“Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso”. (Bertolt Brecht)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Além da versão oficial

João Pessoa, João Goulart, Carlos Lacerda, Tancredo Neves, Juscelino Kubitschek, Elza Fernandes,
Pinheiro Machado, D. Pedro II . Muitas foram as mortes que deixaram a população com a pulga atrás da orelha. Causas naturais ou assassinato? Confira uma galeria de casos que geraram intrigas e teorias conspiratórias
     Primeiro ela deu um tiro no namorado. Depois, sentou-se na cama e atirou no próprio peito. Os dois foram encontrados mortos na casa de praia dele, em Maceió, Alagoas, no dia 23 de junho de 1996. Esta é a versão da polícia alagoana. A princípio, fica fácil acreditar que se trata de um crime passional. Mas a desconfiança começa a surgir quando o namorado em questão é Paulo César Farias, o tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello. O mesmo que deu nome a um dos maiores esquemas de corrupção da História do Brasil, o Esquema PC.
     Conforme a investigação avançava, as dúvidas aumentavam. No livro Morcegos negros, o jornalista Lucas Figueiredo aponta algumas falhas: o local do crime não foi preservado, não houve busca de resíduos de pólvora nas mãos dos seguranças – que dizem não ter ouvido os tiros –, e ainda por cima, o colchão onde o casal morreu foi queimado pela família de PC Farias. Estranho...           
 
     Mas quem vai questionar a versão oficial? Muita gente. De boca em boca, as histórias de possíveis crimes políticos ganham fama. Quando João Pessoa (1878-1930) foi assassinado, muitos acreditaram que se tratava de um crime passional. A trama chegou a virar o filme Parahyba, Mulher Macho (1983), Tizuka Yamazaki. Mas pode não ter sido bem assim.
     A morte do marechal Castelo Branco (1897-1967) num acidente aéreo no dia 18 de julho de 1967, quatro meses depois de ter deixado a Presidência, também deixou a população desconfiada. Os jornais descreviam detalhes do choque entre o avião de Castelo Branco e um jato da Força Aérea Brasileira. Logo a FAB! Segundo a Última Hora, a morte “foi causada por violenta pancada no pulmão, ao destroçar-se a aeronave nas proximidades de Mondubim, a seis quilômetros de Fortaleza”.
     O ex-presidente ia da fazenda da escritora e amiga Rachel de Queiroz (1910-2003), em Quixadá, para Fortaleza. Em 1991, em uma entrevista no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Rachel deu um depoimento que deu um banho de água fria em quem achava que o choque entre os aviões tivesse sido um atentado. Segundo ela, Castelo Branco pediu ao piloto que passasse por cima da maior linha de distribuição de energia do São Francisco para ver os postes de alta tensão. O comandante ficou indeciso, mas atendeu ao pedido. “No instante em que eles atravessaram a linha, vinha uma formação de três jatos, e a ponta de um dos jatos pegou. De forma que o atentado seria impossível, tinham que adivinhar que o Castelo ia pedir, que o comandante não iria, depois cedeu, e que o jato iria coincidir naquela hora...”, contou a escritora. O relato se baseia no testemunho do único sobrevivente do acidente: o filho de Castelo Branco. 
     Para uns, depoimentos como esse confirmam a versão oficial; para outros, é apenas mais uma. Nunca se sabe ao certo onde nascem os boatos que formam uma teoria conspiratória. “Essa é uma característica que torna difícil a análise pelos historiadores”, diz o historiador Douglas Attila Marcelino. Mas será que esse gosto por teorias conspiratórias é inato? Para o psicanalista Benilton Bezerra Jr., essa preferência pela hipótese de atentados pode ser motivada por certa busca de sentido para os eventos. “Inscrever um crime numa trama ou narrativa política dá a ele um sentido maior, que ultrapassa o mero acidente. Nós somos seres de sentido, procuramos significado em tudo que nos acontece. Isto é um movimento natural nos humanos”, esclarece Bezerra Jr.
     O psicanalista chama atenção para o fato de que a própria História pode influenciar essa desconfiança em relação às versões oficiais. “Há muitos eventos e crimes provocados por interesses políticos que só se tornaram públicos muito tempo depois do acontecido. Desmentidos oficiais nunca são vistos, com boas razões, como critério de verdade. Na dúvida, melhor manter abertas as possibilidades”.
 
