Éden
"Por que algumas sociedades florescem mais do que as outras?", perguntou-se o pesquisador Jared Diamond, autor do consagrado "Armas, Germes e Aço". Para examinar as razões do sucesso europeu, ele voltou há treze mil anos, quando a agricultura e a pecuária começaram a se desenvolver. E encontrou pelo menos uma parte da solução para o seu enigma: a geografia privilegiada do chamado "Fértil Crescente", no Oriente Médio.

Ep.2 - Conquista
No dia 15 de novembro de 1531, 150 conquistadores espanhóis chegaram ao coração do Império Inca, no Peru, e derrotaram um exército de oitenta mil soldados, promovendo um massacre que se estenderia por toda a América. Para Diamond, o segredo estaria nos poderosos cavalos dos espanhóis, nas afiadas armas de aço e também nos germes que as tropas trouxeram da Europa, espalhando uma epidemia de varíola entre os Incas.

Ep.3 - Entre os Trópicos
A teoria do escritor Jared Diamond, autor do consagrado "Armas, Germes e Aço", para responder à pergunta "Por que algumas sociedades florescem mais do que as outras?" mostrava como a geografia favoreceu os europeus para que eles conquistassem boa parte do planeta. Mas o que teria acontecido com eles assim que sua sede de conquista recaiu sobre a África, o berço da humanidade? Será que as armas, germes e aço de outrora teriam efeito no meio do implacável e imprevisível clima tropical? Suas teorias poderiam explicar, enfim, como um continente tão rico em recursos naturais se transformou no mais pobre do planeta? No fim de sua jornada, Jared Diamond contesta suas próprias teorias ao se deparar com um cenário que nunca tinha sequer imaginado.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A Ciência e o Islã (Science and Islam)

     Jim Al-Khalili, professor de Física na Universidade de Surrey. Nasceu e foi criado em Bagdá, de mãe inglesa e pai iraquiano, deixou Iraque com sua família no fim dos anos 70, quando Sadam Hussain chegou ao poder. O físico viajara pela Síria, Irã, Tunísia e Espanha para contar a história do grande avanço científico no conhecimento que ocorreu no mundo islâmico entre os séculos VIII e XIV.
     Segundo Jim Al-Khalili: “Ainda me lembro dos meus tempos de escola no Iraque de me ensinarem sobre a era de ouro do conhecimento islâmico. Que entre os séculos IX e XII, um grande avanço no conhecimento científico ocorreu em Bagdá, Damasco, Cairo e Córdoba.
     Quero desenterrar essa história oculta para descobrir seus grandes personagens e avaliar exatamente qual foi a sua contribuição para a ciência. Há cientistas medievais muçulmanos que deviam ser falados da mesma forma que Galileu, Newton e Einstein? E, principalmente, qual a relação entre a Ciência e o Islã?
Direção: Tim Usborne
Ano: 2009
Áudio: Inglês
Legenda: Português/no post
Duração: +- 58 minutos /cada episódio

Ep.01 - A Linguagem da Ciência
“Minha viagem pela ciência do mundo medieval islâmico irá me levar à Síria, ao Irã e ao norte da África.
Comecei nas ruelas da capital egípcia do Cairo, com a percepção de que a linguagem da ciência moderna ainda tem muitas referências de origens árabes. Por exemplo, termos científicos como álgebra, algoritmo, álcali. Eu instantaneamente reconheço essas palavras como árabes. E elas estão no centro do que a ciência faz. Não haveria matemática ou física modernas sem álgebra. Nem computadores sem algoritmos ou química sem álcalis. Surpreendentemente, poucas pessoas no Ocidente hoje, inclusive cientistas, sabem desse legado medieval islâmico.

Ep.02 - O Império da Razão
O professor Jim Al-Khalili  ira investigar como uma das ideias mais importantes do mundo surgiu no império islâmico. “Descobrirei como a matemática e a experimentação se fundiram quando o império adotou uma revolução industrial medieval. E, no Cairo, descobrirei como essas ideias levaram diretamente ao mundo atual da ciência e tecnologia”.

Ep.03 - O Poder da Dúvida
No último episódio, Jim Al-Khalili  vai à Síria e ao norte do Irã para descobrir acerca dos grandes cientistas islâmicos que revolucionaram a astronomia, transformando-a numa ciência moderna.
“E também descobrirei como o homem que muitos consideram o pai da renascença científica europeia, Copérnico, utilizou-se de teorias astronômicas islâmicas. E revelarei o mistério de como a Era de Ouro da ciência islâmica chegou ao fim”.

