“Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso”. (Bertolt Brecht)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Krzysztof Kieślowski: A Trilogia Das Cores/O Decálogo

     Krzysztof Kieślowski , nasceu em Varsóvia, Polônia, em 1941. Estudou cinema na Escola de Teatro e Cinema de Lodz, por onde passaram também Roman Polanski e Andrzej Wajda. O cineasta começou sua carreira no cinema dirigindo documentários que retratavam a vidas dos trabalhadores e dos soldados poloneses, porém, é mais conhecido pelo seu trabalho ficcional. Podemos dividir a carreira de Kieslowski em duas fases: a fase polonesa, na qual concebeu “O Decálogo”, série de filmes para TV inspirada nos 10 Mandamentos; e a fase francesa, que abrange entre outros filmes, “A Dupla Vida de Véronique“ e a “Trilogia das Cores”. Morreu em 1996, e mesmo tendo anunciado sua aposentadoria, estava trabalhando em um projeto baseado na Divina Comédia de Dante Alighieri.

A Trilogia Das Cores
Orientado por dois eventos históricos e políticos de suma importância para o mundo: o aniversário de 200 anos da Revolução Francesa e a Unificação da Europa, o cineasta polonês Krzysztof Kieślowski criou uma das mais belas obras da história do cinema, sua Trilogia das Cores (Trois Couleurs).
Cada um dos filmes tem como nome de uma das cores da bandeira francesa, e é acompanhado de seus ideais: azul a liberdade, branco a igualdade e vermelho a fraternidade, e como cada um desses conceitos refletem hoje em dia na nossa sociedade, algo semelhante que o diretor já havia feito alguns anos antes com sua série O Decálogo”, a qual fazia uma leitura atual e o que representava os dez mandamentos bíblicos para o mundo moderno.

“A Liberdade é Azul” (Bleu) 1993
Conta a história de Julie Vignon (Juliet Binoche) uma modelo que em um acidente de carro perde a filha e o marido, um famoso compositor responsável pelo "Concerto da Unificação da Europa”. Depois de uma tentativa frustrada de suicídio, Julie resolve vender sua casa e todos seus bens, queimar as fotos e se libertar da dor e de tudo que a lembre de sua antiga vida, começa um relacionamento com o colaborador de seu marido (Benoit Régent), mas novas descobertas a fazem reabrir suas feridas, e de novo em contato com a dor, percebe que a liberdade não é o esquecimento e sim a vida.
A Liberdade é Azul ganhou o Leão de Ouro em Veneza como melhor filme e melhor fotografia, tendo ainda Juliette Binoche como melhor atriz. Binoche também ganhou o César que também foi concedido ao filme nas categorias melhor montagem e melhor som. Para fechar, três indicações ao Globo de Ouro: Melhor filme estrangeiro, melhor música e melhor atriz.
Direção: Krzysztof Kieślowski
Ano: 1993
Áudio: Francês/legenda no arquivo
Duração: 94 minutos

 “A igualdade é branca” (Blanc) 1994
A personagem central é Carol (Zbiniew Zamachowski) ele é polonês e não fala francês, é apaixonado pela sua mulher, Dominique (Julie Delpy), que o surpreende com um pedido de divórcio, Carol é julgado na França sem falar uma palavra sequer em francês, mesmo em tom de comédia o filme já dá o tom logo de cara, como um estrangeiro é julgado, obrigado a assinar uma separação sem sequer falar Francês, sem um interprete, onde reside a igualdade na sociedade? Carol resolve retornar a sua cidade natal, volta a trabalhar com o irmão na profissão de cabeleireiro e planeja uma inusitada vingança.
A Igualdade é Branca deu o Urso de Prata em Berlim para Kieślowski como melhor diretor.
Direção: Krzysztof Kieślowski
Ano: 1993
Áudio: Francês/legenda no arquivo
Duração: 89 minutos

