“Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso”. (Bertolt Brecht)

sábado, 25 de agosto de 2012

Darcy Ribeiro - O Povo Brasileiro


     Em "O Povo Brasileiro", o antropólogo Darcy Ribeiro (1913-1997) nos conduz pelos caminhos da nossa formação como povo e nação. Afinal, quem são os brasileiros? Que matrizes nos alimentaram? Que traços nos distinguem?
     A série é uma recriação da narrativa de Darcy Ribeiro em linguagem televisiva. Os programas, de 26 minutos cada discutem a formação dos brasileiros, sua origem mestiça e a singularidade do sincretismo cultural que dela resultou. Com imagens captadas em todo o Brasil, material de arquivo raro, depoimentos de Chico Buarque, Tom Zé, Antônio Cândido, Aziz Ab´Saber, Paulo Vanzolini, Gilberto Gil, Hermano Vianna, entre outras personalidades., os dez programas da série discutem nossas origens, nossos percursos históricos, nossos temas e problemas, nossas perspectivas de futuro.
      Em 1995, lendo os primeiros capítulos dos originais de "O Povo Brasileiro", Isa Grinspum Ferraz sugeriu a Darcy Ribeiro (1922-1997), com quem colaborou por 13 anos, que contasse aquela história para mais gente, em programas de televisão. Apesar de já muito doente, Darcy aceitou a provocação e, por quatro dias, tornou-se ator de um grande depoimento sobre a formação cultural do Povo Brasileiro.
     Com imagens captadas em todo o Brasil, material de arquivo raro e depoimentos, a série é um programa indispensável para educadores, estudantes e todos os interessados em conhecer um pouco mais sobre o nosso país.
Direção: Isa Grinspum Ferraz
Ano: 2000
Áudio: Português
Duração: 26 minutos (cada episódio)
Clique no nome do episódio para assistir on-line
     No documentário que abre a série, Darcy Ribeiro pergunta: "Antes do Brasil existir, como podia existir o mundo? O Brasil nasce sob o signo da Utopia." O programa reconstrói o universo dos povos Tupi antes da chegada dos portugueses: a organização das aldeias, o sistema de crenças, a antropofagia, as práticas agrícolas, as guerras e as festas. Foi construído com imagens de povos indígenas brasileiros extraídas de dezenas de arquivos brasileiros e estrangeiros, captadas em película e vídeo durante o século XX.
Contém cenas filmadas por Darcy Ribeiro e Franz Forthman entre os Urubu-kaapor, em 1950. Contém imagens dos originais dos diários escritos por Darcy Ribeiro em sua longa convivência com povos indígenas, bem como documentos e desenhos dos séculos XI e XII, entre outros.
Exemplares de objetos indígenas foram filmados para o programa em museus e acervos brasileiros. Depoimentos de Azis Ab'Saber e Washington Novaes
     "Esse navio, essa criação, é mais importante que uma nau, dessas espaciais..." Assim Darcy Ribeiro fala das caravelas que permitiram aos portugueses dar início à globalização do planeta. O segundo documentário da série reconstrói o sofisticado universo dos portugueses às vésperas das viagens de exploração das fronteiras do Desconhecido.
O programa contém imagens de Portugal pesquisadas na Cinemateca Portuguesa e em outros acervos europeus. Contém vasta iconografia referente às influências árabe e israelita que marcaram a Península Ibérica, assim como imagens inéditas das festas do Espírito Santo, nos Açores e no Maranhão.
Tom Zé fala trechos de poemas de Fernando Pessoa. Gilberto Gil canta "Prece", também de Pessoa. Depoimentos do grande pensador português Agostinho da Silva, de Judith Cortesão e Roberto Pinho.
     "Toda a cultura brasileira está impregnada da herança africana. Sua presença fez quase tudo o que aqui se fez", diz Darcy Ribeiro neste programa que fala do conjunto das culturas negroafricanas que estão na base de nossa formação. O documentário nos faz conhecer a força, o requinte e a sofisticação dos bantos, haussás, jejes e yorubás que atravessaram o Atlântico no maior movimento de migração compulsória de que se tem notícia.
     O programa foi construído com imagens de arquivo pesquisadas em cinematecas e museus variados, bem como com o registro de vasta e variada iconografia (fotos de Pierre Verger e outros).
Contém imagens de peças africanas pertencentes a importantes colecionadores, filmadas na Bélgica. Depoimentos de Mãe Estela, do antropólogo Carlos Serrano e do etnólogo François Neyt, da Universidade Louvain-la-Neuve, da Bélgica. Participação especial de Gilberto Gil que canta e lê poemas africanos recriados por Antonio Risério.
     Neste documentário, Darcy Ribeiro reflete sobre os encontros e desencontros, no território hoje brasileiro, das nossas três grandes matrizes, e do início da aventura chamada Brasil. "Povo novo é como o Brasil, é um gênero novo. Um povo mestiço na carne e no espírito e, como tal, herdeiro de todas as taras e talentos da humanidade."
     O programa contém imagens originais captadas no Sul da Bahia. Imagens de danças populares filmadas pela "Missão de Pesquisas Folclóricas", de Mário de Andrade, em 1938. Trechos de filmes clássicos de Humberto Mauro. Trechos do Balet Benguelê, do Grupo Corpo.