sábado, 25 de maio de 2013

Por uma onda de paz na Faixa de Gaza

     Tal e Naim vivem em terras tensas a apenas 80 km de distância, em que brigas e mortes são uma constante, com um histórico imenso de guerra, violência e intolerância religiosa. Apesar de morarem próximos, os dois jovens têm vidas bem diferentes: Tal é uma francesa judia que vive em Jerusalém; Naim é palestino e mora em Gaza.
     Sem entender o porquê dos ataques constantes a Gaza, um lugar tão perto e tão longe de sua realidade, Tal manda um recado dentro de uma garrafa, atirada ao mar por seu irmão, soldado militar que vai lutar em Gaza. Na mensagem, uma clara vontade de saber quem encontrou a tal carta e vários questionamentos a respeito da situação que tanto agride os dois povos. Semanas depois, Tal recebe uma mensagem de Naim, que até encontrou a carta, mas, desconfiado, assinou o e-mail apenas como Gazaman. Assim começa o filme “Uma garrafa no mar de Gaza”, dirigido por Thierry Binisti e baseado no romance de Valérie Zenatti.
     Mesmo com as barreiras políticas – e físicas (separados por um muro, o “outro lado”) – que proíbem qualquer tipo de contato entre eles, Tal e Naim conversavam cada vez mais, diariamente, através dos e-mails, mesmo com todos os conflitos que os cercam.
     - Era preciso inventar um modo de comunicação que juntasse o arcaico (a garrafa no mar) com o moderno (a troca de e-mails). Só assim os dois conseguiriam se comunicar – conta Thierry Binisti, no texto de lançamento do longa.
     Entre uma troca e outra de e-mails, sempre escondida, os dois se apaixonam, compartilham experiências e descobrem a diferença cultural e a história de seus povos. Enquanto isso, perguntam-se “de que lado eu estou?” e percebem que, apesar de todas as diferenças, são iguais. E reféns de uma situação que está longe de terminar.
     O filme é um convite para olhar o conflito entre os dois povos sob novas perspectivas, sem se deixar fechar apenas às interpretações dominantes e tão parciais.
Direção: Thierry Binisti
Ano: 2013
Áudio: Francês, Hebraico, Árabe
Duração: 95 minutos

Inch’Allah
Chloé é uma jovem médica canadense que divide seu tempo entre o Ramallah, onde trabalha com a Organização Humanitária “Red Crescent”, e Jerusalém, onde mora ao lado de sua amiga Ava, uma jovem soldada israelense. Cada vez mais sensível ao conflito, Chloé vai diariamente pelo posto entre as duas cidades para chegar ao campo de refugiados, onde monitora as gestações de mulheres jovens.
Como se torna amiga de Rand, uma de suas pacientes, Chloé aprende mais sobre a vida nos territórios ocupados e começa a passar algum tempo com a família de Rand. Dividida entre os dois lados do conflito, Chloé tenta tudo que pode para criar elos entre suas amigas, mas sofre por permanecer uma eterna estrangeira para ambos os lados.
Direção: Anaïs Barbeau-Lavalette
Ano: 2013
Áudio: Inglês, Francês, Hebraico,Árabe
Duração: 100 minutos

O Filho do Outro ( Le Fils de l'autre)
Prestes a integrar o exército israelense para cumprir seu serviço militar, Joseph descobre que foi trocado na infância com Yacine, filho de uma família palestina da Cisjordânia. A vida das duas famílias se transforma radicalmente com esta descoberta, forçando cada um a reconsiderar seus valores e sua identidade.
Direção: Lorraine Levy
Ano: 2012
Áudio: Inglês, Francês, Hebraico, Árabe
Duração: 100 minutos


domingo, 10 de março de 2013

Os fins justificam os meios?

A ‘Hora mais escura’, de Kathryn Bigelow, causa estranheza ao adotar postura neutra diante de um tema tão controverso quanto a tortura de terroristas capturados pelos EUA.
     Apenas uma ida ao cinema não é o suficiente para digerir o novo filme da americana Kathryn Bigelow que – com duas estatuetas (melhor direção e filme) na gaveta, por The Hurt Locker (Guerra ao Terror), de 2008 – entrou na briga pelo Oscar de melhor filme no Academy Awards deste ano, tratando de uma temática bem parecida. Dois ingressos foram o necessário. E não aguentaria ver pela terceira vez. Isto porque A hora mais escura, com sua tentativa de ser documentalmente imparcial, é um espetáculo cinematográfico e gera desconforto do começo ao fim.
     “Baseado em relatos de eventos reais”, o filme narra uma caçada que durou dez longos anos – mas com aquela sensação de vinte, ou trinta, para aqueles envolvidos diretamente no caso, ou os emocionalmente abalados pela perda de ente queridos, ou apenas os fortemente ressentidos com aquele que deve ter sido o mais duro golpe contra o “americanismo”. Dez anos foi o tempo que o centro de operações da CIA levou para capturar e matar o inimigo número um dos Estados Unidos da América. Segundo a versão oficial, Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda, foi mandante do atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, que deixou cerca de 3 mil mortos e deflagrou a chamada “guerra ao terror”.
     A história, nós já conhecemos. Quem não se lembra do que estava fazendo (ou do que parou de fazer quase que instantaneamente) ao ouvir a notícia dos atentados na TV, em 2001? Ou das horas e horas esperando pelo pronunciamento do presidente Barack Obama, no dia da morte de Bin Laden, em 1º de maio de 2011? Isto, por si só, já justificaria o caráter documental do filme de Bigelow. Mas ela vai adiante e explora cada tracinho de informações (confidenciais ou não) – a CIA, de verdade, chegou a investigar os produtores do filme para saber de onde eles tiraram algumas delas – as quais teve acesso, na trama assinada por Mark Boal, que também levou um Oscar de melhor roteiro por Guerra ao Terror.  O roteiro começou a ser escrito antes da morte do líder terrorista e teve que ser modificado depois.
     O primeiro soco no estômago do filme vem de algo tão realista que é quase inacreditável. Uma tela preta se ergue frente ao telespectador, logo no início, e as vozes desesperadas das pessoas presas nos escombros das Torres Gêmeas naquele 11/9 ecoam. No cinema, as pessoas se remexem inquietas em suas poltronas tão paradoxalmente confortáveis. Estão incomodadas. Resguardadas as devidas proporções de pânico, é como se estivéssemos presos num horror sem fim, implorando inconscientemente para que tudo termine logo, para que as vozes cessem. Se esta era a intenção de Kathryn Bigelow, parabéns para ela.
     A partir daí, A hora mais escura dá início à obsessão que tomou conta dos Estados Unidos por todos esses anos, personificada pela protagonista Maya (Jessica Chastain), que foi inspirada em um punhado de agentes reais da CIA. Recrutada pelo serviço secreto antes mesmo de ingressar numa universidade, em 2001, Maya fez da caçada aos talibãs seu objetivo de vida, e de Osama seu pote de ouro no fim do arco íris. 
     A agente representa, portanto, a guerra declarada ao terrorismo. E descansa sobre ela a controvérsia perturbadora, e o viés ambíguo e perigoso, do filme: a tortura como um meio justificado pelo fim. Intercalando cenas fictícias – que, ainda assim, carregam sobre si o peso da legenda inicial do filme, de que ele é baseado em fatos reais – com imagens verídicas de interrogatórios promovidos durante a “caça às bruxas” de George W. Bush, Bigelow escancara a trilha que levou à captura de Bin Laden.
     Num dos momentos cruciais de Zero Dark Thirty – no jargão militar, esta expressão significa meia-noite e meia, horário em que começou a operação que culminou com a morte de OBL –, discursos de caráter mais “brando” proferidos por Barack Obama mostram a ruptura no regime político vigente.  Mas a mensagem é clara: o governo atual pode até ter cumprido missão de forma mais humana (e quanto a isso, há controvérsias), mas não se pode esquecer do que os levou até ali.
     Entre as críticas sofridas por Bigelow, uma das mais contundentes foi a de Slavoj Zizek, que a acusa de estar “aliada à normalização da tortura”, já que esta é representada, no filme, de forma neutra. De fato, o sentimento que fica é de constante desconforto e dúvida: “mas ela está defendendo ou criticando a prática?”. No fim das contas, a tentativa de ser imparcial incomoda.
A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty)
Direção: Kathryn Bigelow
Ano: 2012
Áudio: Inglês/Legendado
Duração: 157 minutos
Tamanho: 493 MB