“A Fraternidade é Vermelha” (Rouge)1994
Kieślowski surpreende já no início do filme, usando de efeitos especiais para mostrar, através dos cabos telefônicos, o trajeto de uma ligação que esbarra num telefone ocupado. É a dificuldade de comunicação entre os seres humanos em nossa época, simbolizada no sinal de ocupado de um telefone, mas também refletido no relacionamento que surge entre uma solitária modelo que vive em Genebra e um juiz aposentado e desiludido que vive recluso em casa, espionando os vizinhos através de escutas telefônicas. Incapazes de estabelecer uma comunicação a princípio, a insistência dela acaba, aos poucos, transformando a visão dele sobre si próprio, a vida e as pessoas à sua volta. A fraternidade, segundo Kieslowski, está no poder que cada ser humano tem de interferir na vida de seu próximo através da coexistência, do sentido de agir ou de não agir, na cumplicidade do simples ato de existir. O vermelho, mais presente do que o azul e o branco nos filmes anteriores, é a chama capaz de reacender a esperança diante de um novo tempo, simbolizado na cadela grávida e nos personagens que sobrevivem a um naufrágio.
A Fraternidade é Vermelha ganhou Cannes como melhor filme, o César por melhor trilha sonora e foi indicado ao Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro e ao Oscar como melhor direção, melhor roteiro e melhor fotografia.
Direção: Krzysztof Kieślowski
Ano: 1994
Áudio: Francês/legenda no arquivo
Duração: 95minutos

Decálogo - Krzysztof Kieślowski
Krzysztof Kieślowski, em 1988, realizou dez médias-metragens, os quais em conjunto formam sua obra chamada O Decálogo. Apesar de inspirados nos Dez Mandamentos, nenhum dos capítulos traz o preceito religioso indicado no título, nem se prende a algum mandamento específico.
As dez histórias independentes, possuem uma unidade temática e narrativa rara. Você pode ver um só episódio ou os dez, e então perceber conexões aparentemente invisíveis entre elas. O filme foi consagrado no 46º Festival de Veneza como uma obra-prima.
Em toda a série foi utilizada a mesma equipe técnica, com apenas uma exceção marcante, o diretor de fotografia, diferente a cada episódio, recurso este utilizado pelo diretor para que a obra não resultasse maçante ou monótona. Nas dez histórias, pessoas comuns enfrentam problemas cotidianos, que se manifestam em diversas camadas de significados, propondo uma discussão livre sobre temas universais da condição humana: amor, culpa, solidão, amizade, tristeza, ética e medo.
Kieslowski apresenta uma maneira particular de filmar, sempre atento a detalhes - um copo que cai, um menino olhando uma pomba, uma goteira no hospital - com uma extraordinária sensibilidade, que parece ser única entre seus contemporâneos. Embora praticamente todas as histórias tenham um final surpreendente ou irônico, elas constituem antes de tudo um grande painel do comportamento humano. No contraponto ao que o cinema norte-americano nos ensinou a ter certas expectativas, Kieslowski surpreende sempre de forma tão extraordinária, tão pouco usual e infelizmente ainda quase desconhecida. Esta obra singela e delicada é das mais belas histórias de amor ao cinema.

Direção: Krzysztof Kieślowski
Ano: 1988
Áudio: Polonês/legenda no arquivo

Decálogo I - Amarás a Deus sobre todas as coisas 
Um professor universitário que acredita na razão e nas forças das leis da ciência convive com seu filho de 10 anos, dividido entre a crença científica paterna e a fé religiosa de uma tia.

Decálogo II - Não invocarás o Santo Nome de Deus em vão
Mulher engravida de seu amante e resolve abortar, caso seu marido, gravemente enfermo, se recupere. Uma reflexão profunda sobre morte e uma nova vida, quando elas conflitam entre si.

Decálogo III - Guardarás Sábados e Feriados
Para procurar seu marido, desaparecido durante a véspera do Natal, mulher pede ajuda a um antigo amante, relembrando, durante o encontro, o relacionamento tumultuado que tiveram no passado.

Decálogo IV - Honrarás pai e mãe 
O relacionamento afetuoso entre um viúvo e sua filha de 20 anos sofre alterações quando esta descobre, por meio de cartas escritas pela mãe, que ele não é seu verdadeiro pai.

Decálogo V - Não matarás 
Um crime ocorrido em Varsóvia une três personagens: um desocupado, um taxista e um advogado em início de carreira. Episódio que deu origem, posteriormente, ao longa “Não Matarás”.