Textos de Gilberto Freyre, entre outros. Tom Zé fala trechos da Carta de Pero Vaz de Caminha e de texto de Miguel de Cervantes. Depoimento do antropólogo Antonio Risério.
     "Negro era como carvão; um saco de carvão acabou, você compra outro...", diz Darcy Ribeiro no início deste que é o primeiro dos cinco programas sobre os Brasis. O documentário põe em perspectiva a região cultural que ele chama de crioula - Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Maranhão, região fortemente marcada pela presença negra. Fala de sua opulência e decadência.
     Com filmagens realizadas em Salvador, no Recôncavo baiano, em Ouro Preto e Rio de Janeiro, o programa conta ainda com rico material fílmico - documentários e ficção - pesquisado em arquivos brasileiros: Nelson Pereira dos Santos, o Tambor de Mina filmado pela "Missão de Pesquisas Folclóricas", de Mário de Andrade, em 1939. Dorival Caymmi e Chico Science. Cartola e Nélson Sargento. Candomblé e funk. Clementina de Jesus e sua receita de feijoada.
Desenhos de Carybé. Textos de Câmara Cascudo e Gilberto Freyre. Depoimentos de Gilberto Vasconcelos, Mãe Estela, do Babalaô Agenor Miranda da Rocha, de Mãe Filhinha, do antropólogo Roberto Pinho e de Luiz Melodia.
     No documentário sobre mais esta região cultural do Brasil, Darcy Ribeiro comenta: "Qualquer vaqueiro sabe, de experiência própria, quanto contrastam as facilidades disponíveis para socorrer a um touro empestado com as dificuldades que encontra para medicar um filho enfermo".
     O programa contém imagens originais filmadas em Canudos, Uauá, Petrolina e São Paulo. Contém uma vasta coleção de imagens raras extraídas de arquivos diversos, entre as quais: Lampião e seu bando, Padre Cícero, Luiz Gonzaga e sua sanfona.
     Contém cenas escolhidas dos clássicos "Deus e o Diabo na Terra do Sol", de Glauber Rocha, "Vidas Secas", de Nelson Pereira dos Santos, "Memórias do Cangaço", de Paulo Gil Soares, entre outros. Contém ainda vasta iconografia inédita retirada dos arquivos de Lina Bo Bardi
Na música, além disso, temos a Banda Cabaçal e os Irmãos Aniceto, o forró dos índios Cariri e Mestre Ambrósio. Tom Zé canta Luiz Gonzaga. Textos de Guimarães Rosa, Roger Bastide e Euclides da Cunha pontuam o programa. Depoimentos de Paulo Vanzolini, Ariano Suassuna, Hermano Vianna, Antonio Risério. 
     O documentário investiga as origens e as transformações pelas quais passou o chamado "mundo caipira". Nele, Darcy Ribeiro fala sobre os bandeirantes, a caça aos índios e ao ouro, o surgimento e a descaracterização de mais essa região cultural brasileira. O programa contém imagens originais captadas no Sul de Minas, em Ouro Preto e em São Paulo.
     Contém imagens da Congada e do Moçambique, danças populares do mundo caipira, filmadas em 1935 por T. Lévi-Strauss. O Jeca Tatu e o Caipiródromo. As influências das matrizes portuguesa e negra. O Rei do Gado. A industrialização e a urbanização. Tom Zé declama Oswald de Andrade. Trechos de textos de Sérgio Buarque de Holanda pontuam o programa. Depoimentos de Antonio Cândido e Roberto Pinho
     Neste documentário, Darcy Ribeiro nos fala não de um, mas de três brasis sulinos: o dos índios guaranis e das Missões Jesuíticas, que geraram os gaúchos; "o dos ilhenhos, que Portugal mandou buscar para pôr uma presença portuguesa lá. E dos gringos, a gringalhada que caiu lá, como uma onda".
Com imagens captadas no Rio Grande do Sul (nos Pampas, em Porto Alegre e na Serra Gaúcha), imagens de arquivo das Missões e dos Açores, e iconografia muito variada, o programa desvenda um Sul pouco conhecido: sul de negros que cultuam orixás, Sul dos Sem-Terra, dos gaúchos-à-pé.
O velho Mondadori toca o "Boi Barroso". Lupcínio Rodrigues canta. Depoimentos de Judith Cortesão e de Eduardo Gianetti.
     "A Amazônia é o Jardim da Terra". Assim Darcy Ribeiro abre o programa convidando-nos a conhecer e a compreender melhor a formação e as características desse outro mundo, que é o caboclo. Mundo dos índios, das águas e do microchip. De Chico Mendes e da Zona Franca de Manaus. Com imagens originais captadas no Amazonas, o programa contém belíssimas imagens antigas de índios brasileiros, de seringueiros e castanheiros. A criação da Transamazônica e a biodiversidade.
Textos do Padre Vieira e do Marechal Rondon pontuam o programa. Depoimentos de Azis Ab'Saber, Márcio de Souza e Paulo Vanzolini. 
     "Nós temos que inventar o Brasil que nós queremos!", afirma Darcy no último programa da série. Programa que nos faz refletir sobre as utopias que, desde o início, nos acompanham em nossa trajetória: da ideia dos Tupi de uma Terra Sem Males, passando pelo ideal medieval de um Paraíso Terreal, até o projeto contemporâneo de um Brasil viável e possível que ainda vai florescer.
Programa-caleidoscópio, a "Invenção do Brasil" reúne imagens e manifestações culturais antigas e modernas das várias regiões do Brasil. Depoimentos de Eduardo Gianetti, Agostinho da Silva, Judith Cortesão e Roberto Pinho.

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