Saiba Mais – Links:

sábado, 12 de janeiro de 2013

Especial - Alejandro Gonzáles Iñárritu

     Mexicano nascido a 15 de agosto de 1963, na Cidade do México, apelidado de El Negro, faz parte do seleto grupo de diretores latino-americanos a atingir reconhecimento mundial nos últimos anos. Em 1984, porém, ele era apenas um DJ de uma rádio da Cidade do México. Nessa época, estudava teatro e cinema, o que o ajudou a se tornar, no final da década de 80, um produtor da Televisa, uma das maiores redes de televisão do continente. Com bons contatos e muito talento, ele conheceu o roteirista Guillermo Arriaga, com o qual assinou o script de Amores Brutos. Foi a sua primeira experiência ao dirigir um longa-metragem e se tornou também a primeira vez que ele apresentou um filme no Festival de Cannes. O filme foi também indicado ao Oscar, na categoria Melhor Filme Estrangeiro.
     Junto com Win Wenders, Sean Penn, Amos Gitai e outros grandes cineastas, dirigiu um dos onze episódios de 11´09´´01 - September 11, no qual 11 diretores faziam interpretações do atentado ao World Trade Center, em Nova York. Consagrado após apenas duas obras, ele conseguiu acesso a Hollywood e fez 21 Gramas, com o porto-riquenho Benicio Del Toro e Naomi Watts. O filme também foi aclamado. Em 2006, com Babel, o terceiro trabalho da dupla, ele venceu o Festival de Cannes.
PREMIOS:
·         Prêmio da Crítica no Festival de Cannes, por Amores perros (2000)
·         Prêmio da Crítica na Mostra Internacional de São Paulo, por Amores perros (2000)
·         Ganhou o BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro, por Amores perros (2000)
·         Palma de Ouro em Cannes como Melhor Diretor por Babel (2006)
Filmes:
Amores Brutos (Amores Perros)
Em plena Cidade do México, um terrível acidente automobilístico ocorre. A partir deste momento, três pessoas envolvidas no acidente se encontram e têm suas vidas mudadas para sempre. Um deles é o adolescente Octavio (Gael García Bernal), que decidiu fugir com a mulher de seu irmão, Susana (Vanessa Bauche), usando seu cachorro Cofi como veículo para conseguir o dinheiro para a fuga. Ao mesmo tempo, Daniel (Álvaro Guerrero) resolve abandonar sua esposa e filhas para ir viver com Valeria (Goya Toledo), uma bela modelo por quem está apaixonado. Também se envolve no acidente Chivo (Emilio Echevarría), um ex-guerrilheiro comunista que agora atua como matador de aluguel, após passar vários anos preso. Ali, em meio ao caos, ele encontra Cofi e vê a possibilidade de sua redenção.
Direção: Alejandro G. Iñárritu
Ano: 2000
Áudio: Espanhol/Legendado
Duração: 145 minutos