Crimes duvidosos: Atentados
D. Pedro II - Morte nada suspeita
José Murilo de Carvalho
     O imperador brasileiro morreu de pneumonia, em 5 de dezembro de 1891, em sua cama, em um quarto de hotel em Paris. Uma morte nada suspeita. Mas por pouco Pedro II (1825-1891) não entrou para a lista das personalidades políticas assassinadas no Brasil. Em 15 de julho de 1889 – quatro meses antes do golpe que o derrubaria do poder –, ele saía de um teatro no Centro do Rio de Janeiro quando ouviu um grito de “Viva a República!” Um jovem sacou um revólver e deu um tiro na direção do imperador, mas ninguém foi atingido.
     Foi o primeiro atentado contra a vida de um chefe de Estado no país. O clima era tenso na capital desde a véspera, quando um grupo de estudantes republicanos que queriam comemorar o centenário da Revolução Francesa entrou em confronto com a Guarda Negra, formada por libertos. O culpado do atentado ao imperador foi preso horas depois do crime. Era Adriano Augusto do Vale (?-1903), um caixeiro português desempregado. Apesar da acusação de ter contato com republicanos radicais, a motivação para o crime nunca ficou clara.
     Diante das manifestações de solidariedade, Pedro II minimizou o fato, alegando que tinha sido apenas o tiro de um louco que ele mal notara. Uma semana após a proclamação da República, o acusado foi julgado e absolvido sem apontar nenhum cúmplice.
José Murilo de Carvalho é professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor de D. Pedro II: ser ou não ser (Companhia das Letras, 2007).

Pinheiro Machado - Manso, desequilíbrio motivado pela imprensa
Vera Lúcia Bogéa Borges
     Em 1915, dizia-se que o senador gaúcho José Gomes Pinheiro Machado (1851-1915) mandava mais do que o presidente da República. Mas sua imagem sofreu um desgaste, que estava associado ao poder que tinha no processo eleitoral. Era ele quem controlava a Comissão de Verificação, que apresentava os resultados e diplomava os candidatos eleitos. O Congresso chegou a receber um projeto de lei pedindo a “extinção” de Pinheiro Machado por decreto. A imprensa promovia uma campanha contra ele, mas nada o derrubava. Até que, no dia 8 de setembro, Francisco Manso Paiva (1884 –19?) entrou no Hotel dos Estrangeiros, no Rio de Janeiro, onde três políticos conversavam no saguão, e cravou um punhal nas costas do senador, que ainda exclamou: “Ah, canalha!”. Terminava assim a vida do poderoso Pinheiro Machado.
     Após cometer o crime, o assassino foi preso por dois guardas a poucos metros dali. A investigação concluiu que não houve motivação política. Manso Paiva seria um desequilibrado que havia agido sozinho, incentivado pelas críticas da imprensa ao senador. Ele ficou preso por 20 anos, e após ser libertado conseguiu um emprego no Instituto Brasileiro do Café, por meio de contatos do jornalista Assis Chateaubriand (1892-1968), e passou a vender bilhetes de loteria nas redações dos jornais nas horas vagas. Até hoje, nunca ficou provado se ele teve alguma razão política para matar Pinheiro Machado. Manso Paiva sustentou sua versão até o fim da vida e declarou ao repórter Edmar Morel: “Não houve mandantes (...) Nasceu em mim a obsessão por matá-lo, na certeza de que livraria o Brasil de um tirano”.
Vera Lúcia Bogéa Borges é professora de História do Colégio Pedro II (CPII) e autora de Morte na República: os últimos anos de Pinheiro Machado e a política oligárquica (1909-1915) (IHGB, 2004).

