“Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso”. (Bertolt Brecht)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Desgaste, desencanto e suicídios no exército dos EUA.

Um soldado a cada dia acaba com a própria vida. Suicídios já são duas vezes maiores que mortes em combate. Angústia, convocações sucessivas e dificuldades econômicas parecem ser as causas.
     Nos primeiros 155 dias do ano, foram reportados 154 suicídios de soldados americanos na ativa, o que quer dizer que, em média, entre Janeiro e Junho de 2012 o Exército norte-americano perdeu uma pessoa por dia.
     No mesmo período, o número de soldados que morreram no Afeganistão foi inferior: menos 50%, de acordo com o Pentágono; 139, segundo o site: icasualties.org/, que reúne a contabilidade das mortes em combate.
     Os dados do Pentágono apontam uma alta extraordinária da taxa de suicídio de tropas, que se encontra agora num nível histórico – face aos valores do período homólogo de 2011, a taxa de suicídio disparou 18%, e 25% quando comparada com 2010. Nunca, na última década em que os Estados Unidos estiveram envolvidos em duas guerras (no Iraque e Afeganistão), o ritmo de suicídios entre militares foi tão elevado.
    O Departamento de Defesa manifestou extrema preocupação com a tendência de subida do número de suicídios, que se tem verificado desde 2006, até atingir um pico em 2009 e novamente agora. Antes de ter sido feita a contagem do primeiro semestre do ano, o próprio secretário da Defesa, Leon Panetta, tinha alertado as chefias para a questão, escrevendo numa nota interna que “o suicídio de militares é um dos problemas mais complexos e urgentes” a necessitar de atenção e soluções.

Exército combate estigma
    “Há que continuar a trabalhar para eliminar o estigma de quem sofre de stress pós-traumático ou outros problemas mentais para que esses indivíduos procurem ajuda especializada”, dizia o documento, citado pela Associated Press.
     Panetta escreveu ainda que os comandantes têm uma responsabilidade adicional e “não podem tolerar qualquer ação que leve ao desprezo, humilhação ou isolamento de qualquer indivíduo, principalmente daqueles que necessitem de tratamento”.
     Num esforço para gerir os problemas individuais e sociais provocados pelo esforço de guerra da última década — além do aumento dos suicídios, verifica-se também uma subida nos casos de toxicodependência, de violência sexual e doméstica e de outros crimes praticados por soldados —, o exército norte-americano lançou programas de saúde mental, de prevenção do abuso de álcool e drogas, assim como de aconselhamento jurídico e financeiro para os soldados e as suas famílias.
      Como comentava o diretor-executivo da associação de Soldados Veteranos da América e do Afeganistão, Paul Rieckhoff, o número de suicídios entre militares na ativa é apenas “a ponta visível do icebergue” — um inquérito conduzido junto dos 160 mil membros da sua organização revelava que 37% tinha conhecimento pessoal de alguém que tinha posto fim à própria vida.
     As causas para o problema estão identificadas: os estudos realizados pelo Pentágono com o seu pessoal demonstram que os anos de convocações sucessivas para o teatro de guerra elevam a probabilidade de os soldados desenvolverem um quadro de stress pós-traumático. Especialistas dizem que a situação económica dos Estados Unidos também pode estar contribuindo para o aumento da angústia e desespero das tropas americanas e respectivas famílias.

Saiba Mais: Documentários
11 de Setembro (11’9″01 – September 11)
Após os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, o produtor artístico Alain Brigand pediu a 11 diretores que contribuíssem cada um com um curta-metragem para uma coletânea que seria exibida internacionalmente. Inspirados naquele dia, todos os realizadores tiveram liberdade artística para refletir sobre o atentado, obedecendo à duração de 11 minutos, 9 segundos e 1 frame - ou 11'09''01.
Onze curta-metragens abordando diversos aspectos dos ataques terroristas aos Estados Unidos, ocorridos em 11 de setembro de 2001. Danis Tanovic e Ken Loach relacionam a data do atentado a outros acontecimentos. Tanovic lembra-se do dia 11 de julho de 1995, quando ocorreu o massacre em Srebrnica e Loach rememora que Salvador Allende foi deposto do governo chileno em 11 de setembro de 1973. Idrissa Ouedraogo realizou uma comédia reflexiva sobre Burkina Faso. Samira Makhmalbaf mostra uma professora que tenta explicar o ataque a um grupo de crianças. Sean Penn evoca a vida de uma viúva que morava à sombra das duas torres desabadas. Claude Lelouch descreve as reações de vários surdos ao evento ou que testemunharam o evento. Shonei Imamura recorre às memórias japonesas da Segunda Guerra Mundial e Mira Nair mostra os problemas das minorias étnicas. Amos Gitai dá a sua interpretação sobre o papel da mídia em uma informação de significado internacional. Alejandro González Iñárritu apresenta 11 minutos de preces na escuridão, enquanto Youssef Chahine reflete a perspectiva do Oriente Médio.
 Direção: Youssef Chahine, Amos Gitai, Alejandro González Iñárritu, Shohei Imamura, Claude Lelouch, Ken Loach, Samira Makhmalbaf, Mira Nair, Idrissa Ouedraogo, Sean Penn, Danis Tanovic
Ano 2002
Áudio: espanhol, inglês, francês, árabe, hebraico, persa/Legendado
Duração:128 minutos