21 Gramas
A exemplo do filme anterior de Arriaga e González Iñarritu, Amores brutos (2000), 21 Gramas entrelaça vários enredos, ao redor das consequências de um trágico acidente automobilístico. Penn interpreta um matemático acadêmico em estado crítico de saúde, Watts interpreta uma mãe ferida pelo luto, e del Toro interpreta um ex presidiário, convertido ao cristianismo, cuja fé é impiedosamente testada, com o resultado do acidente.
21 Gramas é apresentado em uma estrutura não-linear, onde as vidas dos personagens são retratadas antes e depois do acidente. Cada um dos três personagens principais tem 'passado', 'presente' e 'futuro', os quais são mostrados como fragmentos não-lineares que pontuam elementos da história como um todo, todos aproximando-se um dos outros e aderindo-se enquando a estória avança.
O título refere-se a uma teoria propagada na pesquisa de 1907 do físico dr. Duncan MacDougall, que se propunha a fornecer evidências científicas da existência da alma humana, através do registro de uma pequena perda de massa corpórea (representando a partida da alma) imediatamente após a morte. A pesquisa, mostrou grandes variações de resultados (21 gramas é uma quantia arbitrária; os verdadeiros resultados de MacDougall não apresentaram média confiável), e foram firmemente rejeitados pela comunidade científica, mesmo em sua época. O filme apresenta as descobertas de MacDougall como aceitas cientificamente em forma de licença poética.
Direção: Alejandro G. Iñárritu
Ano: 2003
Áudio: Dublado
Duração: 119 minutos

Babel
Um ônibus repleto de turistas atravessa uma região montanhosa do Marrocos. Entre os viajantes estão Richard (Brad Pitt) e Susan (Cate Blanchett), um casal de americanos. Ali perto os meninos Ahmed (Said Tarchani) e Youssef (Boubker At El Caid) manejam um rifle que seu pai lhes deu para proteger a pequena criação de cabras da família. Um tiro atinge o ônibus, ferindo Susan. A partir daí o filme mostra como este fato afeta a vida de pessoas em vários pontos diferentes do mundo: nos Estados Unidos, onde Richard e Susan deixaram seus filhos aos cuidados da babá mexicana; no Japão, onde um homem (Kôji Yakusho) tenta superar a morte trágica de sua mulher e ajudar a filha surda (Rinko Kinkuchi) a aceitar a perda; no México, para onde a babá (Adriana Barraza) acaba levando as crianças; e ali mesmo, no Marrocos, onde a polícia passa a procurar suspeitos de um ato terrorista.
Direção: Alejandro G. Iñárritu
Ano: 2006
Áudio: Inglês, Espanhol, árabe.../Legendado
Duração: 144 minutos

Biutiful
Catalunha. Uxbal (Javier Bardem) coordena vários negócios ilícitos, que incluem a venda de produtos nas ruas da cidade e a negociação do trabalho de um grupo de chineses, cujo custo é bem menor por não serem legalizados e viverem em condições precárias. Além disto, ele possui o dom de falar com os mortos e usa esta habilidade para cobrar das pessoas que desejam saber mais sobre seus entes que partiram há pouco tempo. Uxbal precisa conciliar sua agitada vida com o papel de pai de dois filhos, já que a mãe deles, Marambra (Maricel Álvarez), é instável. Até que, após sentir fortes dores por semanas, ele resolve ir ao hospital. Lá descobre que está com câncer e que tem poucos meses de vida.
Direção: Alejandro G. Iñárritu
Ano: 2011
Áudio: Dublado
Duração: 148 minutos

Documentário:
11 de Setembro (11’9″01 – September 11)
Após os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, o produtor artístico Alain Brigand pediu a 11 diretores que contribuíssem cada um com um curta-metragem para uma coletânea que seria exibida internacionalmente. Inspirados naquele dia, todos os realizadores tiveram liberdade artística para refletir sobre o atentado, obedecendo à duração de 11 minutos, 9 segundos e 1 frame - ou 11'09''01.
Onze curta-metragens abordando diversos aspectos dos ataques terroristas aos Estados Unidos, ocorridos em 11 de setembro de 2001. Danis Tanovic e Ken Loach relacionam a data do atentado a outros acontecimentos. Tanovic lembra-se do dia 11 de julho de 1995, quando ocorreu o massacre em Srebrnica e Loach rememora que Salvador Allende foi deposto do governo chileno em 11 de setembro de 1973. Idrissa Ouedraogo realizou uma comédia reflexiva sobre Burkina Faso. Samira Makhmalbaf mostra uma professora que tenta explicar o ataque a um grupo de crianças. Sean Penn evoca a vida de uma viúva que morava à sombra das duas torres desabadas. Claude Lelouch descreve as reações de vários surdos ao evento ou que testemunharam o evento. Shonei Imamura recorre às memórias japonesas da Segunda Guerra Mundial e Mira Nair mostra os problemas das minorias étnicas. Amos Gitai dá a sua interpretação sobre o papel da mídia em uma informação de significado internacional. Alejandro González Iñárritu apresenta 11 minutos de preces na escuridão, enquanto Youssef Chahine reflete a perspectiva do Oriente Médio.
Direção: Alejandro González Iñárritu, Youssef Chahine, Amos Gitai, Shohei Imamura, Claude Lelouch, Ken Loach, Samira Makhmalbaf, Mira Nair, Idrissa Ouedraogo, Sean Penn, Danis Tanovic
Ano: 2002
Áudio: espanhol, inglês, francês, árabe, hebraico, persa/Legendado
Duração: 128 minutos