João Pessoa - Honra lavada vira revolução
Inês Caminha Lopes Rodrigues
     Presidente da Paraíba de 22 de outubro de 1928 a 26 de julho de 1930 e candidato a vice na chapa de Getulio Vargas, João Pessoa (1878-1930) era contra tomar o poder à força caso perdesse a eleição presidencial de março de 1930. “Prefiro dez Júlio Prestes (candidato adversário) a uma revolução”, declarou durante a passagem da Caravana da Aliança Liberal pela Paraíba a fim de conclamar a Região Norte para a sublevaçna Paraão. Prestes foi o vencedor, e apesar da insatisfação com o modelo econômico e político do país e a alternância de São Paulo e Minas Gerais no poder, Vargas se encaminhava para aceitar a derrota. Mas o assassinato de João Pessoa serviu de estopim para o início da revolução.
     O crime estava mais relacionado a questões locais do que nacionais. João Pessoa havia tomado medidas contra os coronéis, líderes políticos locais, o que levou um deles, José Pereira, a iniciar uma revolta no município de Princesa em 28 de fevereiro de 1930. No início de julho, o advogado João Dantas (1888-1930), que seria ligado a Pereira, teve o seu escritório-residência arrombado pelas forças do governo. Sentindo-se humilhado, assassinou o presidente do Estado a tiros no dia 26 de julho, na Confeitaria Glória, no Recife.
     A comoção causada pelo crime serviu para mobilizar partidários de Vargas, que tomaram o poder em 3 de outubro. “João Pessoa vivo foi uma voz contra a revolução. Mas João Pessoa morto foi o verdadeiro rearticulador do movimento revolucionário”, definiu o jornalista Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000).
Inês Caminha Lopes Rodrigues é professora aposentada da Universidade Federal da Paraíba e autora de A Revolta de Princesa: poder privado x poder instituído (Brasiliense, 1981).

Elza Fernandes - Traição ou ingenuidade?
Raul Rebello Vital Junior
     Elvira Cupello Calônio (1920-1936), uma jovem de 16 anos do interior de São Paulo, apaixonou-se pelo secretário-geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antônio Maciel Bonfim, mais conhecido como Miranda. Os dois se conheceram em Copacabana, quando ela foi trabalhar como doméstica, e logo foram morar juntos. Elvira, então, passou a adotar o codinome Elza Fernandes. Miranda nasceu em 1905 e faleceu no final da década de 1940. Após o levante comunista de 1935, aumentou a repressão ao PCB. Miranda e Elza foram presos em janeiro do ano seguinte. Após ser solta pela polícia, ela foi “condenada” pelo partido por traição e executada. A polícia nada pôde provar sobre o assassinato no ano em que ele ocorreu. Somente em 1940 é que o caso vem à tona. No mês de abril, Luiz Carlos Prestes já aparecia como mentor intelectual da morte de Elza em importantes jornais da época.
     A notícia de seu estrangulamento contribuiu para estimular o sentimento anticomunista, reforçado pela imprensa. Houve a suspeita de que o casal teria denunciado outros membros do partido, porque a polícia libertou Elza duas semanas após detê-la, enquanto Miranda era barbaramente torturado pela polícia. Além disso, vários comunistas foram presos depois que ela saiu da cadeia e fez contato com dirigentes importantes. Entre esses dirigentes estavam Rodolfo Ghioldi e João Barbosa de Melo.  A investigação conduzida pelo “Tribunal Vermelho” do PCB, sob influência do líder Luiz Carlos Prestes (1898-1990) por meio de um bilhete, selou o destino de Elza.  Há controvérsias sobre o fato de Elza ter delatado seus companheiros. Acredita-se que ela era uma inocente sem formação política, e por causa da sua ingenuidade teria sido usada pela polícia, que passou a segui-la.  
Raul Rebello Vital Junior é professor das Faculdades Porto-Alegrenses de Educação, Ciências e Letras e autor da dissertação Tribunal Vermelho: em cena o caso Elza Fernandesrecortes do anticomunismo brasileiro durante o Estado Novo” (PUC-RS, 2001).