Razões Para A Guerra (Why We Fight)
Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Sundance Film Festival de 2005, Razões Para a Guerra proporciona uma visão reveladora sobre como a América tem se preparado para a batalha e o que os obriga tão frequentemente a travar guerras ao redor do mundo.
Produzido em meio à segunda guerra do Iraque, o documentário é uma agressiva análise das forças que alimentam a máquina militar norte-americana por mais de meio século e suas consequências globais.
O filme começa com o discurso de despedida do presidente Dwight D. Eisenhower em 1961, no qual ele alertou os norte-americanos quanto ao crescimento do poder do "complexo industrial militar."
Expandindo a partir da advertência de Eisenhower, Jarecki conta ainda com entrevistas de soldados norte-americanos, oficiais do governo, informantes militares, empregados da área de Defesa, congressistas, acadêmicos, iraquianos e muitos outros que fornecem análises pessoais, políticas e econômicas sobre os últimos 50 anos da expansão militar dos Estados Unidos, guerras e intervenções.
O que surge é um retrato esclarecedor e arrepiante de como os interesses políticos, corporativos e militares se tornaram progressivamente ligados através do negócio que é uma guerra.
Se nós queremos defender e promulgar a paz, precisamos conhecer as razões para a guerra! “Por que nós lutamos?”. “Lutamos pela liberdade”. Essa resposta faz parte de uma cultura que tentou justificar a guerra pelos melhores motivos. A boa propaganda é muito eficiente em montar mentalidades...!
Direção: Eugene Jarecki
Ano: 2005
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 99 minutos

Táxi Para A Escuridão (Taxi to the Dark Side)
Um taxista afegão, preso por líderes militares locais, morre 4 dias depois na Base Aérea de Bagram, por consequência das torturas sofridas. Meses de investigação levam uma jornalista do New York Times até a vila remota da vítima. Lá, encontra o atestado de óbito em inglês, entregue pelo Exército Americano para a família da vítima, que só fala Pashtu. Causa oficial da morte: homicídio. Documentos oficiais revelam como o exército norte-americano e o FBI gastaram meses de pesquisas, aperfeiçoando seus métodos para “dobrar” os prisioneiros.
Na base de Guantánamo, em Cuba, a CIA e o exército desenvolveram e criaram métodos de tortura e testaram nos detentos. Os presos ali, sem direito a habeas-corpus e sem saber o motivo pelo qual haviam sido presos, tiveram corpos e mentes moídos com a anuência do alto escalão do governo. Um dos detentos, sob tortura, disse que Saddam Hussein havia treinado a Al-Qaeda no uso de armas químicas. O documentário revela que uma pessoa torturada diz o que o torturado deseja ouvir. E tudo o que os EUA queriam era um motivo para invadir o Iraque. Com ou sem provas.
Direção: Alex Gibney
Ano: 2007
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 106 minutos

A Caminho de Guantánamo (The Road to Guantánamo)
10 de setembro de 2001. A mãe de Asif Iqbal (Afran Usman), um jovem de 19 anos, retorna do Paquistão anunciando que encontrou uma noiva para ele. Nove dias depois Asif segue para o Paquistão, para encontrá-la e também conhecer a terra de seus pais. Asif convida Ruhel (Farhad Harun), Shafiq (Riz Ahmed) e Monir (Waqar Siddiqui), seus amigos, para acompanhá-lo. Em Karachi, após 2 dias de viagens turísticas, eles vão rezar em uma mesquita. Lá ouvem de um líder local que o Afeganistão precisa de voluntários, o que faz com que sigam para Kandahar. Porém a cidade logo é bombardeada pelos americanos, como represália pelos atentados terroristas de 11 de setembro. Eles tentam retornar ao Paquistão, mas Monir desaparece e os demais são capturados pelas forças aliadas. É o início de uma série de torturas que os amigos sofrem, já que ninguém acredita que são turistas europeus. Em janeiro de 2002 eles são enviados à prisão americana de Guantánamo, em Cuba, onde durante 2 anos e meio tentam convencer os guardas sobre suas verdadeiras identidades. Filme polêmico ganhou o Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim de 2006.
Direção: Michael Winterbottom, Mat Whitecross
Ano: 2006
Áudio: Inglês/legendado
Duração: 91 minutos

Saiba Mais: Links
Passaram-se oito anos e os Estados Unidos fecharam a porta do Iraque deixando um desastre atrás dela. Durante o conflito, morreram mais de 100 mil civis, 4.800 soldados da coalizão perderam a vida (4.500 dos EUA), junto com 20 mil soldados iraquianos. Para os iraquianos, o legado da invasão é morte, dezena de milhares de mutilados, insegurança, desemprego, falta de água potável e eletricidade. A democracia exportada com bombas ultramodernas não mudou o curso das coisas.
Da Revolução Francesa, passando pelos carbonários, o século XX com as guerras, e o XXI, com Bin Laden: o terrorismo foi encarado de formas até antagônicas.
Em "Incêndios", um casal de gêmeos, após a morte da mãe, parte em busca de uma família desconhecida no Oriente Médio, descobre o passado da família e os horrores da guerra - revelados não por cenas violentas, mas por diálogos intensos.

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