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Em defesa da Palestina

“Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?”
O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças.
     Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que essa carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.
     Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.
     São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.
     Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.
Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.
     Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.
     Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pode arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda-chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?
     O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nessa operação de limpeza étnica.
     E, como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.
     A chamada “comunidade internacional” existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?
     Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas rendem tributo à sagrada impunidade.
     Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E, como sempre, os países europeus esfregam as mãos. A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra lágrima, enquanto secretamente celebra essa jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antissemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.
Saiba Mais - Documentários:
A Palestina Ainda é a Questão
Documentário de John Pilger (Palestine Is Still The Issue) que retrata a vida de sofrimento e humilhação do povo palestino nos territórios ilegalmente ocupados pelas forças militares do estado sionista de Israel. Ao final, John Pilger repete as perguntas que o grande arcebispo antiapartheid Desmond Tutu havia feito pouco tempo antes: "Será que os judeus esqueceram em tão pouco tempo o sofrimento, a humilhação e as mortes que seus antepassados padeceram há apenas duas gerações?
Por que eles agora estão praticando contra o humilde povo palestino atrocidades semelhantes às sofridas por seus antepassados nas mãos dos nazistas?"
Direção: Tony Stark
Ano: 2003
Áudio: Inglês/Legendado
Duração: 53minutos
Tamanho: 499 MB
Atirar num Elefante
Os ataques israelenses não poupam ninguém, crianças, mulheres, ambulâncias e tudo o que se mova pode ser alvo da covardia e brutalidade de um dos exércitos mais truculentos do mundo. O documentário To Shoot An Elephant (TSAE) narra a rotina na Faixa de Gaza a partir de 27 de dezembro de 2008, quando Israel começou a operação militar Chumbo Fundido em Gaza, onde passou 21 dias atirando e que causaram a morte de 1.412. Convertido em narração direta e privilegiada dos bombardeios, o filme, quer ser ferramenta para fazer frente à propaganda israelense e ao silêncio internacional.
Direção: Alberto Arce / Mohammad Rujailah
Ano: 2009
Áudio: Inglês/Legendado
Duração: 113minutos
Tamanho: 837 MB

Ocupação 101: voz da maioria silenciosa
Um documentário instigante e poderoso na raiz atual e histórica do conflito israelense-palestino. Ao contrário de qualquer outro filme já produzido sobre o conflito - "Ocupação 101” apresenta uma análise abrangente dos fatos e verdades escondidas em torno da polêmica interminável e dissipa muitos de seus antigos mitos e equívocos.
O filme também detalha a vida sob o governo militar israelense, o papel dos Estados Unidos no conflito e os principais obstáculos que se interpõem no caminho de uma paz duradoura e viável. As raízes do conflito são explicadas através de experiências de primeira mão sobre-o-terreno dos principais estudiosos do Oriente Médio, ativistas pela paz, jornalistas, líderes religiosos e trabalhadores humanitários cujas vozes foram demasiadas vezes reprimidas em jornais americanos.
O filme cobre uma ampla gama de tópicos - que incluem - a primeira onda de imigração de judeus da Europa na década de 1880, as tensões de 1920, a guerra de 1948, a guerra de 1967, a primeira Intifada de 1987, o Processo de Paz de Oslo, a expansão do assentamento, o papel do Governo dos Estados Unidos, a segunda Intifada de 2000, a barreira de separação e a retirada de Israel de Gaza, bem como depoimentos dilaceradores de corações de muitas vítimas desta tragédia.
Direção: Abdallah Omeish / Sufyan Omeish
Ano: 2007
Áudio: Inglês/Legendado
Duração: 88 minutos
Tamanho: 803 MB
Palestina, História de uma Terra (1880-1991)
Diariamente no noticiário internacional, o conflito entre israelenses e palestinos parece uma história antiga. Porém, poucas pessoas sabem como essa guerra começou. Com imagens marcantes e históricas, o documentário (Palestine, histoire d'une terre) é uma oportunidade de conhecer o início dos desentendimentos entre os dois povos; a criação do Estado de Israel e a luta pela criação de um Estado palestino, desde o fim do domínio do Império Otomano até as negociações mais recentes entre árabes e israelenses.
Documentário organizado a partir de imagens de arquivos históricos raros divididos em dois períodos. A primeira parte, de 1880 a 1950, mostra a convivência harmônica no final do século XIX entre muçulmanos, judeus e cristãos na Palestina até a fuga em massa de trabalhadores árabes em Israel; jurisdição militar, toques de recolher, censura e leis de circulação. A segunda parte, que compreende o período entre 1950 a 1991, fala sobre as tropas Israelenses massacrando e expulsando os povos árabes de suas casas e cidades apropriando-se de todos seus territórios até os Acordos de Paz.
Diretora: Simone Bitton
Ano: 1997
Áudio: Português
Duração: 117 minutos

sábado, 1 de setembro de 2012

Quem é quem no comércio mundial de armas

Estados Unidos já abocanham 78% das exportações mundiais — e são cada vez mais influenciados por seu próprio“complexo industrial-militar”. Por isso, mídia norte-americana prefere falar da China…