João Goulart - Ataque político, parada cardíaca
Oswaldo Munteal Filho
     João Goulart (1918-1976), presidente da República de 1961 a 1964, morreu na mesma época que seus colegas de aliança, o também ex-presidente Juscelino Kubitschek e o ex-governador do Rio de Janeiro Carlos Lacerda. Integrante da Frente Ampla – formada em 1968 contra a ditadura militar –, ele teria sofrido um ataque cardíaco em sua fazenda em Mercedes, na Argentina, onde estava exilado. Esta é a tese aceita pela história oficial, mas novas explicações têm surgido nos últimos anos.
     Em 2008, em entrevista à Folha de S. Paulo, o ex-agente do serviço secreto uruguaio Mario Neira Barreiro, que está preso em Charqueadas (RS), afirmou ter participado da Operação Escorpião – braço brasileiro da Operação Condor –, que resultou no envenenamento do ex-presidente. A tese de assassinato é reforçada pelo fato de Jango ter sido vigiado por autoridades militares desde 1954, quando renunciou ao cargo de ministro do Trabalho de Getúlio Vargas (1882-1954), e pelas recentes declarações de Jarbas Passarinho, político que ocupou três ministérios durante a ditadura. Segundo Passarinho, durante o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979) houve uma orientação para o extermínio dos adversários políticos.
 Oswaldo Munteal Filho é professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e autor de Tempo negro, temperatura sufocante: Estado e sociedade no Brasil do AI-5 (PUC-Rio/ Contraponto, 2008).

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Juscelino Kubitschek - Viagem marcada, acidente planejado
Marcelo Squinca da Silva
     Presidente da República de 1956 a 1961, Juscelino Kubitschek (1902-1976) viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro na tarde de 22 de agosto de 1976. Seu carro, guiado pelo motorista Geraldo Ribeiro, foi atingido por um ônibus, atravessou a pista da Via Dutra e bateu de frente com uma carreta. Terminou ali a vida de um símbolo da resistência à ditadura militar, que em 1968 havia formado com o ex-presidente João Goulart e com Carlos Lacerda, ex-governador do Rio, a Frente Ampla de oposição ao regime. A família de JK acreditou que sua morte tinha sido um crime político, mas nunca conseguiu provar. O motivo seria a eliminação de líderes de oposição às ditaduras latino-americanas.
     Na época, a Justiça considerou o episódio um acidente, e não um atentado. O governo militar resistiu, mas aceitou decretar luto de três dias. No enterro do ex-presidente, em Brasília, houve uma grande manifestação popular contra a ditadura. Não houve palavras de ordem ou coisa parecida, mas cantos, como a cantiga folclórica “Peixe vivo”, que significava uma saudação a JK.
     Em 2000, a Câmara dos Deputados formou uma comissão para apurar a morte do ex-presidente, mas chegou à conclusão de que se tratou mesmo de acidente. Ainda hoje, muitos pesquisadores não estão convencidos da versão oficial. A suspeita aumentou após a revelação – no romance-reportagem O beijo da morte (2003), de Carlos Heitor Cony e Anna Lee – de que seu nome estaria na agenda da Operação Condor – articulação das ditaduras do Cone Sul, nos anos 1970, para eliminar inimigos.
Marcelo Squinca da Silva é professor da Universidade Cidade de São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e autor da tese “Um caso de desamor: o debate sobre a estatização do setor de energia elétrica (1956-1961)” (PUC-SP, 2009).

