“Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso”. (Bertolt Brecht)

domingo, 17 de junho de 2012

O Milagre de Santa Luzia

     Segundo Gilberto Dimenstein: “Demorou tanto tempo para Sérgio Roizenblit produzir seu filme sobre a sanfona no Brasil, [...], que alguns de seus principais entrevistados morreram. Foram tantas as mortes - Mário Zan, Sivuca, Patativa do Assaré e Marines -, que os amigos faziam comentários em tom de brincadeira. ‘Diziam que me dariam qualquer coisa. Menos uma entrevista.’
     O problema foi menos o dinheiro para produzir “O Milagre de Santa Luzia” - Luiz Gonzaga, o rei do baião, nasceu no dia de homenagem a essa santa - do que uma fobia de seu principal personagem. O documentário é apresentado pelo sanfoneiro Dominguinhos, que se recusa a entrar num avião. Apenas se locomove de carro e, muitas vezes, ele mesmo vai guiando.
     O problema é que para fazer as gravações foram necessárias dezenas de viagens de Norte a Sul do Brasil. Só para o Pantanal foram três viagens; mais quatro para o Rio Grande do Sul. Para complicar, as entrevistas estavam condicionadas à imprevisibilidade das brechas abertas entre os shows de Dominguinhos.”
     O Milagre de Santa Luzia é uma homenagem a Luiz Gonzaga que nasceu em 13 de dezembro de 1908, dia de Santa Luzia.
     O filme é uma viagem pelo Brasil que toca sanfona, conduzida por Dominguinhos, principal sanfoneiro do país. Entre encontros acompanhados de muita música e reunindo depoimentos dos mais representativos sanfoneiros brasileiros, o filme guarda preciosos registros de importantes personalidades da música popular brasileira, como o poeta Patativa do Assaré, Sivuca e Mário Zan, falecidos pouco tempo depois de sua participação no filme.
     O Milagre de Santa Luzia mostra um Brasil profundo e anônimo: o nordestino e sua saga de retirante, a partida e o desejo de um dia voltar; o pantaneiro e sua atitude contempladora e conectada ao ritmo da natureza; o gaúcho com sua ode às tradições e o orgulho pela terra natal; o paulista que dividido entre a cultura caipira tradicional e o liquidificador de tradições da metrópole cria um estilo no qual todas as tradições estão presentes.

“Em todo pé de serra
Tem um sanfoneiro
Tem um zabumbeiro
Tem um tocador
Mesmo que seja ruim
Tocando um tantinho assim
Traz alegria a todo morador"
Tocador de pé de serra - Dominguinhos/Anastácia

Direção: Sérgio Roizenblit
Ano: 2009
Áudio: Português
Duração: 105 minutos

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