      Há pelo menos duas décadas, os Estados Unidos são o país com balança comercial mais deficitária do planeta. Ao longo de 2012, suas importações superarão as exportações em cerca de 600 bilhões de dólares — algo como o PIB da Suíça ou da Arábia Saudita. Porém, um setor de sua economia foge a esta regra. Trata-se da indústria armamentista. Além de ser a mais poderosa do mundo, ela ampliou de forma acelerada sua influência nos últimos cinco anos, revelou no domingo o New York Times. Tira proveito, diretamente, das tensões crescentes que a diplomacia de Washington tem provocado — em especial no Oriente Médio e nas disputas com o Irã.
     Os números são impressionantes. Num único ano, 2011, as vendas de armamentos por indústrias norte-americanas mais que triplicaram, saltando de pouco mais de 21,4 bilhões de dólares para cerca de US$ 60 bilhões. Depois deste avanço, os EUA passaram a abocanhar 78% do comércio mundial de armas, deixando muito atrás concorrentes como Rússia (6%), Europa Ocidental (6%) e China (3%).
     O grosso das vendas de armamentos dirigiu-se para a região mais conflagrada do planeta. Só a Arábia Saudita — o principal aliado estratégico dos EUA no Oriente Médio — adquiriu US$ 33,4 bilhões em armas pesadas, inclusive 84 caças F-15 (foto) e dezenas de helicópteros Apache e Black Hawk. Seguiram-se a ela duas outras monarquias ultra-conservadoras da Península Arábica, ambas fortemente alinhadas a Washington: Emirados Árabes e Omã. Segundo o New York Times, a causa essencial do aumento extraordinário de vendas foram “as preocupações com as ambições regionais de Teerã”.
     O Irã, contudo, não compartilha fronteiras com nenhum dos super-compradores de armas norte-americanas. A venda de artefatos bélicos foi fortemente influenciada pela própria diplomacia dos Estados Unidos, que se encarregou de demonizar o regime iraniano. Mas até quando a indústria armamentista poderá vender tanto, em tempos de paz? Em algum momento, ela não tentará criar condições para que os equipamentos que distribui sejam de fato utilizados em combate?
     As relações promíscuas entre indústria de armas, comandos militares e poder político nos Estados Unidos foram apontadas pela primeira vez pelo presidente Dwight Eisenhower — que cunhou a expressão “complexo industrial-militar”. No discurso de despedida que pronunciou, em 1961, ele alertou: “nossa organização militar atual parece muito pouco com tudo o que pôde ser conhecido por qualquer um de meus antecessores em épocas de paz, ou mesmo pelos que lutaram na II Guerra ou no conflito da Coreia. (…) A conjunção de um imenso establishment militar e uma grande indústria de armas é nova na experiência norte-americana. Sua influência — econômica, política e mesmo espiritual — é sentida em cada cidade, em cada câmara estadual, em cada escritório do governo federal. (…) Não devemos deixar de compreender suas graves implicações. (…) Precisamos nos proteger contra a conquista de influência, intencional ou não, pelo complexo industrial-militar”.
     Um sinal da “influência espiritual” da indústria de armamentos pôde ser sentida no sábado. Sem fazer referência alguma aos EUA, o Washington Post destacou, numa longa matéria com chamada de capa, “o grande crescimento das exportações chinesas de armas, na última década”… 

Saiba Mais - Filmes
Razões Para A Guerra (Why We Fight)
Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Sundance Film Festival de 2005, Razões Para a Guerra proporciona uma visão reveladora sobre como a América tem se preparado para a batalha e o que os obriga tão frequentemente a travar guerras ao redor do mundo.
Produzido em meio à segunda guerra do Iraque, o documentário é uma agressiva análise das forças que alimentam a máquina militar norte-americana por mais de meio século e suas consequências globais.
O filme começa com o discurso de despedida do presidente Dwight D. Eisenhower em 1961, no qual ele alertou os norte-americanos quanto ao crescimento do poder do "complexo industrial militar."
Expandindo a partir da advertência de Eisenhower, Jarecki conta ainda com entrevistas de soldados norte-americanos, oficiais do governo, informantes militares, empregados da área de Defesa, congressistas, acadêmicos, iraquianos e muitos outros que fornecem análises pessoais, políticas e econômicas sobre os últimos 50 anos da expansão militar dos Estados Unidos, guerras e intervenções.
O que surge é um retrato esclarecedor e arrepiante de como os interesses políticos, corporativos e militares se tornaram progressivamente ligados através do negócio que é uma guerra.
Se nós queremos defender e promulgar a paz, precisamos conhecer as razões para a guerra! “Por que nós lutamos?”. “Lutamos pela liberdade”. Essa resposta faz parte de uma cultura que tentou justificar a guerra pelos melhores motivos. A boa propaganda é muito eficiente em montar mentalidades...!
Direção: Eugene Jarecki
http://ul.to/biz4vafn
Ano: 2005
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 99 minutos

O Senhor das Armas (Lord of War)
Yuri Orlov (Nicolas Cage) é um traficante de armas que realiza negócios nos mais variados locais do planeta. Estando constantemente em perigosas zonas de guerra, Yuri tenta sempre se manter um passo a frente de Jack Valentine (Ethan Hawke), um agente da Interpol, e também de seus concorrentes e até mesmo clientes, entre os quais estão alguns dos mais famosos ditadores do planeta. O filme começa com Yuri Orlov declarando, "Há mais de 550 milhões de armas de fogo em circulação no mundo. É uma arma para cada doze pessoas no planeta. A única questão é: Como armamos as outras onze?" Começam então os créditos de abertura, mostrando a viagem de uma bala de fuzil, desde a fábrica no leste europeu até a cabeça duma criança africana. O resto do filme é contado em flashback, começando nos anos 1980 e acabando na cena inicial.
Direção: Andrew Niccol
Ano: 2005
http://ul.to/4fk0dnfdÁudio: Português
Duração: 122 minutos

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Desgaste, desencanto e suicídios no exército dos EUA.