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Carlos Lacerda - Histórias mal contadas
Angela Moreira Domingues da Silva
     Dois episódios da vida do jornalista e político Carlos Lacerda (1914-1977) são cercados de dúvidas e indagações. O primeiro é o que ficou conhecido como o “atentado da Rua Tonelero”, em 5 de agosto de 1954, quando Lacerda foi alvejado em frente à sua residência, em Copacabana. O major-aviador Rubens Florentino Vaz, integrante de um grupo de oficiais da Aeronáutica que dava proteção ao deputado federal, morreu em decorrência do tiroteio. A versão oficial sobre a emboscada é de que ela foi perpetrada por grupos ligados ao presidente Getúlio Vargas (1882-1954), principal adversário político de Lacerda. Após instauração de Inquérito Policial Militar, as acusações recaíram sobre Alcino João do Nascimento, autor dos disparos, e Gregório Fortunato (1900-1962), chefe da guarda pessoal de Vargas, acusado de mandante do crime. O tom do inquérito, indicando o “Palácio do Catete como uma constante” na investigação dos fatos, e o suposto “amadorismo” dos envolvidos no atentado, que deixaram pistas consideradas “evidentes” sobre a autoria do crime, provocam um clima de desconfiança e questionamento sobre a versão oficial.
     O segundo episódio polêmico diz respeito à morte de Lacerda, em 21 de maio de 1977. Internado em uma clínica no Rio de Janeiro, aparentemente com uma forte gripe, ele faleceu sem um diagnóstico preciso – infecção generalizada –, não questionado na época. As suposições de que sua morte não foi natural se baseiam na ausência de causas para a infecção. Além disso, o jornalista morreu em data próxima às das mortes dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, o que alimenta o ar de mistério que persiste.
Angela Moreira Domingues da Silva é autora da dissertação “Ditadura militar e repressão legal: a pena de morte rediviva e o caso Theodomiro Romeiro dos Santos (1969-1971)” (UFRJ, 2007).

Tancredo Neves - Múltiplas causas mortis
Douglas Attila Marcelino
     Depois de 21 anos de ditadura militar, o Brasil vivia a expectativa de ter o primeiro presidente civil. Tancredo Neves (1910-1985) fora eleito pelo Congresso Nacional e deveria tomar posse no cargo no dia 15 de março de 1985. Mas, na véspera, chegou a notícia inesperada: ele tinha sido internado num hospital de Brasília, o que desatou uma onda de boatos sobre o motivo da internação. Tiro no peito? Envenenamento? As diferentes versões vinham de todas as partes, sem que ninguém pudesse dizer ao certo onde surgiram.    O grande temor era de que o suposto atentado tivesse o objetivo de interromper o processo de redemocratização do país.
     A demora dos canais oficiais de comunicação em informar o verdadeiro estado de saúde do paciente reforçou os rumores. No dia 21 de abril, sua morte foi finalmente anunciada. A explicação oficial aponta que Tancredo foi vítima de um tumor no intestino, inicialmente diagnosticado como diverticulite. O choque da população com a notícia foi grande porque a campanha presidencial tinha feito um investimento sem precedentes na imagem do político, chegando a afirmar que sua saúde era perfeita, apesar dos 75 anos. Depois de sua vitória, a revista Manchete chegou a publicar uma conversa com o médico de Tancredo: sua saúde se devia à ingestão diária de cápsulas de magnésio. A informação fortalecia a confiança na sua saúde e chegou a aumentar o consumo daquele mineral.
     Mesmo após a morte de Tancredo, os boatos continuaram. Há, inclusive, quem acredite que ele morreu antes de 21 de abril, e que essa data teria sido escolhida para o anúncio por ser Dia de Tiradentes. Assim se poderia reforçar a associação entre a sua morte e a do inconfidente.
Douglas Attila Marcelino é autor da dissertação “Salvando a pátria da pornografia e da subversão: a censura de livros e diversões públicas nos anos 1970” (UFRJ, 2006).

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