Decálogo VI - Não cometerás adultério 
Jovem tímido declara seu amor a uma vizinha e fica decepcionado ao descobrir que ela encara com extrema liberdade uma possível relação entre eles. Foi posteriormente transformado no longa Não amarás.

Decálogo VII - Não roubarás 
Moça entrega sua filha para a mãe criar, e se passa por sua irmã. Seis anos depois, ela se arrepende, aproxima-se da filha levantando antigas mágoas entre as duas mulheres.

Decálogo VIII - Não levantarás falsos testemunhos 
Pesquisadora judia encontra-se com uma professora de Ética da universidade que, há 45 anos, negara-lhe ajuda durante a Segunda Guerra Mundial, pois sendo católica, não podia cometer falso testemunho.

Decálogo IX - Não desejarás a mulher do próximo 
Um homem que ficou impotente descobre que a mulher tem um amante, o que dá inicio a uma série de conflitos.

Decálogo X - Não cobiçarás coisas alheias 
Dois irmãos herdam uma coleção de selos, mas vendem os selos mais valiosos antes de saberem seu verdadeiro valor.

15 comentários:

  1. Cara, durante anos eu sonhei assistir O Decálogo. Sou fã da obra de Krzysztof Kieślowski, vi quase todos os filmes dele,a trilologia das cores, Rouge, da série, é meu favorito. Obrigado por disponiblilizar.

    Lenilson Moutinho
    Mogi das Cruzes - SP

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    1. Sei que parecê resposta pronta para comentários, mas é sincero: o cometário é a melhor forma de incentivo para o nosso trabalho.Obrigado por comentar.

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    2. Ainda bem que existe este tipo de conteúdo na internet e gente que a dispõe. Valeu Tonhão, compartilhei no Facebook seu link com amigos, que como eu são amantes desta arte chamada cinema...e do ótimo cinema europeu. Tem alguma coisa de Theo Angelopoulos?

      Abraços e ótimo domingo!

      Lenilson Moutinho
      Mogi das Cruzes - SP

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    3. Olá Tonhão, a trilha sonora de o Decálogo é primorosa. Você tem disponível?

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    4. Que pena amigo, eu tinha me esquecido da música do filme, da obra toda de Zbigniew Preisner, que tanto valor deu aos filmes de Kieslowski. Vou tentar achar. Abraços!


      Lenilson Moutinho

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  2. Baixei o primeiro episódio de "Dekalog" e ele está um pouco diferente do que o que eu tenho aqui no meu computador, 52m56s e em formato RMVB, enquanto o desse site tem 47m26s, além do formato AVI obviamente. Fora que começam de maneiras distintas tbm.

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  3. Anônimo, bom dia. Todos os 10 episódios baixei via torrent. Até onde tenho conhecimento todas as partes estão completas. Mas obrigado pela informação, vou conferir se está faltando alguma parte.

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    1. Descobri um site Tonhão. Não sei como tá porque não baixei. http://www.omelhordatelona.biz/series/o-decalogo/3636-o-decalogo.html#CommentForm. Tenta aí anônimo.Mas os que baixei de seu site estão ótimos.de repente deu alguma zica na hora, e vale a pena tentar baixar novamente.

      Abraços,

      Lenilson Moutinho
      Mogi das Cruzes

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  4. O episódio 5 parece estar com algum "defeito", roda travando e com umas imperfeições no vídeo, e olha que tenho todos os pacotes de codecs instalados aqui, testei em uns 3 computadores diferentes e deu a mesma coisa. De resto parece está tudo ok. Parabéns Professor pelo blog.

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    1. Este capítulo 5 tem algumas peculiaridades. O Diretor fez questão de fazê-lo com luz estourada, amarela, de propósito, como uma forma de chocar, pela violência do tema.


      Abraços,


      Lenilson
      Mogi das Cruzes

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  5. Anônimo, boa tarde. Obrigado pela atenção. Baixei o arquivo, para conferir e está tudo OK. Por favor, queira baixa-lo novamente, pois pode ter ocorrido algo. Qualquer coisa estou a disposição, um abraço fraternal.

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  6. Parabéns pelo site e pelo esforço. Sou professor, e utilizo muito este cineasta para minhas aulas de filosofia.

    Valeu.

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