Um soldado a cada dia acaba com a própria vida. Suicídios já são duas vezes maiores que mortes em combate. Angústia, convocações sucessivas e dificuldades econômicas parecem ser as causas.
     Nos primeiros 155 dias do ano, foram reportados 154 suicídios de soldados americanos na ativa, o que quer dizer que, em média, entre Janeiro e Junho de 2012 o Exército norte-americano perdeu uma pessoa por dia.
     No mesmo período, o número de soldados que morreram no Afeganistão foi inferior: menos 50%, de acordo com o Pentágono; 139, segundo o site: icasualties.org/, que reúne a contabilidade das mortes em combate.
     Os dados do Pentágono apontam uma alta extraordinária da taxa de suicídio de tropas, que se encontra agora num nível histórico – face aos valores do período homólogo de 2011, a taxa de suicídio disparou 18%, e 25% quando comparada com 2010. Nunca, na última década em que os Estados Unidos estiveram envolvidos em duas guerras (no Iraque e Afeganistão), o ritmo de suicídios entre militares foi tão elevado.
    O Departamento de Defesa manifestou extrema preocupação com a tendência de subida do número de suicídios, que se tem verificado desde 2006, até atingir um pico em 2009 e novamente agora. Antes de ter sido feita a contagem do primeiro semestre do ano, o próprio secretário da Defesa, Leon Panetta, tinha alertado as chefias para a questão, escrevendo numa nota interna que “o suicídio de militares é um dos problemas mais complexos e urgentes” a necessitar de atenção e soluções.

Exército combate estigma
    “Há que continuar a trabalhar para eliminar o estigma de quem sofre de stress pós-traumático ou outros problemas mentais para que esses indivíduos procurem ajuda especializada”, dizia o documento, citado pela Associated Press.
     Panetta escreveu ainda que os comandantes têm uma responsabilidade adicional e “não podem tolerar qualquer ação que leve ao desprezo, humilhação ou isolamento de qualquer indivíduo, principalmente daqueles que necessitem de tratamento”.
     Num esforço para gerir os problemas individuais e sociais provocados pelo esforço de guerra da última década — além do aumento dos suicídios, verifica-se também uma subida nos casos de toxicodependência, de violência sexual e doméstica e de outros crimes praticados por soldados —, o exército norte-americano lançou programas de saúde mental, de prevenção do abuso de álcool e drogas, assim como de aconselhamento jurídico e financeiro para os soldados e as suas famílias.
      Como comentava o diretor-executivo da associação de Soldados Veteranos da América e do Afeganistão, Paul Rieckhoff, o número de suicídios entre militares na ativa é apenas “a ponta visível do icebergue” — um inquérito conduzido junto dos 160 mil membros da sua organização revelava que 37% tinha conhecimento pessoal de alguém que tinha posto fim à própria vida.
     As causas para o problema estão identificadas: os estudos realizados pelo Pentágono com o seu pessoal demonstram que os anos de convocações sucessivas para o teatro de guerra elevam a probabilidade de os soldados desenvolverem um quadro de stress pós-traumático. Especialistas dizem que a situação económica dos Estados Unidos também pode estar contribuindo para o aumento da angústia e desespero das tropas americanas e respectivas famílias.

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11 de Setembro (11’9″01 – September 11)
Após os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, o produtor artístico Alain Brigand pediu a 11 diretores que contribuíssem cada um com um curta-metragem para uma coletânea que seria exibida internacionalmente. Inspirados naquele dia, todos os realizadores tiveram liberdade artística para refletir sobre o atentado, obedecendo à duração de 11 minutos, 9 segundos e 1 frame - ou 11'09''01.
Onze curta-metragens abordando diversos aspectos dos ataques terroristas aos Estados Unidos, ocorridos em 11 de setembro de 2001. Danis Tanovic e Ken Loach relacionam a data do atentado a outros acontecimentos. Tanovic lembra-se do dia 11 de julho de 1995, quando ocorreu o massacre em Srebrnica e Loach rememora que Salvador Allende foi deposto do governo chileno em 11 de setembro de 1973. Idrissa Ouedraogo realizou uma comédia reflexiva sobre Burkina Faso. Samira Makhmalbaf mostra uma professora que tenta explicar o ataque a um grupo de crianças. Sean Penn evoca a vida de uma viúva que morava à sombra das duas torres desabadas. Claude Lelouch descreve as reações de vários surdos ao evento ou que testemunharam o evento. Shonei Imamura recorre às memórias japonesas da Segunda Guerra Mundial e Mira Nair mostra os problemas das minorias étnicas. Amos Gitai dá a sua interpretação sobre o papel da mídia em uma informação de significado internacional. Alejandro González Iñárritu apresenta 11 minutos de preces na escuridão, enquanto Youssef Chahine reflete a perspectiva do Oriente Médio.
 Direção: Youssef Chahine, Amos Gitai, Alejandro González Iñárritu, Shohei Imamura, Claude Lelouch, Ken Loach, Samira Makhmalbaf, Mira Nair, Idrissa Ouedraogo, Sean Penn, Danis Tanovic
Ano 2002
Áudio: espanhol, inglês, francês, árabe, hebraico, persa/Legendado
Duração:128 minutos

Razões Para A Guerra (Why We Fight)
Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Sundance Film Festival de 2005, Razões Para a Guerra proporciona uma visão reveladora sobre como a América tem se preparado para a batalha e o que os obriga tão frequentemente a travar guerras ao redor do mundo.
Produzido em meio à segunda guerra do Iraque, o documentário é uma agressiva análise das forças que alimentam a máquina militar norte-americana por mais de meio século e suas consequências globais.
O filme começa com o discurso de despedida do presidente Dwight D. Eisenhower em 1961, no qual ele alertou os norte-americanos quanto ao crescimento do poder do "complexo industrial militar."
Expandindo a partir da advertência de Eisenhower, Jarecki conta ainda com entrevistas de soldados norte-americanos, oficiais do governo, informantes militares, empregados da área de Defesa, congressistas, acadêmicos, iraquianos e muitos outros que fornecem análises pessoais, políticas e econômicas sobre os últimos 50 anos da expansão militar dos Estados Unidos, guerras e intervenções.
O que surge é um retrato esclarecedor e arrepiante de como os interesses políticos, corporativos e militares se tornaram progressivamente ligados através do negócio que é uma guerra.
Se nós queremos defender e promulgar a paz, precisamos conhecer as razões para a guerra! “Por que nós lutamos?”. “Lutamos pela liberdade”. Essa resposta faz parte de uma cultura que tentou justificar a guerra pelos melhores motivos. A boa propaganda é muito eficiente em montar mentalidades...!
Direção: Eugene Jarecki
Ano: 2005
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 99 minutos

Táxi Para A Escuridão (Taxi to the Dark Side)
Um taxista afegão, preso por líderes militares locais, morre 4 dias depois na Base Aérea de Bagram, por consequência das torturas sofridas. Meses de investigação levam uma jornalista do New York Times até a vila remota da vítima. Lá, encontra o atestado de óbito em inglês, entregue pelo Exército Americano para a família da vítima, que só fala Pashtu. Causa oficial da morte: homicídio. Documentos oficiais revelam como o exército norte-americano e o FBI gastaram meses de pesquisas, aperfeiçoando seus métodos para “dobrar” os prisioneiros.
Na base de Guantánamo, em Cuba, a CIA e o exército desenvolveram e criaram métodos de tortura e testaram nos detentos. Os presos ali, sem direito a habeas-corpus e sem saber o motivo pelo qual haviam sido presos, tiveram corpos e mentes moídos com a anuência do alto escalão do governo. Um dos detentos, sob tortura, disse que Saddam Hussein havia treinado a Al-Qaeda no uso de armas químicas. O documentário revela que uma pessoa torturada diz o que o torturado deseja ouvir. E tudo o que os EUA queriam era um motivo para invadir o Iraque. Com ou sem provas.
Direção: Alex Gibney
Ano: 2007
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 106 minutos

A Caminho de Guantánamo (The Road to Guantánamo)
10 de setembro de 2001. A mãe de Asif Iqbal (Afran Usman), um jovem de 19 anos, retorna do Paquistão anunciando que encontrou uma noiva para ele. Nove dias depois Asif segue para o Paquistão, para encontrá-la e também conhecer a terra de seus pais. Asif convida Ruhel (Farhad Harun), Shafiq (Riz Ahmed) e Monir (Waqar Siddiqui), seus amigos, para acompanhá-lo. Em Karachi, após 2 dias de viagens turísticas, eles vão rezar em uma mesquita. Lá ouvem de um líder local que o Afeganistão precisa de voluntários, o que faz com que sigam para Kandahar. Porém a cidade logo é bombardeada pelos americanos, como represália pelos atentados terroristas de 11 de setembro. Eles tentam retornar ao Paquistão, mas Monir desaparece e os demais são capturados pelas forças aliadas. É o início de uma série de torturas que os amigos sofrem, já que ninguém acredita que são turistas europeus. Em janeiro de 2002 eles são enviados à prisão americana de Guantánamo, em Cuba, onde durante 2 anos e meio tentam convencer os guardas sobre suas verdadeiras identidades. Filme polêmico ganhou o Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim de 2006.
Direção: Michael Winterbottom, Mat Whitecross
Ano: 2006
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 91 minutos

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Passaram-se oito anos e os Estados Unidos fecharam a porta do Iraque deixando um desastre atrás dela. Durante o conflito, morreram mais de 100 mil civis, 4.800 soldados da coalizão perderam a vida (4.500 dos EUA), junto com 20 mil soldados iraquianos. Para os iraquianos, o legado da invasão é morte, dezena de milhares de mutilados, insegurança, desemprego, falta de água potável e eletricidade. A democracia exportada com bombas ultramodernas não mudou o curso das coisas.
Da Revolução Francesa, passando pelos carbonários, o século XX com as guerras, e o XXI, com Bin Laden: o terrorismo foi encarado de formas até antagônicas.
Em "Incêndios", um casal de gêmeos, após a morte da mãe, parte em busca de uma família desconhecida no Oriente Médio, descobre o passado da família e os horrores da guerra - revelados não por cenas violentas, mas por diálogos intensos.